Nutricionista Margarida Beja
Nutricionista Margarida Beja
12 Mai, 2017 - 15:08

Gestão de peso e Alimentação na gravidez

Nutricionista Margarida Beja

O peso e alimentação na gravidez são fatores importantes para a saúde da mãe e do feto. Saiba como gerir a variação ponderal ao longo da gestação.

Gestão de peso e Alimentação na gravidez
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A alimentação na gravidez é de extrema importância para um normal período de gestação sendo que, se for saudável e adequada ao período de vida em causa, pode prevenir o aparecimento de possíveis complicações durante a gravidez e interferir diretamente na saúde do bebé.

O peso é um fator igualmente relevante e deverá ser monitorizado ao longo de todo o período de gestação, para prevenir eventuais complicações. O mesmo depende obviamente do padrão alimentar da grávida e a sua evolução deverá ter em conta o peso antes de engravidar.

Distribuição e aumento do peso na gravidez

aumento de peso na gravidez

O aumento de peso durante o período de gestação é fisiológico e natural.

Poderá acontecer diminuição do mesmo durante as primeiras semanas, devido aos enjoos ou alterações nesse sentido, no entanto, é suposta existir uma recuperação posterior.

O peso deve ser sempre controlado pelo obstetra e pelo nutricionista sendo que este último poderá dar indicações de como deverá ser feita a alimentação na gravidez, de acordo com o peso e todos os outros fatores inerentes à grávida e à sua evolução durante os 9 meses.

O aumento ponderal justifica-se com:

  • Formação da placenta;
  • Presença de líquido amniótico;
  • Crescimento do bebé;
  • Crescimento do tecido mamário;
  • Aumento da gordura de reserva;
  • Aumento do volume do útero e do sangue.

A crença de que a grávida deve comer por dois, pode favorecer o aumento de peso de forma excessiva, comprometendo a sua saúde e a do bebé.

O aumento de peso deve ser gradual e deve considerar-se o equilíbrio no sentido em que a grávida não deve ganhar peso a mais, nem a menos.

Ganho ponderal previsto na gestação

O aumento de peso previsto depende do índice de massa corporal (IMC) antes da mulher engravidar.

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Consoante esse fator, estão estipulados valores de peso previstos para cada trimestre, descritos na tabela seguinte (Institute of Medicine, 2009):

Estado nutricional antes da GestaçãoIMC antes da Gestação (kg/m2)Ganho ponderal durante a gestação (kg)Ganho de peso, por semana, no 2.º e 3.º Trimestres (kg)
Baixo peso<18,512,5-180,5
Peso adequado18,5-24,911-160,4
Excesso de peso25-29,97-11,50,3
Obesidade>305-90,2

Em caso de gravidez de gémeos prevê-se um aumento de peso total de 15,9 a 20,4 kg e um aumento de 0,7 kg por semana no 2.º e 3.º trimestres.

O ideal será ter acompanhamento nutricional antes engravidar, no sentido de atingir um peso saudável que permita uma gestação sem riscos e complicações associadas.

Consequências de mau controlo do peso

diabetes gestacional

Como foi referido anteriormente, a grávida não deverá ganhar peso a mais, mas também não deverá ganhar peso a menos do que está previsto.

Um inadequado ganho ponderal, superior ao expectável, traz complicações como:

  • Abortos espontâneos;
  • Malformações fetais;
  • Diabetes gestacional;
  • Pré-eclâmpsia;
  • Macrossomia fetal;
  • Peso elevado do bebé ao nascer, condicionando a sua saúde numa fase precoce;
  • Retenção de peso e falha do aleitamento materno após o parto.

Por outro lado, um aumento de peso insuficiente está associado a um atraso do crescimento intrauterino e mortalidade perinatal.

Alimentação na gravidez e controlo de peso

alimentacao na gravidez e controlo de peso

Ainda que não se recomende um aumento de peso excessivo, a gravidez não é a altura ideal para gerir o peso no sentido de o tentar perder ou fazer qualquer tipo de regime de emagrecimento.

Não só por questões de peso, a alimentação na gravidez tem um papel importante no normal decorrer da mesma, no sentido em que deverão ser assegurados os nutrientes necessários à grávida e ao bebé. A grávida não deve comer por 2, ainda que as necessidades energéticas estejam aumentadas durante este período.

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Deve privilegiar-se a qualidade dos alimentos e não tanto a quantidade, dando ênfase a uma dieta equilibrada e variada.

A alimentação na gravidez deve ser próxima de uma alimentação saudável, inclusive a mulher poderá  não necessitar de fazer grandes alterações alimentares se já tinha cuidados prévios.

Recomendações alimentares na gravidez:

  • Deve garantir a ingestão diária de cereais complexos, vegetais, fruta e consumir proteína nas porções devidas, nomeadamente carne, peixe, ovos, soja e outras leguminosas;
  • Os lacticínios não deverão ser excluídos e deverá escolher sempre ultrapasteurizados para evitar toxinfeções alimentares;
  • A alimentação deve ser fraccionada e deverá evitar estar mais de 3 horas sem comer;
  • Evite o consumo de alimentos com grande quantidade de gordura e procure fazer confecções simples como cozidos, grelhados, assados e estufados;
  • Mantenha-se hidratada: beba entre 2-3 litros de água por dia;
  • Opte por fruta da época e alimentos simples, com o menor grau de processamento e industrialização possível;
  • Se não tiver hipertensão ou outra complicação poderá beber café ou outros produtos com cafeína, ainda que em quantidades limitadas (200 mg/dia): máximo dois cafés por dia. Tenha em atenção bebidas energéticas, chás e chocolates;
  • Limite o consumo de lacticínios não pasteurizados, enchidos e e fumados, queijos frescos e mal curados, marisco e peixe cru, peixes como espadarte, tamboril ou tintureira, patês e ainda legumes ou frutas mal lavados;
  • Evite o consumo e adição de sal às refeições.

Quanto à suplementação na gravidez, a mesma é necessária para evitar malformações do feto e complicações durante e após a gestação.

Informe-se sempre com o seu médico e/ou nutricionista sobre o tipo de suplementação que deverá fazer.

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