Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
17 Fev, 2020 - 16:01

Estudo conclui que um em cada três pais interpreta mal o peso dos seus filhos

Mónica Carvalho

Estudo da Universidade de Coimbra conclui que um em cada três pais interpreta mal o peso dos seus filhos. E você? Sabe interpretar o peso do seu filho?

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De acordo com um estudo publicado no American Journal of Human Biology, da autoria de investigadores da Universidade de Coimbra, 32,9% dos pais interpretam mal o peso dos seus filhos: 30,6% subestimam e 2,3% sobrestimam.

O estudo teve dois objetivos: analisar a concordância entre o estatuto nutricional das crianças e a perceção que os pais têm do peso delas; assim como observar se a subestimação do peso estava de algum modo associada ao risco da criança ter excesso de peso/obesidade.

Assim, foi possível apurar que cerca de 1 em cada 3 pais “não identificou corretamente o estatuto nutricional dos filhos, sendo que a maior parte subestimou. A subestimação foi substancialmente maior consoante o peso dos filhos, ou seja, vários pais com filhos com excesso de peso classificaram o peso dos filhos como normal e, principalmente, pais com crianças obesas reportaram que as crianças tinham apenas um pouco de peso acima do recomendado», diz Daniela Rodrigues investigadora do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da FCTUC.

Esta subestimação é mais visível nas classes sociais mais baixas e no sexo feminino: “ter pais com menor estatuto socioeconómico e mães com excesso de peso aumenta a probabilidade de subestimar o peso dos filhos, principalmente entre as raparigas” defende a investigadora, que acrescenta que “pais que subestimam o peso dos filhos têm 10 a 20 vezes mais probabilidade de terem filhos com excesso de peso ou obesidade, o que tem sido associado a um conjunto de problemas de saúde física e mental, não só na infância mas que permanecem na idade adulta”.

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“Os pais podem não saber identificar o que é excesso de peso ou obesidade, principalmente porque os media tendem a apresentar a obesidade no seu extremo. Por outro lado, numa altura em que a prevalência de excesso de peso e obesidade afeta cerca de um terço das crianças, os pais podem “normalizar” o excesso de peso, porque é o formato que mais encontram nas crianças que os rodeiam” aponta a investigadora da FCTUC como explicação para estes resultados.

Tendo em conta estes resultados, Daniela Rodrigues defende que “é urgente ajudar os pais a identificar corretamente o excesso de peso e a obesidade dos filhos para que possam recorrer à ajuda dos profissionais de saúde e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida da criança”. Como tal, “o primeiro passo para alterar comportamentos de risco associados à obesidade (dietas ricas em gorduras saturadas e açucares, inatividade física, comportamentos sedentários, etc.) é perceber a necessidade de alterar esses mesmos comportamentos, identificando corretamente o estatuto nutricional da criança”.

A investigação foi conduzida por Daniela Rodrigues, Aristides Machado-Rodrigues e Cristina Padez, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e envolveu 793 pais e respetivos filhos, com idades compreendidas entre 6 e 10 anos.

Fonte

  1. American Journal of Human Biology. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/ajhb.23393