Psicóloga Ana Graça
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04 Abr, 2018 - 15:32

Ansiedade de separação: quando o seu filho não lhe quer largar a mão

Psicóloga Ana Graça

O desenvolvimento infantil prevê etapas em que é expectável que a criança manifeste ansiedade ao afastar-se de quem lhe é mais próximo. Contudo, quando os medos são excessivos e persistentes e as preocupações estão presentes antes e no momento da separação, podemos estar perante um caso de ansiedade de separação. Saiba tudo.

Ansiedade de separação: quando o seu filho não lhe quer largar a mão
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O medo de estar separado dos pais é um medo típico em crianças pequenas e geralmente é passageiro. Contudo, algumas crianças continuam a sentir esse medo de forma muito intensa e persistente, a ponto de interferir com o seu bem-estar e com o bem-estar da sua família. Nesses casos, podemos estar perante um caso de ansiedade de separação.

Perturbação de ansiedade de separação

ansiedade de separacao e menino a chorar

O diagnóstico de perturbação de ansiedade de separação implica que a criança apresente medo e ansiedade (excessivos e inadequados face ao seu nível de desenvolvimento) relacionados com a separação daqueles a quem está vinculada.

A característica principal desta perturbação é portanto a presença de medo ou ansiedade excessivos relacionados com a separação de casa ou das pessoas com quem a criança tem a relação mais próxima.

Principais sinais e sintomas

crianca introvertida

Para o diagnóstico ser tido em consideração devem estar presentes alguns dos seguintes sinais e sintomas:

  • Mal-estar excessivo e recorrente que ocorre ou é antecipado à separação da casa ou das principais figuras de vinculação;
  • Preocupação excessiva e persistente pela possível perda das principais figuras de vinculação ou por possíveis males que possam acontecer a essas pessoas, tais como doenças, lesões, desastres ou morte;
  • Preocupação excessiva e persistente pela possibilidade de que um acontecimento adverso (perder-se; ser raptado; ter um acidente) possa levar à separação de uma importante figura de vinculação;
  • Relutância persistente ou recusa em sair de casa para a escola, para o trabalho, ou para outro local;
  • Relutância ou medo excessivo e persistente em estar em casa, ou noutras situações, sozinho ou sem as principais figuras de vinculação;
  • Relutância persistente ou recusa em dormir fora de casa ou em adormecer sem estar próximo de uma importante figura de vinculação;
  • Pesadelos repetidos que envolvem o tema da separação;
  • Quando está na presença dos pais não se afasta e age quase como se fosse a sombra deles;
  • Queixas repetidas de sintomas físicos (dores de cabeça; dores de estômago; vómitos) quando ocorre ou se antecipa a separação;
  • Medo do escuro ou outros medos;
  • Dificuldades em adormecer, obrigando à presença de uma pessoa perto;
  • Comportamentos de evitamento: recusa em ir à escola, a festas, a passeios da escola, dormir em casa de amigos;
  • Perguntas frequentes sobre se e quando a vão buscar à escola.

Como se comporta a criança nas situações de afastamento dos pais?

menina apatica e triste

Nas situações em que a criança com ansiedade de separação está longe dos pais mostra:

  • Apreensividade;
  • Afastamento social;
  • Apatia;
  • Tristeza;
  • Nostalgia;
  • Pouco à vontade;
  • Tem fantasias de reencontro e anseia por regressar o mais rapidamente possível a casa;
  • Ausência de comportamento de jogo ou brincadeira na criança mais pequena;
  • Dificuldades de concentração nas tarefas escolares na criança mais velha.

Como se comporta a criança nas situações em que antecipa o afastamento dos pais?

menina com dor de barriga

Nas situações em que a criança antecipa a separação dos pais é possível observar as seguintes situações:

  • Queixas físicas que resultam da elevada tensão em que se encontra (dores de estômago, dores de cabeça, palpitações, vómitos e  desmaios);
  • Pode tornar-se agressiva em relação à pessoa que no seu entender força a separação.

Consequência da ansiedade de separação

familia junta e feliz

A ansiedade de separação compromete o desenvolvimento da criança, sobretudo ao nível da aquisição de autonomia e de desenvolvimento de conhecimentos sobre o meio ambiente físico e social.

O desempenho escolar também pode sofrer, quer pelas dificuldades da criança em se concentrar nas tarefas em vez das preocupações, quer pelas faltas à escola.

A aquisição de competências interpessoais também pode estar comprometida, devido à menor interação com os colegas.

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A ansiedade de separação na infância é um fator de risco para o desenvolvimento de diversas perturbações de ansiedade, entre elas, a perturbação de pânico e também de perturbações de humor, na vida adulta.

Como resolver o problema da ansiedade de separação?

psicoterapeuta e crianca

Esta perturbação deve ser tratada o mais precocemente possível, para aliviar o grande sofrimento que implica para a criança, mas também para prevenir o agravamento do quadro clínico.

A avaliação da perturbação de ansiedade de separação é feita a partir da informação fornecida pela própria criança e pelos pais, mas também através da administração de instrumentos de avaliação psicológica.

A psicoterapia é a forma de intervenção indicada para tratar a perturbação de ansiedade de separação: a criança é ajudada a compreender os seus medos e adquire maior capacidade para expressar e lidar com os sentimentos negativos.

Em alguns casos, o recurso à terapia farmacológica pode ser necessário, de forma a melhorar os sintomas, diminuir o sofrimento e permitir que nas sessões de psicoterapia sejam desenvolvidos os recursos pessoais que vão garantir um maior equilíbrio emocional à criança.

Quando a medicação faz parte do tratamento é fundamental que seja tomada de forma adequada, de acordo com as indicações do médico que a prescreveu (pediatra, neuropediatra e pedopsiquiatra).

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