Vício em videojogos pode ser uma perturbação psiquiátrica?

A Organização Mundial de Saúde vai incluir o vício em videojogos na lista internacional de doenças do foro psiquiátrico. Fique a conhecer melhor esta patologia.

Vício em videojogos pode ser uma perturbação psiquiátrica?
8 a 13% dos jogadores sofrem desta perturbação.

A Organização Mundial de Saúde tornou o vício em videojogos oficialmente uma categoria diagnóstica. A dependência de videojogos passa assim a ser considerada uma perturbação psiquiátrica, indo de encontro ao que era solicitado já há algum tempo por especialistas da área da saúde mental. Esta classificação facilita o diagnóstico e o tratamento desta patologia.

Em alguns países asiáticos (por exemplo, na China e na Coreia do Sul) a realidade do vício em videojogos é bem mais alarmante e visível, sendo já considerado um problema de saúde pública. Esta realidade parece estar a alastrar-se, gradualmente, a outros países e continentes.

Mas afinal, em que consiste o vício em videojogos?


vicio em videojogos

Há muito que era discutida e levantada a hipótese dos videojogos darem origem a distúrbios patológicos altamente prejudiciais à saúde, hipótese que agora é reconhecida. O vício em videojogos passa a integrar a categoria das perturbações devidas a comportamentos aditivos.

Vários estudos têm vindo a apontar a necessidade urgente de reconhecer o vício em videojogos como patologia mental. Estas investigações mostram que o estímulo para jogar pode ser tão forte como a nicotina e outras drogas.

O vício em videojogos é caracterizado por um padrão de comportamento de jogo contínuo ou recorrente (jogos digitais ou videojogos), que pode ser online (ou seja, pela Internet) ou offline, em que a pessoa manifesta:

  • Evidente falta de controlo sobre o comportamento, a frequência, a intensidade, a duração e o contexto em que joga;
  • Significativo aumento da prioridade dada aos jogos em detrimento de outros interesses (o jogo tem precedência sobre todos os outros interesses e atividades diárias);
  • Manutenção do comportamento de jogo, ou escalada do mesmo, apesar da ocorrência de consequências negativas.

Para que o distúrbio de vício em videojogos seja diagnosticado é necessário que o padrão de comportamento seja suficientemente severo para causar prejuízo significativo em diferentes áreas de funcionamento (pessoal; familiar; social; educacional; ocupacional; ou outras áreas importantes). A procura da adrenalina associada ao jogo parece, de facto, pôr em risco o emprego, as relações sociais e familiares, provocar isolamento e pouca disponibilidade afetiva.

Para se considerar este diagnóstico o comportamento aditivo deve ser evidente pelo menos por um período de 12 meses. Todavia, pode-se aplicar este diagnóstico a durações menores desde que todos os requisitos de diagnóstico estejam cumpridos e caso os sintomas seja severos.

O meu filho joga videojogos. Devo ficar preocupado?


criancas a jogar

Aquilo que os estudos sugerem é que o vício em videojogos afeta apenas uma pequena parte das pessoas que se envolvem em atividades de jogos digitais ou de videojogos.

Todavia, as pessoas que se envolvem neste tipo de jogos, ou os adultos que por elas são responsáveis, devem estar muito atentas à quantidade de tempo que é despendida nestas atividades, especialmente quando se começa a verificar que todas as outras atividades que até aí tinham interesse passam a ser excluídas em detrimento dos jogos.

Deve também ser prestada atenção a quaisquer mudanças ao nível da saúde física ou psicológica e ao nível do funcionamento social que possam advir do padrão de comportamento de jogo.

Surgem cada vez mais pais preocupados por não saber como ajudar os filhos que se isolam, começam a negligenciar a escola e vivem exclusivamente para os videojogos. Os pais não devem desvalorizar este padrão de comportamento. Devem conversar seriamente com os seus filhos, perceber a origem do problema, alertar para os perigos e, sempre que se mostre pertinente, devem procurar ajuda do médico de família e de um especialista na área da saúde mental.

Por outro lado, os pais não devem ficar excessivamente alarmados. É possível que os seus filhos tenham uma relação saudável com videojogos, afinal esta perturbação afeta apenas uma pequena proporção de pessoas que se dedicam a jogos digitais ou videojogos.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!

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