Dores menstruais agudas: quando são sinal de doença?

As dores menstruais agudas surgem em algumas mulheres em idade fértil e traduzem-se numa dor pélvica que ocorre antes ou durante o período menstrual.  A dor tende a alcançar a intensidade máxima 24 h após o início da menstruação e diminuir após 2 a 3 dias. É essencial perceber as causas desta dor e o respetivo tratamento.

Dores menstruais agudas: quando são sinal de doença?
Causas e tratamento para dores menstruais agudas.

As dores menstruais fazem parte da vida de muitas mulheres em idade fértil. A intensidade desta dor varia muito de pessoa para pessoa, sendo que algumas mulheres sentem dores menstruais agudas e até incapacitantes.

Estima-se que entre 25% e 60% das mulheres sofrem desta perturbação e que entre 1% e 15% dos casos apresentam dor com maior intensidade, designada por dismenorreia grave.

Esta dor normalmente é lancinante (em pontadas agudas), mas pode ser dor em cólica, latejante ou constante, podendo irradiar-se para as pernas. É por norma sentida na parte inferior do abdómen.

SINTOMAS ASSOCIADOS ÀS DORES MENSTRUAIS AGUDAS


dor de cabeca aguda

A dor pode vir acompanhada por variados outros sintomas:

  • Náuseas e vómitos;
  • Fadiga;
  • Diarreia;
  • Dores de cabeça;
  • Dores na zona inferior da coluna;
  • Tonturas;
  • Dores nas pernas;
  • Ansiedade;
  • Irritabilidade;
  • Inchaço.

Em alguns casos, para além dos sintomas, ocorre a expulsão de coágulos de sangue ou moldes endometriais durante a menstruação.

QUAIS AS CAUSAS PARA AS DORES MENSTRUAIS AGUDAS?


dores menstruais agudas

As causas podem dividir-se essencialmente em 2 grupos:

  • Primárias (mais comuns);
  • Secundárias (decorrentes de alterações pélvicas).

A dor menstrual primária acontece sem uma causa ou doença subjacente e ocorre quando se manifesta como uma dor aguda ou convulsiva na zona inferior do abdómen.

Habitualmente, ocorre em mulheres dos 17 aos 25 anos e é pouco comum em idades posteriores ou depois de terem tido filhos.

Esta tende a permanecer durante toda a vida da mulher, embora normalmente diminua com a idade.

Na secundária os sintomas são decorrentes de alterações pélvicas e desaparecerão após o tratamento destas alterações. Causas comuns incluem:

  • Endometriose (a causa mais comum) – uma doença na qual o tecido semelhante ao do endométrio se instala fora do útero, geralmente noutros órgãos genitais, dentro da pélvis ou na cavidade abdominal, provocando frequentemente dores pélvicas crónicas;
  • Mioma – tumores uterinos benignos (de origem não cancerígena) que causam sangramento uterino anormal, dor e pressão pélvica.

 

QUAL O TRATAMENTO PARA AS DORES MENSTRUAIS AGUDAS?


medicacao analgesica

O tratamento das dores menstruais secundárias passam, obrigatoriamente, pelo tratamento da causa subjacente. Se existir uma patologia ginecológica, esta deve ser diagnosticada e tratada.

Assim, mulheres dores menstruais primárias devem ser tranquilizadas sobre a ausência de distúrbios ginecológicos estruturais.

1. Tratamento não farmacológico

O tratamento sintomático começa com repouso e sono adequados e exercício físico regular.

Como na maioria das patologias, a alimentação tem também um papel importante no seu tratamento. Uma dieta pobre em gordura e rica em ácidos gordos ómega-3, linhaça, magnésio, vitamina E, zinco e vitamina B1 são potencialmente eficazes.

2. Tratamento farmacológico

Se a dor persistir, os anti-inflamatórios não esteróides são os melhores aliados (o ibuprofeno é habitualmente eficaz neste sentido). Em geral, iniciam-se os 24 a 48 h antes, sendo mantidos por 1 a 2 dias após o início da menstruação.

Quando a terapêutica anti-inflamatória não é suficiente, a supressão da ovulação com um contracetivo oral de baixa dosagem é, em muitos casos, útil na resolução dos casos de dores menstruais agudas.

Em suma, alguns anti-inflamatórios podem ajudar a aliviar estes sintomas mas, por vezes, o tratamento hormonal (contracetivos, vulgar pílula) pode ser necessário e eficaz.

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Farmacêutica Cátia Rocha Farmacêutica Cátia Rocha

Cátia Rocha é farmacêutica. Como apaixonada pela profissão, acredita na importância da educação para a saúde e num papel interventivo dos profissionais de modo a transmitir conhecimentos que considera importantes e fundamentais para o bem-estar da população. É Mestre em Ciências Farmacêuticas pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte e exerce atualmente o cargo de farmacêutica na Farmácia Agra.

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