Teresa Santos
Teresa Santos
02 Nov, 2020 - 10:05

Gémeos verdadeiros ou falsos: quais as diferenças

Teresa Santos

As diferenças entre gémeos verdadeiros ou falsos estão essencialmente relacionadas com o processo de fertilização. Fique a saber mais sobre este tema.

Gémeos verdadeiros ou falsos

Muitas pessoas ainda associam a expressão gémeos verdadeiros ou falsos à existência ou não de semelhanças físicas entre os gémeos. Porém, estas designações referem-se ao processo de fertilização do óvulo ou óvulos e à forma como decorre a gestação destes fetos.

A gestação múltipla tem inúmeras particularidades, desde logo o modo como os fetos partilham o espaço intra-uterino. Descubra mais sobre este assunto fascinante.

Gestação de gémeos verdadeiros ou falsos: o que precisa saber

Ecografia que mostra bebés gémeos

A noção de gémeos verdadeiros ou falsos, mais do que estar relacionada com as eventuais semelhanças físicas entre os gémeos, prende-se com o processo de fertilização do óvulo ou óvulos libertados.

Os gémeos monozigóticos, originados a partir do mesmo óvulo, podem partilhar a mesma placenta – sendo, nesta circunstância, gémeos monocoriónicos – ou cada um possuir a sua placenta – gémeos policoriónicos. Já os gémeos polizigóticos possuem, habitualmente, placentas independentes, por isso são gémeos pluricoriónicos.

Os gémeos de sexos diferentes nunca são monozigóticos. Os gémeos do mesmo sexo podem ou não ser monozigóticos (1).

Gestação múltipla espontânea de gémeos verdadeiros ou falsos

Sempre que há uma gestação múltipla espontânea, ou seja, uma gravidez gemelar, estamos perante a fertilização e implantação de mais do que um óvulo libertado no mesmo ciclo ovulatório ou à duplicação do embrião resultante da fertilização de um único óvulo.

Quando é fertilizado mais do que um óvulo, então estamos perante um caso de gémeos dizigóticos/polizigóticos ou, popularmente, conhecidos como “falsos”, que partilham 50% da informação genética.

Por outro lado, quando um mesmo óvulo resulta em dois embriões, estamos perante a gestação de gémeos monozigóticos, isto é, “gémeos verdadeiros”, geneticamente idênticos (1).

Gestação múltipla induzida

No caso das gestações múltiplas induzidas ou iatrogénicas, há lugar à implantação simultânea de mais do que um embrião e da fertilização de mais do que um óvulo. Logo, estas gestações originam, por norma, gémeos dizigóticos/polizigóticos (1).

Riscos associados às gestações de gémeos verdadeiros ou falsos

Grávida a dormir apoiada em almofadas
1

Morte fetal

As gestações gemelares apresentam sempre alguns riscos, nomeadamente as monozigóticas e monocoriónicas. Isto, devido à partilha da placenta. Esta partilha aumenta o risco da transfusão feto-fetal, ou seja, um dos gémeos receber mais sangue da placenta do que o outro.

Esta é uma situação que ocorre, em média, em 5% a 25% dos casos e o risco de morte pode alcançar os 80%. Por isso, a morte fetal de um dos gémeos acaba por ser um fenómeno relativamente frequente.

Contudo, o maior risco de morte fetal (50% a 60%) ocorre com gémeos monoamnióticos, devido à possibilidade dos cordões umbilicais se entrelaçarem e provocarem compressão.

É importante ter em conta que a morte fetal de um dos gémeos origina processos biológicos que podem, por exemplo, causar lesões no outro gémeo, nomeadamente em órgãos ou no sistema nervoso central. Além disso, esta situação também pode contribuir para aumentar as probabilidades de parto prematuro (1).

2

Prematuridade

As gestações múltiplas também apresentam maior risco de terminar num trabalho de parto prematuro.  Em média, as gestações bigemelares naturais podem ir até às 35 a 37 semanas de gestação, enquanto as trigemelares não costumam ir além das 33 semanas de gestação.

Em alguns casos, a interrupção prematura da gravidez pode acontecer ou ser provocada devido a complicações gravídicas graves, tais como diabetes, hipertensão, eclâmpsia, síndrome de HELLP, descolamento da placenta, entre outras. Quantos mais fetos e placentas, maior o risco do surgimento de complicações (1).

3

Anomalias

Este tipo de gestações também apresenta um maior risco de anomalias congénitas, cromossómicas e genéticas, assim como perturbações vasculares ou mecânicas.

Estas anomalias são mais frequentes nos gémeos monozigóticos e podem, em alguns casos, aumentar o risco de morte fetal ou levar à interrupção precoce da gravidez (1).

O caso particular dos gémeos siameses

Bebés gémeos a dormir

Existe, ainda, o caso dos gémeos siameses ou xifópagos. Estes são gémeos monozigóticos, mas cuja divisão do embrião em dois demorou mais de 12 dias a acontecer. Nestas situações, as células acabam por formar partes do corpo ou de órgãos em comum entre os dois gémeos.

Esta condição pode ser corrigida através de cirurgia, desde que os gémeos não partilhem órgãos vitais como o pulmão, o coração ou o cérebro. O embrião que origina estes gémeos possui uma única massa celular, uma só placenta e apenas um saco aminiótico. Alguns estudos indicam que em cada 40 gestações gemelares monozigóticas, uma origina gémeos siameses.

Há ainda casos de gémeos siameses cuja união aconteceu posteriormente, mesmo já depois da separação dos embriões. Nestas situações, é mais comum os gémeos ficarem unidos pela cabeça, abdómen ou nádegas. Geralmente, o problema pode ser solucionado através de cirurgia (2).

Estes gémeos conhecem diferentes designações, em função da parte do corpo que os liga. Algumas dessas designações são:

  1. Toracópagos: ligados pelo tórax.
  2. Esternópagos: ligados pelo osso externo.
  3. Cefalotoracópagos: ligados pela cabeça e tórax.
  4. Metópagos: ligados pela face.
  5. Pigópagos: ligados pelo dorso.

Fontes

  1. Sociedade Portuguesa de Neonatologia. Os Gémeos e outros múltiplos. Disponível em: https://www.spneonatologia.pt/wp-content/uploads/2016/10/Os-gemeos-e-outros-multiplos.pdf
  2. Departamento de Patologia Geral do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade Federal de Minas Gerais. Gémeos univitelinos e dizigóticos. Disponível em: https://depto.icb.ufmg.br/dmor/Disciplinas/Embriologia/gemeos.htm
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