Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
04 Ago, 2020 - 11:57

Estudo revela que a COVID-19 aumentou sintomas de burnout parental

Mónica Carvalho

Pais afirmam que o confinamento e o isolamento social levou a um aumento dos sintomas de burnout parental.

Mãe a sofrer de burnout parental

Um estudo realizado por investigadoras da Universidade de Coimbra e do Porto revela que 19% dos pais e 31% das mães participantes (num total de 488 pessoas) afirmaram que o “confinamento à habitação e o isolamento social causaram um aumento dos sintomas de burnout parental, com impacto negativo nos seus comportamentos em relação aos filhos, relatando mais práticas educativas negativas, como, por exemplo, dar palmadas e dizer coisas aos filhos que depois se arrependem, e de desligamento – por exemplo, não dar atenção e prestar cuidados quando acham que o deviam fazer.”

Por outro lado, 27% das mães e 19% dos pais encararam esta fase de forma mais positiva, encarando-a como uma “oportunidade para aumentar a qualidade da sua parentalidade e da relação com os filhos, acompanhada de redução do burnout relacionado com o exercício da parentalidade.”

Os resultados foram obtidos a partir de um questionário online aplicado durante o período de confinamento, entre 30 de abril e 20 de maio, integrado num projeto internacional que envolveu a participação de 40 países.

Maria Filomena Gaspar, docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e uma das coordenadoras do estudo em Portugal, refere que “esta polarização, com um polo marcado por bem-estar emocional e aumento da qualidade das relações com os filhos, e outro polo marcado por sofrimento psicológico e redução da qualidade da relação com os filhos, associada a maior risco de comportamentos de tipo violento e negligente, encontra-se a associada a um conjunto de fatores (não de causas) que se podem constituir, respetivamente, como protetores ou riscos”.

Os fatores de maior risco de burnout parental

Casal em casa com os filhos

Os fatores de risco de agravamento de burnout parental relacionam-se com:

  • Idade jovem dos pais
  • Mais anos de escolaridade;
  • Viver numa grande cidade
  • Viver numa casa ou apartamento sem espaço exterior
  • Existência de problemas de saúde mental, no presente ou no passado
  • Pais com mais filhos a viver em casa
  • Pais com mais filhos com menos de 4 anos de idade, que antes do confinamento estavam numa ama, creche ou jardim-de-infância
  • Pais com mais filhos que requerem mais atenção
  • Pais com mais filhos com mais problemas de saúde física, mental, emocional ou comportamental

A crise da pandemia de COVID-19 veio, assim, acentuar um “desequilíbrio entre as exigências que se colocam ao exercício do papel parental e os recursos que coexistem para lidar com elas“.

Como tal, “o agravamento do burnout está associado a uma perceção de menor impacto positivo e de maior impacto negativo da crise na qualidade da relação com a criança e na qualidade da parentalidade; enquanto a redução no burnout está associada a uma perceção de que a crise e o confinamento tiveram um maior impacto positivo e um menor negativo na qualidade da relação com os filhos e na qualidade da parentalidade”.

A investigação faz parte de um estudo internacional coordenado por investigadores da Universidade de Tilburg, na Holanda, no âmbito de um consórcio de 40 países que investiga o burnout parental (IIBP: Internacional Investigation of Parental Burnout) e que é liderado pela Universidade de Louvain, na Bélgica. Em Portugal, além das Universidades de Coimbra e do Porto, participa também o Laboratório Colaborativo ProChild.

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