Farmacêutica Cátia Rocha
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30 Nov, 2019 - 17:53

Conheça as diferenças entre alergia e intolerância

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A principal diferença entre alergia e intolerância é o envolvimento do sistema imunológico na alergia, ao contrário da intolerância.

bebidas vegetais espalhadas numa mesa

Uma intolerância caracteriza-se por uma reação adversa, reprodutível, que ocorre após a exposição a um determinado alergénio, mas que ao contrário da alergia alimentar não envolve o sistema imunológico

A principal diferença entre alergia e intolerância é o envolvimento do sistema imunológico na alergia, ao contrário da intolerância, em que geralmente estão envolvidos défices nos mecanismos enzimáticos.

A alergia é a resposta excessiva do sistema imunológico aos alergénios, partículas estranhas ao organismo mas habitualmente inócuas.

Esta resposta concreta do organismo pode ser devida a alimentos (por exemplo, leite, ovo, peixe) ou alergénios respiratórios, como pós ou ácaros. Trata-se de uma resposta que se desenvolve em minutos ou em poucas horas.

As reacções de intolerância podem manifestar-se clinicamente da mesma forma que as alergias. Contudo, estas reações são desencadeadas por outros mecanismos que não implicam directamente o envolvimento do sistema imunológico. Podem estar envolvidos mecanismos enzimáticos, farmacológicos ou outros, ainda desconhecidos.

A intolerância à lactose é um exemplo desta condição, que se caracteriza pela incapacidade do organismo de digerir a lactose, um açúcar naturalmente presente no leite, devido a deficiência ou mesmo ausência das enzimas (lactases) necessárias à sua digestão.

As manifestações da intolerância à lactose incluem diarreia, flatulência e dor ou desconforto abdominal, quando o doente ingere leite e derivados.

Como se diagnostica a alergia e intolerância?

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O diagnóstico inicia-se pela colheita da história clínica detalhada do doente que evidencie a relação entre o contacto com o alergénio e a ocorrência dos sintomas.

Após a identificação dos alergénios suspeitos são efetuados testes cutâneos de alergia e/ou determinações de IgE (imunoglobulinas E) específicas no sangue.

É fundamental que o diagnóstico de alergia alimentar seja estabelecido por Imunoalergologista. A interpretação dos resultados dos testes exige experiência e perícia.

Para o estabelecimento do diagnóstico definitivo de alergia, poderá ser necessária a realização da prova de provocação oral (PPO) que consiste na ingestão de quantidades crescentes do alimento suspeito. Nas intolerâncias alimentares, a PPO é o único método atualmente disponível que permite confirmar o seu diagnóstico. A execução desta prova não é isenta de riscos, devendo ser sempre efetuada por imunoalergologista experiente, em ambiente hospitalar, e sujeita a uma vigilância de pelo menos 2 horas após a sua realização, para as reações imediatas.

Quais são os principais alimentos envolvidos na alergia alimentar

mix de frutos secos

As alergias alimentares mais comuns são ao leite de vaca, ovo, amendoim e frutos de casca rija, como as nozes (conhecidos por “frutos secos”), peixe, marisco, trigo e soja, sendo estes alimentos responsáveis por 90% das reações.

Embora com menos frequência, alguns indivíduos são alérgicos a mais do que um alimento, sofrendo portanto de alergia alimentar múltipla.

Em alguns casos, para além dos alimentos diretamente implicados nas reações alérgicas, ocorrem manifestações perante a exposição a outros alergénios alimentares ou mesmo a alergénios respiratórios. Este fenómeno designa-se reatividade cruzada e surge devido às semelhanças estruturais moleculares entre os alergénios.

Por exemplo, a alergia ao marisco, nomeadamente ao camarão, está associada à alergia a ácaros; a alergia a pólen de gramíneas pode estar associada a sensibilização ao tomate.

Quais são as causas mais comuns da intolerância alimentar

Mulher com sensibilidade ao glúten

Na origem da intolerância alimentar, poderão estar alguns hidratos de carbono presentes nos alimentos, quando o organismo sofre de uma deficiência ou diminuição da actividade enzimática, que impede a sua metabolização eficaz. Podem ocorrer como:

  • Defeitos raros congénitos, tais como deficiências de sacarase, isomaltase ou lactase, observadas nos recém-nascidos
    Formas generalizadas secundárias a doenças (como acontece na doença de Crohn e na doença Celíaca), que danificam o epitélio intestinal, provocando uma redução na produção de lactase
  • Forma geneticamente adquirida (deficiência de lactase), a mais comum, que usualmente aparece após a infância, mas pode aparecer até aos 2 anos de idade. Há redução da produção de lactase com o avançar da idade

O desenvolvimento de intolerância está dependente da quantidade. Quando a quantidade de exposição ao alergénio ultrapassa o conforto da pessoa, esta passa a ter sintomas. Portanto, uma pessoa poderá ser intolerante e não apresentar sintomas.

Em que consiste o tratamento da alergia e intolerância

como baixar a tensao arterial auxilio no tratamento

O tratamento da alergia e intolerância alimentares baseia-se, atualmente, no tratamento dos episódios agudos provocados pela ingestão e na identificação e eliminação dos alimentos, ingredientes, aditivos alimentares ou alergénios respiratórios responsáveis pela ocorrência dos sintomas.

Para o tratamento do episódio agudo, o doente é ensinado a transportar sempre consigo medicamentos como anti-histamínicos, broncodilatadores e corticóides. Se existe risco de anafilaxia – reação alérgica mais grave, que pode resultar em dificuldade respiratória, perda de consciência ou mesmo morte se não for imediatamente tratada – deve ser prescrito dispositivo de adrenalina para auto-administração.

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