Revisto por Drª Ana Torre
Revisto por Drª Ana Torre Desenvolvido por Teresa Santos
12 Mar, 2020 - 11:00

Gastrite: causas, sintomas e tratamento desta condição

Revisto por Drª Ana Torre Desenvolvido por Teresa Santos

A gastrite é uma inflamação da mucosa do estômago, geralmente causada por uma bactéria. Saiba qual e como tratar.

Homem com dores de estômago

A gastrite, geralmente, tem origem numa bactéria, embora também possa ter outras causas associadas. Porém, a gastrite só se revela, realmente, como um problema de saúde, quando essa bactéria se manifesta, causando sintomas desagradáveis e podendo evoluir para outras doenças.

Contudo, com ou sem sintomas associados, a gastrite merece tratamento e acompanhamento médico, de modo a evitar outras complicações e consequências.

Gastrite: causas, sintomas e tratamento para ficar a conhecer

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A gastrite carateriza-se por uma inflamação da mucosa do estômago que prejudica a produção de substâncias essenciais na digestão.

Com a mucosa do estômago afetada, este órgão deixa de estar protegido dos efeitos do ácido gástrico, podendo contrair lesões como úlceras e, em alguns casos mais severos, hemorragia.

TIPOS DE GASTRITE

Existem dois tipos principais de gastrite, a saber (1):

  1. Gastrite aguda: caracteriza-se por surgir de uma forma súbita e intensa.
  2. Gastrite crónica: manifesta-se pela ação da bactéria Helicobacter pylori, é o tipo de infeção mais comum em todo o mundo, afetando mais de metade da população mundial (2)

Em Portugal, os números são reveladores da prevalência desta doença, com cerca de 90% da população adulta com mais de 50 anos a ser afetada pela ação da bactéria Helicobacter pylori. Porém, ser portador desta bactéria não significa ter sintomas, pelo que muitas pessoas têm esta bactéria sem o saber.

Mas, afinal, por que é que algumas pessoas têm sintomas e outras não?

É verdade que a maioria das pessoas que tem esta bactéria não manifesta quaisquer sintomas. As razões para esta circunstância podem ser:

  • Haver diferentes estirpes, umas mais agressivas do que outras
  • Cada indivíduo ter uma predisposição genética distinta
  • Fazer uma dieta pobre em vitamina C e rica em alimentos fumados ou muito salgados, o que potencia a manifestação desta doença (3)

PRINCIPAIS CAUSAS DA GASTRITE

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Por norma, na origem desta infeção, está uma bactéria, a Helicobacter pylori. Esta bactéria é transmitida de pessoa para pessoa, através de comida ou água contaminadas. Todavia, há outras causas possíveis para a gastrite, tais como:

  • Medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (por exemplo, aspirina ou ibuprofeno)
  • Stress
  • Álcool
  • Tabaco
  • Cocaína
  • Radiações
  • Idade avançada
  • Refluxo
  • Acidente
  • Doença grave ou auto-imune
  • Queimaduras extensas
  • Cirurgia

Em algumas destas situações, podemos estar a falar de uma gastrite por stress, ou seja, motivada por um contexto de nervosismo ou ansiedade fora do habitual, combinado com outras causas (4

Principais sintomas

Quem sofre de gastrite, tanto pode sentir uma grande variedade de sintomas, como pode passar toda a vida sem ter qualquer manifestação da patologia (5). Aqueles que referem alguns sinais, queixam-se sobretudo de:

  • Dor ou desconforto na parte superior do abdómen
  • Náuseas e vómitos
  • Emagrecimento
  • Sensação de enfartamento, após as refeições
  • Vómitos com sangue ou sangue nas fezes

E principais riscos

Um dos principais riscos da gastrite é a possibilidade dela poder evoluir para problemas de saúde mais complexos, como úlceras, pólipos e tumores benignos ou malignos, pelo que um diagnóstico atempado deste problema é fundamental.

Sinais como dor de estômago persistente, perda de peso ou perda de sangue nos vómitos ou dejeções devem alertar para as complicações de gastrite.

DIAGNÓSTICO

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Para detetar a existência de uma gastrite, o exame mais recomendado é a endoscopia com biópsia do estômago (6). Esta biópsia recolhe pequenas amostras de tecido da mucosa do estômago, que depois são analisadas.

