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Alzheimer: o que é, tipos, sintomas, diagnóstico

A doença de Alzheimer é um problema de saúde pública que afeta principalmente indivíduos idosos. Saiba quais os tipos e os principais sintomas.

 
Alzheimer: o que é, tipos, sintomas, diagnóstico
A idade é o principal fator de risco

Alzheimer é uma doença progressiva. Isso significa que, gradualmente partes do cérebro ficam deterioradas perdendo as suas funções ou capacidades.

Em 2018, existiam cerca de 50 milhões de pessoas com demência em todo o mundo. Face ao panorama atual em que existe um número elevado de pessoas que vivem para lá dos 65 anos de idade, prevê-se que este número possa duplicar a cada 20 anos e venha a atingir cerca de 150 milhões em 2050 (1).

Demência: o que é e como se desenvolve?


mulher com doença de Alzheimer

Nos critérios atuais do Diagnostic and Statistical Manual and Mental Disorders (DSM-5), o termo “Demência é substituído por “Perturbação Neurocognitiva”.

Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), demência é uma síndrome causada por doença cerebral, geralmente progressiva:

  • Que afeta a memória e uma ou mais funções cognitivas superiores, como o pensamento abstrato, a orientação, compreensão, cálculo, aprendizagem, linguagem e juízo;
  • Sem alterações ao nível da consciência;
  • Em geral afeta o controlo emocional, comportamento social ou motivação;
  • Geralmente afeta as atividades de vida diária.

A demência desenvolve-se quando o cérebro é danificado por doenças, incluindo a doença de Alzheimer.

Mas como é que isso acontece?

O cérebro é composto por bilhões de células nervosas que se conectam. Na doença de Alzheimer, as conexões entre essas células são perdidas. Isso ocorre porque as proteínas acumulam-se e formam estruturas anormais chamadas placas e tranças fibrilares, as células nervosas morrem e o tecido cerebral é perdido.

Paralelamente, o cérebro também contém substâncias químicas importantes que ajudam a enviar “sinais entre as células”. Indivíduos com Alzheimer têm menos desses “mensageiros químicos” no cérebro o que faz com que os sinais também não sejam transmitidos provocando alterações ao nível do funcionamento global da pessoa (2).

Alzheimer: tipos


Existem dois tipos diferentes de Doença de Alzheimer (3):

  • Doença de Alzheimer esporádica é a forma mais comum e pode afetar adultos de qualquer idade, mas ocorre habitualmente após os 65 anos. Afeta indivíduos que podem ter ou não, antecedentes familiares da doença.
  • Doença de Alzheimer Familiar é uma forma menos comum. É transmitida de uma geração para outra. A probabilidade de um filho herdar um gene mutado do progenitor é de 50%.

 

Alzheimer: fatores de risco


Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer é a forma mais frequente de demência em idosos. É uma doença neurodegenerativa que se caracteriza pela morte neuronal em determinadas partes do cérebro, com algumas causas ainda por determinar.

Fatores como a história familiar, a genética influenciam o desenvolvimento de Alzheimer mas o fator de risco mais importante para o desenvolvimento de Alzheimer é a idade (4).

A  Doença de Alzheimer ocorre de diferentes formas clínicas. Inicialmente, a principal característica da doença de Alzheimer é o comprometimento de memória episódica, ou seja, a memória para eventos autobiográficos como, por exemplo, dificuldade em lembrar-se de factos recentes, repetição de perguntas e perda de objetos pessoais. Por vezes, apenas começa como um comprometimento cognitivo leve amnéstico, não havendo ainda comprometimento funcional.

A dificuldades para realizar atividades funcionais da vida diária e os sintomas comportamentais são bastante prevalentes, sobretudo a apatia, depressão e agitação psicomotora. Com o avançar da doença há dificuldades em realizar atividades básicas da vida diária, o indivíduo torna-se incapaz de realizar a sua própria higiene pessoal, de alimentar-se ou vestir-se (4).

 Sinais e sintomas de Alzheimer


Para a maioria das pessoas, os primeiros sinais da doença de Alzheimer são sobretudo, problemas de memória, dificuldades para recordar eventos recentes e aprender novas informações. No entanto, nos estágios iniciais, a memória do indivíduo para eventos passados não costuma ser afetada. Isto porque no início da doença de Alzheimer o dano geralmente ocorre em uma parte do cérebro chamada hipocampo.

Mas qual o papel do hipocampo? Este tem uma grande importância na memória do dia a dia.

À medida que a doença de Alzheimer progride, são vários os problemas que vão surgindo com deterioração progressiva.

Vamos ver alguns deles por área/função (34).

