Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
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18 Mai, 2020 - 15:23

Miosite e poliomiosite em cães: o que são estes problemas

Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
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Já ouviu falar de miosite e poliomiosite em cães? Saiba o que são estas patologias e como se caracterizam sintomaticamente.

Miosite e poliomiosite em cães: O que são estes problemas

A miosite e poliomiosite em cães são doenças inflamatórias que afetam os músculos. Podem ter várias causas, sendo que o tratamento pode variar conforme o fator desencadeante desta situação.

Causas da Miosite e poliomiosite em cães

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A palavra miosite, define-se, em termos médicos, como inflamação do músculo. A poliomiosite indica uma inflamação dos músculos mais generalizada.

Origem infeciosa

As causas de miosite e poliomiosite em cães podem ser várias, desde infeciosas – em que vários agentes podem ser responsáveis pela infeção muscular, sendo que o mais frequente é que a etiologia seja bacteriana -, a outras causas. Por exemplo, a origem da miosite e poliomiosite em cães também pode estar relacionada com um eventual trauma, ou seja, inflamação dos músculos devido a um trauma severo (pancada), que possa ter lesionado a parte muscular, tal como acontece nas pessoas.

Origem inflamatória auto-imune

Existem também a possibilidade de a miosite ter origem inflamatória auto-imune. Ou seja, tal como acontece noutras doenças auto-imunes, esta situação deve-se ao mau funcionamento do sistema imunitário, contribuindo para a deterioração do tecido muscular.

Relativamente a miosites auto-imunes nos cães, as mais comuns são a miosite dos músculos mastigadores. Ou também conhecida por miosite eosinofílica, e a poliomiosite.

Miosite dos músculos mastigadores

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A miosite dos músculos mastigadores é uma forma de miosite auto-imune que pode afetar os cães, e como o próprio nome indica, afeta os músculos mastigadores.

A causa desta doença é desconhecida, no entanto, o que acontece é que os cães afectados pela doença produzem anticorpos contra as fibras desses músculos em específico, acabando por destruí-las, levando à destruição do próprio músculo.

Sintomas da miosite dos músculos mastigadores

Os sintomas iniciais da doença podem passar desapercebidos, especialmente porque existem duas formas da doença: uma aguda e uma crónica.

Na forma aguda da doença, os sinais são mais repentinos e a inflamação ocorre rapidamente causando dor severa ao animal. O animal nesta fase pode não apresentar ainda sinais na parte muscular, apenas sinais pouco específicos, como febre de origem desconhecida e dor.

Na forma crónica, muitas vezes só é perceptível numa fase mais avançada e o sinal que mais chama à atenção dos tutores é a perda de massa muscular nos músculos do focinho, ou seja os músculos ficam atrofiados.

Uma vez atrofiados, estes músculos deixam de conseguir executar a sua função e os animais deixam de conseguir abrir a sua boca, ficando assim impedidos de se alimentarem. Assim, é comum que estes animais também se apresentem à consulta por anorexia ou perda de peso.

Diagnóstico da miosite dos músculos mastigadores

O diagnóstico da doença pode ser difícil, especialmente numa fase inicial se o cão não apresentar sinais específicos. Todavia, a maioria dos cães apresenta-se à consulta por dor intensa na zona do focinho ou atrofia desses mesmo músculos, o que é muito sugestivo para o médico veterinário durante o exame físico do animal.

Para avaliar a função destes músculos o médico veterinário pode também tentar abrir e fechar a boca do animal, sendo que, em casos mais severos, os músculos mastigadores estão tão atrofiados que é impossível abrir a boca ao cão. Também é normal que o animal apresente dor muito intensa ao tentar abrir-lhe a boca.

Para confirmação do diagnóstico é possível realizar exames ao sangue, eletromiografia e biópsia ao músculo, sendo que, para este último exame, é necessário que seja retirado uma amostra do músculo afectado com o animal anestesiado.

Tratamento da miosite dos músculos mastigadores

O tratamento a realizar deve ser sempre o recomendado pelo seu médico veterinário. Tratando-se de uma doença auto-imune, em que o organismo reage destruindo as suas próprias células, o objetivo do tratamento é evitar que o organismo reaja assim, recorrendo-se a fármacos imunossupressores, ou seja, que deprimem a resposta do sistema imunitário.

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Poliomiosite auto-imune em cães

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A poliomiosite é também outra apresentação de miosite de causa auto-imune, só que difere da miosite dos músculos mastigadores pois afeta várias zonas do corpo e geralmente mais nas extremidades.

Sintomas da poliomiosite auto-imune em cães

Os sinais clínicos mais comuns desta patologia incluem depressão, letargia, fraqueza, muitas vezes o animal deixa de conseguir realizar movimentos ou até andar.

Podem também apresentar dor ao toque ou ao movimento, claudicação (mancar), perda de peso e atrofia muscular, em casos mais crónicos.

Numa forma mais generalizada da doença, em que vários músculos do corpo estão afetados, podem surgir afeção orgânica, como por exemplo do esófago e, neste caso o cão pode também apresentar sinais relacionados como vómitos e regurgitação.

Diagnóstico da poliomiosite auto-imune em cães

O diagnóstico pode ser realizado com base em biópsia de uma porção de músculo afetado, e alguns parâmetros podem estar alterados se forem realizadas análises sanguíneas.

Tratamento da poliomiosite auto-imune em cães

Tal como na miosite dos músculos mastigadores, o tratamento baseia-se em fármacos imunossupressores.

Fontes

  1. MSD Veterinary Manual – Polymyositis in Small Animals. Disponível em: https://www.msdvetmanual.com/musculoskeletal-system/myopathies-in-small-animals/polymyositis-in-small-animals
  2. MSD Veterinary Manual – Masticatory Myositis in Small Animals. Disponível em: https://www.msdvetmanual.com/musculoskeletal-system/myopathies-in-small-animals/masticatory-myositis-in-small-animals
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