Paralelamente, poderão ainda ser feitos exames radiológicos, análises laboratoriais, estudo das fezes e testes (respiratórios, por exemplo) para a identificação da presença da bactéria Helicobacter pylori.

TRATAMENTO DA GASTRITE

O método mais comum de tratamento da gastrite é realizado através da prescrição de medicamentos que têm como objetivo reduzir os níveis de ácido no estômago e atenuar os sintomas de dor e desconforto abdominal.

Além disso, estes medicamentos funcionam como bloqueadores dos recetores de histamina e inibidores da bomba de protões, combatendo desta maneira o excesso de acidez gástrica (7). Quem, normalmente, toma bastantes anti-inflamatórios deve também rever essa situação com o médico, sob pena de agravar o seu problema de saúde.

É, ainda, importante dizer que, mesmo não tendo quaisquer sintomas, é essencial tratar esta infeção, sobretudo pelas outras consequências que dela podem advir para a sua saúde e organismo, como úlceras, por exemplo.

Na gastrite por Helicobacter Pylori está indicada a erradicação desta bactéria, um tratamento que consiste na associação de antibióticos e um inibidor da bomba de protões durante duas semanas.

Além disso, é fundamental a evicção de agentes causadores de gastrite, nomeadamente: álcool, tabaco, anti-inflamatórios.

PREVENÇÃO

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Embora nada substitua a vigilância e o tratamento deste problema de saúde, há medidas  que pode adotar para controlar ou, mesmo, evitar a gastrite (5). Eis algumas delas:

  • Comer pouco, várias vezes ao dia, para facilitar o processo digestivo
  • Evitar alimentos irritantes para o estômago como os picantes, ácidos, fritos ou com muita gordura, assim como o álcool
  • Controlar os níveis de stress
  • Lavar as mãos frequentemente e consumir os alimentos sempre bem cozinhados, de modo a evitar a contaminação pela bactéria Helicobacter pylori

A GASTRITE E AS CRIANÇAS

Em Portugal, a presença da bactéria Helicobacter pylori em crianças rondará os 35%. Porém, nesta faixa etária, não é, por norma, recomendada qualquer ação, visto a erradicação da bactéria implicar uma terapêutica agressiva (através de antibióticos e outros fármacos). A exceção é mesmo nos casos em que a gastrite já evoluiu para úlcera (8).

CONCLUSÃO

Inflamações constantes no estômago podem ser um sinal de gastrite e não devem ser subvalorizadas. Portanto, a principal mensagem a deixar é mesmo a de que, se sente alguns dos sintomas descritos acima, deve consultar um gastroenterologista, de maneira a diagnosticar este ou outros problemas gástricos.

Não se esqueça que o estômago é um órgão essencial no processo digestivo e, por isso, condições como a gastrite podem pôr em causa o seu bom funcionamento, assim como o normal decorrer da digestão. Além disso, o risco da gastrite evoluir ou provocar outras complicações de saúde como úlceras ou, mesmo, cancros é real e não deve ser desvalorizado.

Fontes

  1. Gastritis: Overview (2018). Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK310265/
  2. Malfertheiner P1, Megraud F, O’Morain CA, Atherton J, Axon AT, Bazzoli F, Gensini GF, Gisbert JP, Graham DY, Rokkas T, El-Omar EM, Kuipers EJ; European Helicobacter Study Group (2012) Management of Helicobacter pylori infection–the Maastricht IV/ Florence Consensus Report. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22491499
  3. Anupam Aditi, M.D.1 and David Y. Graham, M.D.2 (2012) Vitamin C, Gastritis, and Gastric Disease: a historical review and update. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3874117/
  4. Levenstein S1, Rosenstock S2, Jacobsen RK3, Jorgensen T3 (2015) Psychological stress increases risk for peptic ulcer, regardless of Helicobacter pylori infection or use of nonsteroidal anti-inflammatory drugs. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25111233
  5. Gastritis & Gastropathy. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/gastritis-gastropathy
  6. Carpenter HA, Talley NJ (1995) Gastroscopy is incomplete without biopsy: clinical relevance of distinguishing gastropathy from gastritis. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/gastritis-etiology-and-diagnosis/abstract/6
  7. Hawkey CJ1, Langman MJ. (2003) Non-steroidal anti-inflammatory drugs: overall risks and management. Complementary roles for COX-2 inhibitors and proton pump inhibitors. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12631678
  8. Gottrand F1. (2011) [Abdominal pain and gastritis in children]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21698891
Veja também