1. Problemas de memória

Os problemas de memória são os que afetam mais a vida diária. Alguns dos sinais são:

  • Perder objetos (como chaves, óculos, etc.) pela casa;
  • Não saber em que data ou estação do ano está;
  • Esquecer o nome de um amigo ou dificuldade para encontrar a palavra certa no decorrer de uma conversa;
  • Esquece-se do que falou ou de eventos recentes, compromissos ou datas significativas;
  • Perder-se em um local familiar.

2. Problemas de pensamento, raciocínio, linguagem ou percepção

Aparecem problemas de pensamento, raciocínio, linguagem ou perceção, como:

  • Discurso é repetido ou dificuldade em seguir uma conversa;
  • Concentração, planeamento ou organização – dificuldades em tomar decisões, resolver problemas ou realizar uma sequência de tarefas (como cozinhar uma refeição);
  • Orientação – ficam muito confusos ou perdem a noção do dia ou da data ou hora.

 

mulher que sofre com a doença de Alzheimer

3. Alterações de humor

As alterações de humor também são muito comuns:

  • Também são características em estágios iniciais alterações de humor como ficarem muito ansiosos, deprimidos ou mais facilmente irritados;
  • Perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas;
  • Alterações comportamentais sendo que à medida que a doença progredi são frequentes as alucinações ou ilusões visuais (começam a ouvir e ver coisas que efetivamente não existem ou a acreditar em coisas falsas como alguém que as está a roubar) e a atividade delirante, agitação, agressividade, gritar, repetir a mesma pergunta e perturbações de sono.

Nos estágios mais avançados da Doença de Alzheimer podem existir, dependendo do indivíduo:

  • Menor consciência;
  • Dificuldades em comer ou andar sem ajuda;
  • Dependência, precisando de ajuda com todas as suas atividades diárias.

Alzheimer: fatores protetores


Segundo a Alzheimer´s Society, a rapidez com que a doença progride e a expectativa de vida de alguém com Alzheimer varia de entre os diferentes indivíduos dependendo principalmente da idade de início da doença. Em média, as pessoas com doença de Alzheimer vivem de 8 a 10 anos após os primeiros sintomas (2).

O fator idade é o principal para o desenvolvimento do Alzheimer mas, como vimos, outros fatores que influenciam são a história familiar, genética e saúde física em geral.

Assim, manter os indivíduos com Doença de Alzheimer ativos não só através de exercício físico, mas também mentalmente e socialmente pode ajudar a reter algumas competências por mais tempo. Para estas um profissional da área pode ajudar.

Diagnóstico e tratamento


O diagnóstico precoce parte de uma boa avaliação clínica com recurso a baterias de avaliação, exames neurológicos e exames complementares, laboratoriais e de neuroimagem como a ressonância magnética (RM) e a Tomografia por Emissão de Positrões (PET) pelo que é importante recorrer a médicos especialistas (Psicólogo Clínico/Neuropsicólogo, Psiquiatra) (2).

Não existe uma cura para a Doença de Alzheimer. A intervenção farmacológica é usada, muitas das vezes, para tratamento sintomático. Numa fase inicial, a estimulação neurocognitiva é também usada com objetivo, por exemplo, de retardar o avanço da deterioração cerebral (2).

À medida que o Alzheimer progride, os problemas tendem a agravar pelo que, tanto o indivíduo que tenha Doença de Alzheimer como os familiares/cuidadores, devem ter apoio.

Veja também:

Fontes

1. World Alzheimer Report. (2018). The state of the art of dementia research: New frontiers. Alzheimer’s Disease International (ADI), London.
2. Alzheimer´s Society: Alzheimer Disease. Consultado a 20 de novembro de 2019. Disponível em: https://www.alzheimers.org.uk/about-dementia/types-dementia/alzheimers-disease
3. Associação Portuguesa de Familiares e Amigos do doentes de Alzheimer (2019). A Doença de Alzheimer. Consultado a 20 de novembro de 2019. Disponível em: http://alzheimerportugal.org/pt/text-0-9-30-14-a-doenca-de-alzheimer
4. Parmera, J., & Nitrini, R. (2015). Demências: da investigação ao diagnóstico. Revista de Medicina, 94(3), 179-184. Doi: https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v94i3p179-184 

Psicóloga Carolina Pinheiro Psicóloga Carolina Pinheiro

Psicóloga Clínica, membro efetivo da Ordem dos Psicólogos (CP n.º 22212). Licenciada em Psicologia e Saúde Mestre em Psicologia Clínica pelo Instituto Universitário Ciências da Saúde. Formada em Hipnose Clínica e Programação Neurolinguística com especialização avançada em Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica da Infância à Idade Adulta pelo Instituto CRIAP. Exerce atividade em contexto Universitário no Instituto Universitário Ciências da Saúde, em contexto Hospitalar, no Hospital da Luz e em clínica privada.

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