Drª Rita Campilho | Médica Veterinária
Drª Rita Campilho | Médica Veterinária
17 Abr, 2018 - 14:00

Cão sempre com fome: descubra qual pode ser a causa

Drª Rita Campilho | Médica Veterinária

Ter um cão sempre com fome pode ser assustador quando não se sabe o motivo. Este pode ser comportamental, sinal de má alimentação ou mesmo patológico. Essas diferentes causas são aqui identificadas para que possa melhor compreender se se trata de fome ou apetite. Descubra a origem da fome do seu cão e saiba o que deve fazer.

Cão sempre com fome: descubra qual pode ser a causa
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Um cão sempre com fome é muitas vezes um problema com o qual os donos se deparam. Há vários motivos para que tal possa acontecer, e convém estar atento para saber identificar o que é normal, do que não é.

Alimentação correta

cao sempre com fome e alimentacao correta

A correta alimentação é um aspeto crucial para a vida do cão e há uma enorme variedade de ofertas por onde optar. A maioria dos cães adultos deve comer 2 a 3 vezes por dia, e a refeição deverá ser fornecida num espaço reservado e calmo para permitir uma correta assimilação do alimento e sua digestão.

Para que haja todo o aporte nutricional necessário, deve-se optar por uma dieta específica para a fase do animal (cachorro, adulto, sénior, gestante etc.) e fornecer a quantidade indicada. Esta pode ser sugerida pelo médico veterinário ou pode então ser consultada nas diretrizes contidas na embalagem, que indicam em tabela as necessidades diárias totais de acordo com a idade e com o peso corporal esperado.

Cão sempre com fome: quais os motivos

cao a pedinchar comida

Desde logo é preciso diferenciar apetite (vontade de comer) de fome (sensação fisiológica de necessidade de se alimentar para suprir os seus requisitos nutricionais).

Deficiência nutricional

Nestes casos, não se trata de ter um cão sempre com fome mas sim da ausência do aporte dos nutrientes necessários, sendo que a dose e/ou a própria dieta em si têm de ser ajustadas. Acontece quando os cachorros estão em fase de desenvolvimento, em fêmeas gestantes e em lactação ou então em cães cuja atividade física aumentou substancialmente. Assim, a dieta deve ser adaptada às novas condições.

Comportamental – Pedinchar

Neste caso trata-se de aumento de apetite. Muitas vezes os donos fomentam inocentemente este género de comportamento ao cederem aos olhares e pedidos dos cães durante as refeições ou enquanto as preparam, dando-lhes pedaços da nossa comida.

Esta prática, para além de fazer mal ao animal por serem comidas impróprias para eles, está a reforçar um comportamento que não é desejável.

Nestas situações deve-se ignorá-lo e não o premiar com nenhum tipo de comida, de forma a que ele se aperceba que aquele género de comportamento não é desejável.

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Comportamental – Ansiedade

Em cães que não são estimulados e que passam muito tempo sozinhos sem realizar exercício, a maior ingestão de comida pode funcionar como um escape de forma a se entreterem. Aqui, para além de se dispor de mais tempo para entreter e passear o cão, pode-se dar um brinquedo que contém comida lá dentro e que é necessário que o cão o abane e se esforce para conseguir que esta saia e comê-la, estimulando-o.

Também ocorre em casos onde há mais animais e que estes são vistos como rivais com interesse na mesma comida. Nestas situações, o cão vai devorar o que tem à frente de forma a garantir que não passa fome nos próximos tempos. Como solução, deve-se separar os animais na hora da refeição, colocando-os em locais resguardados e calmos, e a refeição também pode ser dada numa gamela com “obstáculos”, reduzindo a velocidade de ingestão.

Estes objetos encontram-se facilmente em petshops.

Sobrealimentação

Um dos grandes e atuais problemas de cães tidos como animais de estimação é a sua sobrealimentação. Há donos que acreditam que os seus cães apenas estão saudáveis se estiverem redondos, deixando comida ad libitum (à descrição) durante todo o dia a cães que por vezes não sabem quando hão-de parar.

Esta situação leva a casos de obesidade, de patologias cardíacas, de artrites por haver um sobrepeso nas articulações, assim como a uma esperança de vida mais curta. O médico veterinário pode indicar qual o tipo e quantidade de comida apropriada para essas situações.

Regra geral, um cão está com o peso certo quando as costelas e os ossos da coluna não são visíveis mas são palpáveis, com apenas uma pequena quantidade de gordura subjacente.

Polifagia

Consiste num excesso de fome e de ingestão de alimentos. Esta sim é um sinal clínico a valorizar. presente em variadas patologias tais como diabetes mellitus, insuficiência pancreática exócrina, hiperadrenocorticismo, doença inflamatória intestinal, síndrome de má absorção entre outros. Estas são condições que exigem intervenção médico-veterinária.

Em suma

Muitas vezes, a ideia de um cão sempre com fome traduz-se numa maior ingestão de alimentos por diversos motivos, pelo que deve-se sempre tentar assegurar que as suas necessidades nutricionais estão a ser cumpridas. Caso estas estejam a ser cumpridas e que mesmo assim ele continue aparentemente com fome, deve levá-lo ao médico veterinário para que a causa subjacente seja diagnosticada.

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