Psicóloga Ana Graça
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23 Dez, 2020 - 11:10

Baixa médica por depressão: será a depressão assim tão incapacitante?

Psicóloga Ana Graça

A baixa médica por depressão resume-se à comum baixa médica por doença. No entanto, é provocada pela doença que mais incapacita em todo o mundo.

Mulher de baixa médica por depressão

O termo baixa médica por depressão ou baixa psicológica é comummente usado, mas a que se refere realmente? Existe algum tipo de baixa médica específica para estas situações? Será a depressão assim tão incapacitante? Vamos tentar compreender!

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Em 2015 a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimava que, em todo o mundo, haveria mais de 300 milhões de pessoas com depressão. A OMS defendeu ainda, no mesmo ano, que a depressão é o maior contribuinte da incapacidade para a atividade produtiva, pelo que não é de admirar que ouçamos tantas vezes falar em baixa médica por depressão.

As perturbações mentais mais comuns, nas quais se inclui a depressão, levam a perdas consideráveis em saúde e no funcionamento pessoal.

Trata-se de um problema de saúde mental sério, comum, que causa enorme sofrimento e interfere largamente na rotina diária, na capacidade de trabalhar, dormir, estudar, comer e aproveitar a vida.

Os episódios depressivos podem variar na sua gravidade. É natural que em casos mais ligeiros exista alguma dificuldade em continuar determinados trabalhos e em manter algumas atividades sociais.

Em casos mais severos o prejuízo do funcionamento global é enorme e as pessoas afetadas podem sentir-se totalmente incapazes de manter atividades sociais, de trabalho ou domésticas. Mais ainda, há que ter em conta que em casos mais severos a depressão pode levar ao suicídio (cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano) (1, 2).

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Baixa médica por depressão: em que consiste?

Mulher deitada na cama com ar pensativo

Como vimos, a depressão é um problema de saúde mental comum, que se assume como a principal causa de incapacidade em todo o mundo, ou seja, são imensas as pessoas a quem a severidade da depressão sentida provoca incapacidade para a realização do trabalho habitual e demais atividades.

Portugal não é exceção, já que apresenta uma prevalência elevada de perturbações depressivas (cerca de um quinto dos portugueses apresenta ou já apresentou algum episódio depressivo ao longo da vida), o que representa altos custos humanos e financeiros (elevados e prolongados gastos com medicamentos; procura dos serviços de saúde; queda de produtividade) (3, 4).

Quando alguém apresenta uma perturbação depressiva, apresenta incapacidade para o trabalho e obtém do seu médico de família o certificado de incapacidade temporária é comum referir-se que está de baixa médica por depressão. Todavia, importa ressalvar que, nesta situação, as condições aplicadas são as de baixa médica por doença.

O certificado de incapacidade temporária é o documento passado pelo médico que confirma a incapacidade para o trabalho e que pode ser obtido junto dos serviços de saúde. Com este formulário é possível obter o subsídio por doença (apoio pago em dinheiro para compensar a perda de rendimentos do trabalhador que não pode trabalhar temporariamente por estar doente), bem como ver as ausências ao trabalho justificadas.

Assim sendo, apesar de comummente se designar por baixa médica por depressão a incapacidade para o trabalho provocada pela presença de um episódio depressivo, esta é solicitada e funciona nas mesmas condições de qualquer outra baixa médica, com qualquer outra doença/causa subjacente (5).

Não existe saúde sem saúde mental!

Mulher a fazer yoga

A saúde mental é uma componente fundamental do bem-estar. Os problemas de saúde mental afetam várias áreas da vida pessoal, familiar e profissional das pessoas. Mais ainda, viver com problemas de saúde continua a estar associado a um forte estigma e discriminação.

Apesar de existirem tratamentos eficazes conhecidos para a depressão, menos de metade das pessoas afetadas em todo mundo por esta doença recebe tais tratamentos. Os obstáculos ao acesso aos tratamentos são variados. Incluem a falta de recursos, a falta de profissionais treinados e o estigma social associado às doenças mentais.

O tratamento/seguimento adequado, acompanhamento, reabilitação e o apoio social àqueles que vivem com doença mental e seus familiares e cuidadores, é fundamental para que possam ter uma participação plena na sociedade, no mercado de trabalho e na sua vida familiar.

Se a depressão é uma realidade para si não ceda ao estigma/discriminação. Converse com alguém da sua confiança sobre os seus sentimentos e procure ajuda junto do seu profissional de saúde de referência (2, 3).

Fontes

  1. Direção-Geral da Saúde. (2017).DEPRESSÃO E OUTRAS PERTURBAÇÕES MENTAIS COMUNS. Disponível em: https://www.dgs.pt/ficheiros-de-upload-2013/dms2017-depressao-e-outras-perturbacoes-mentais-comuns-pdf.aspx
  2. Organização Pan-Americana da Saúde. Depressão. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/depressao
  3. Conselho Nacional de Saúde. (2019). Saúde mental em Portugal: um desafio para a próxima década. Disponível em: https://fronteirasxxi.pt/wp-content/uploads/2020/02/%E2%80%9CSem-mais-tempo-a-perder%E2%80%9D-CNS-2019.pdf
  4. Sousa, J. (2015). Epidemiologia, etiopatogenia, diagnóstico e tratamento farmacológico da depressão em Portugal. Disponível em: https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/5329/1/PPG_24560.pdf
  5. Instituto da Segurança Social, I.P. (2020). Guia Prático – Subsídio de Doença. Disponível em: http://www.seg-social.pt/documents/10152/24095/5001_subsidio_doenca/7eefa38c-22f9-4552-b291-f97b99d39c0c
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