Drª Rita Campilho | Médica Veterinária
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08 Abr, 2019 - 14:00

Alimentação para gatos: conheça as necessidades nutricionais do seu gato

Drª Rita Campilho | Médica Veterinária

A alimentação para gatos é bastante complexa e contém certas especificidades derivadas da sua natureza.

Gato a comer a ração da tigela

A alimentação para gatos tem de ter em conta que estes têm necessidades alimentares diferentes das dos cães e podem desenvolver carências nutricionais quando alimentados com dietas formuladas para cães.

Os requerimentos nutricionais dos gatos variam consoante o seu tamanho e fase da vida em que se encontram. Uma boa compreensão de como os gatos usam os diferentes nutrientes da comida, ajudará numa melhor escolha da alimentação para gatos.

A ingestão de calorias tem de ser a suficiente para permitir o uso pleno das proteínas e para manter a condição corporal ideal durante o crescimento, manutenção, atividade, gravidez e lactação.

Os gatos são animais carnívoros, pelo que necessitam de certos nutrientes de fonte animal, como a vitamina A, o ácido araquidónico e a taurina.

Alimentação para gatos: necessidades nutricionais

ração para gatos
1.

Água

É o nutriente mais importante e sem esta, a morte pode ocorrer em pouco tempo. Água fresca e limpa deve estar sempre disponível durante todo o dia.

Os gatos não bebem tanta água como os cães, talvez por terem evoluído como animais de deserto. Em casos mais extremos, a baixa ingestão de água leva a um maior risco de desenvolvimento de pedras no trato urinário.

Esta tendência pode ser contrariada através da comida enlatada húmida ou então simplesmente molhando a comida seca.

2.

Proteínas

Sendo animais carnívoros, a alimentação para gatos baseia-se muito na proteína derivada do peixe, carne e outros produtos animais, sendo melhor digerida do que a de fonte vegetal.

As proteínas são compostas por cadeias de aminoácidos (cerca de 20), e há 10 aminoácidos que os gatos não conseguem sintetizar, chamados de essenciais. Esses têm de obrigatoriamente constar na alimentação para gatos pois caso contrário eles não têm outra forma de os obter.

Um deles é a taurina. Este aminoácido não é essencial nos cães pelo que não está presente nas suas rações, mas nos gatos é essencial e a sua ausência causa graves problemas clínicos, nomeadamente degeneração central da retina com cegueira e cardiomiopatia dilatada. Está abundantemente presente em carnes de peixe, aves e pequenos roedores.

As proteínas servem para que o organismo construa e regenere os tecidos, e desempenham uma função relevante nas reações químicas vitais. A maioria das dietas comerciais contém uma combinação de proteínas adequada a estas necessidades.

3.

Lípidos

Também designados por gorduras, são a principal fonte de energia e a maioria deriva de gorduras animais, óleos de sementes e plantas.

São fornecedores de ácidos gordos e transportam as vitaminas do grupo lipossolúvel (A, D, E e K), desempenhando funções na estrutura e função da célula.

Os ácidos gordos essenciais (novamente, aqueles que têm de ser fornecidos pela dieta) são necessários na saúde da pele e do pelo. Os da série do ómega-3 são conhecidos pelas suas propriedades anti-inflamatórias, como é o caso dos óleos de peixes de água fria, colza e linhaça.

Os gatos necessitam também de ingerir os da série do ómega-6, como o ácido linoleico e o ácido araquidónico, pois não são capazes de sintetizar nenhum destes dois, ambos fulcrais para certas reações metabólicas.

Quando os lípidos são ingeridos em excesso, o organismo não os utiliza como energia, acumulando-os e provocando ao final de algum tempo aumento de peso

Geralmente, com o aumento do conteúdo lipídico da dieta aumenta também a sua palatabilidade.

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4.

Hidratos de carbono

Embora os hidratos de carbono não sejam estritamente necessários na alimentação para gatos, eles providenciam uma abundante fonte de energia. As maiores fontes comerciais destes nutrientes nas comidas para gato são os cereais, legumes e outros derivados de plantas.

Devido ao facto de os gatos serem carnívoros, a sua capacidade de fermentar a maioria das fibras presentes nos hidratos de carbono é limitada pois o seu intestino grosso têm um comprimento curto. No entanto, há certos benefícios que advêm da sua suplementação controlada, nomeadamente a regulação do trânsito intestinal e a criação de um ambiente que favorece a sobrevivência de bactérias benéficas no trato gastrointestinal.

Os gatos têm também a capacidade de sintetizar glucose através de certos aminoácidos das proteínas, motivo pelo qual também não dependem tanto dos hidratos de carbono.

gato scottish fold a olhar na sala
5.

Vitaminas

São substâncias de composições químicas diversas que, embora sem valor energético, são indispensáveis ao equilíbrio fisiológico do organismo, ao qual são fornecidos através dos alimentos ou por via medicamentosa.

Os gatos não conseguem sintetizar certas vitaminas a partir dos seus precursores, pelo que precisam da presença dessas mesmas vitaminas diretamente na sua dieta.

Ao contrário da maioria dos mamíferos, os gatos não conseguem produzir vitamina A devido à falta de uma enzima. Como tal, requerem a suplementação desta, presente em fígado, óleos de fígado de peixe ou mesmo vitamina A sintética.

O mesmo se passa com a tiamina (vitamina B1), motivo pelo qual a maioria das dietas comercias corretamente preparadas de alimentação para gatos está suplementada com esta vitamina. Há, no entanto, uma enzima chamada tiaminase que está presente em peixe fresco não cozinhado que destrói a tiamina e leva a uma deficiência nesta vitamina. Essa enzima é destruída com a aplicação de calor no método de preparação da comida.

6.

Minerais

Consistem em substâncias naturais e inorgânicas, constituídas por um ou mais elementos. Nos gatos há doze que são considerados essenciais.

É importante haver um balanço correto entre as necessidades de minerais e a densidade energética da dieta. A suplementação mineral indiscriminada é de evitar pois há uma grande probabilidade de causar desequilíbrios no organismo, e as rações comerciais costumam conter as quantidades adequadas destes.

Dividem-se em macroelementos, necessários para o organismo em quantidades diárias elevadas, e oligoelementos, necessários em menores quantidades.

7.

Macroelementos

O cálcio e o fósforo estão relacionados pois a absorção de um, influencia o outro. Em dietas compostas maioritariamente por carne como fígado, peixe ou aves pode haver uma depleção de cálcio, o que leva à desmineralização do esqueleto e a problemas do sistema nervoso.

Já o excesso de magnésio, por exemplo, está implicado na formação de pedras no trato urinário.

O sódio, potássio e magnésio são necessários para a transmissão do impulso nervoso, contração muscular e no equilíbrio iónico celular.

conclusão

A alimentação para gatos é, portanto, algo complexa e as suas necessidades variam de acordo com o tamanho e a fase da vida (crescimento, envelhecimento, gestação, lactação, pós-castração, doentes…).

Informe-se junto do seu médico veterinário sobre qual a alimentação mais adequada para o seu gato em cada fase da vida de forma a poder contribuir para a sua saúde.

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