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5 coisas que pode não saber sobre a dieta cetogénica

Apesar de muito aclamada atualmente, há algumas coisas que pode não saber sobre a dieta cetogénica e que podem condicionar a sua decisão. Saiba quais!

 
5 coisas que pode não saber sobre a dieta cetogénica
Hábitos alimentares terão de ser totalmente reformulados

A dieta cetogénica é uma estratégia alimentar muito utilizada atualmente para emagrecer, mas há algumas coisas que pode não saber sobre a dieta cetogénica e que vamos esclarecer ao longo deste artigo.

Em termos gerais, baseia-se na restrição severa dos hidratos de carbono com concomitante aumento na ingestão de gordura.

O conceito é simples: ao privar o organismo de hidratos de carbono, força-o a utilizar a gordura como fonte energética. Como consequência, o fígado é forçado a transformar os ácidos gordos nos chamados corpos cetónicos, sendo este estado denominado de cetose. Desta forma, ocorre uma perda de peso considerável de forma rápida.

Nesta dieta a ingestão de hidratos de carbono ronda as 20-50g/dia, o que corresponde a cerca de 5% do valor energético total da dieta. Repare que 20 gramas de hidratos de carbono correspondem apenas à quantidade existente numa peça de fruta (aproximadamente) ou a menos do que um pão.

Outro aspeto importante que é necessário salientar é que esta dieta, ao contrário de outras com baixo teor de hidratos de carbono, não pode ser hiperproteica, visto que o excesso de proteína pode condicionar a entrada do organismo em cetose (1).

Benefícios da dieta cetogénica para emagrecer


coisas que pode não saber sobre a dieta cetogénica

Um dos maiores benefícios da dieta cetogénica no emagrecimento é levar o organismo a segregar menos insulina.

Como a insulina é uma hormona que reduz a capacidade de o organismo utilizar os ácidos gordos como energia e promove a acumulação de gordura, baixos níveis de insulina potenciam um emagrecimento rápido e entusiasmante.

Outro efeito favorável da na gestão do peso tem sido atribuído ao efeito saciante induzido por esta dieta, cuja consequência é a redução da ingestão alimentar. Nestes casos, como a ingestão de hidratos de carbono é muito baixa, não se verificam grandes flutuações de glicose nem de insulina no sangue.

Numa dieta hipocalórica convencional, os níveis de grelina (uma das principais hormonas responsáveis pela sensação de fome) aumentam durante o período de restrição, o que não parece acontecer numa dieta cetogénica.

Apesar do benefício no possível emagrecimento, há coisas que pode não saber sobre a dieta cetogénica e que deve esclarecer antes de iniciar esta abordagem dietética (2).

5 Coisas que pode não saber sobre a dieta cetogénica


coisas que pode não saber sobre a dieta cetogénica

1. O teor de proteína é baixo

Como já referido, o teor de proteína desta dieta é baixo, por isso se para atenuar a restrição de hidratos de carbono estava a pensar compensar com um aumento da ingestão de carne, peixe ou ovos, pode esquecer essa ideia.

Portanto, embora haja espaço para carne / peixe, seu foco principal é a gordura, como manteiga, azeite e óleo de coco. E ainda não está claro se não haverão riscos para a saúde a longo prazo de ingerir quantidades tão elevadas de gordura diariamente, especialmente gordura saturada.

2. Pode provocar obstipação

Ao evitar alimentos como cereais integrais, leguminosas e fruta da sua dieta, estará a ingerir um teor de fibra muito baixo, que pode potenciar a obstipação.

3. Em quantidades excessivas, os corpos cetónicos podem ser nocivos para a saúde

A dieta cetogénica foi inicialmente considerada para o tratamento da epilepsia e não propriamente para o emagrecimento.

Em elevadas quantidades, os referidos corpos cetónicos podem acumular-se no organismo e tornar-se tóxicos, uma condição denominada de cetoacidose, que ocorre com muita frequência em diabéticos tipo 1, mas raramente em indivíduos saudáveis.

Além da cetoacidose, uma condição que pode ser fatal, a utilização da dieta cetogénica para emagrecer pode acarretar outros perigos para a saúde, nomeadamente sobrecarga e disfunção renal, problemas cardiovasculares, tonturas, fraqueza, hipoglicemia, halitose e complicações gastrointestinais.

Por norma, estes efeitos colaterais manifestam-se nas primeiras duas semanas, em que o organismo ainda se está a habituar a este novo paradigma de dieta. Como tal, uma sugestão é cortar gradualmente nos hidratos de carbono, de forma a preparar o organismo para a dieta.

Acima de tudo, esta dieta não deve ser realizada durante muito tempo e nunca deve ser praticada sem a supervisão de um especialista.

4. Pode isolá-lo socialmente

Sendo uma dieta tão desafiante a nível nutricional, pode ser socialmente difícil de acompanhar, em jantares fora, festas e outros convívios.

5. O peso perdido nem sempre é de qualidade

Sendo “emagrecer” perder massa gorda, será que esta dieta é realmente eficaz para o emagrecimento? E será que é eficaz a longo prazo?

Comecemos pela eficácia: a evidência demonstra que na maioria dos casos, os resultados são frustrantes, principalmente a longo prazo, pois devido às restrições acentuadas, a adesão tende a ser cada vez menor com o passar do tempo.

Em segundo lugar importa referir que o maior componente do peso perdido nesta dieta não corresponde à gordura, mas sim a líquidos.

Esta perda de líquidos é resultante da depleção das reservas de glicogénio (cada grama de glicogénio conduz ao armazenamento de 3g de água) e da diminuição dos níveis de insulina, fator que favorece uma maior excreção de sódio e água.

Além disso, há também uma perda de massa muscular associada, que parece ser mais elevada do que noutras dietas restritivas. Para minimizar este impacto, torna-se fundamental a prática de exercícios de força e a ingestão da máxima quantidade de proteína permitida.

No entanto, claro que também ocorre uma perda de gordura, sendo esta perda mais rápida e evidente do que com regimes hipocalóricos convencionais (1).

Em suma…


Concluindo, a dieta cetogénica é uma abordagem bastante restritiva, dificilmente compatível com uma vida social saudável e não é isenta de perigos para saúde. Além disso, a qualidade de peso perdido nem sempre é a melhor.

Como tal, deve ser bem planeada e acompanhada de perto por um profissional qualificado e deve pensar muito bem antes de iniciar este tipo de regime alimentar, considerando que uma futura transição para uma dieta convencional pode deitar por terra todos os resultados alcançados.

Veja também:

Fontes

1. Sally Kuzemchak et al, 2019. “7 Things You May Not Know About the Keto Diet”. Disponível em:
https://blogs.webmd.com/food-fitness/20190514/7-things-you-may-not-know-about-the-keto-diet

2. Paoli A et al, 2014. “Ketogenic diet for obesity: friend or foe?”. Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24557522

Nutricionista Rita Lima Nutricionista Rita Lima

Rita Lima é nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto em 2016 e frequentou o Curso de Nutrição no Desporto na mesma faculdade. É membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas.

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