Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
10 Ago, 2020 - 09:15

Universidade do Porto cria robô para desinfetar ar e superfícies

Mónica Carvalho

O RADAR foi desenvolvido pelo INESC TEC e pela FEUP e apresenta uma eficiência até 99,9%. O sistema já foi testado no Hospital de Valongo.

Corredor de hospital

Chama-se RADAR e trata-se de um sistema robotizado para desinfeção de ar e de superfícies contaminadas com COVID-19. O Robô já foi testado com sucesso, no Hospital de São Martinho, em Valongo, tendo-se demonstrado uma eficácia de 99,9%.

O robô percorreu sozinho salas e corredores do bloco operatório do hospital, monitorizando a presença de pessoas no local. No teste, por razões de segurança, foram utilizadas lâmpadas fluorescentes, mas em condições reais o robô utilizará várias lâmpadas UVC (germicidas).

O robô começou a ser preparado em maio pelo Centro de Robótica Industrial e Sistemas Inteligentes (CRIIS) do INESC TEC (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência), em parceria com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Participam ainda no projeto o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) e o Hospital de São Martinho, em Valongo,

O projeto contou com um financiamento de 29 mil euros da Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do concurso Research 4 COVID-19.

Como pode um robô ser tão eficiente?

“O robô segue um circuito pré-mapeado, deslocando-se aos sítios que estão previamente definidos. Antes de ligar as lâmpadas ultravioletas, que vão permitir a desinfeção do espaço, o robô utiliza dois sensores para verificar se a divisão está vazia e emite um sinal sonoro. O procedimento é então iniciado e realizado de forma autónoma”, destaca António Paulo Moreira, coordenador do CRIIS/INESC TEC e professor na FEUP.

O aparelho possui uma interface gráfica que permite ver e alterar as rotas e a respetiva posição. Por sua vez, os sensores existentes, um de movimento e um de calor, param a desinfeção quando são detetadas pessoas e, nesse momento, a quantidade e potência das lâmpadas UVC são ajustáveis.

É isto que permite um alto grau de eficiência, de até 99,9%, o que permite prevenir e reduzir a transmissão de doenças infeciosas causadas por microrganismos.

Quando comparado com uma desinfeção convencional, o RADAR, apresenta várias vantagens:

  • Permite reduzir a exposição das pessoas a produtos tóxicos e corrosivos
  • Não deixa resíduos químicos
  • Não precisa de tocar nos objetos para desinfetar
  • Não acelera o processo de corrosão em metais
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