Psicóloga Ana Graça
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09 Jun, 2020 - 14:46

Como explicar o racismo às crianças? 7 dicas que podem ajudar

Psicóloga Ana Graça

Para criar crianças livres de preconceito racial importa, antes de mais, explicar o racismo às crianças. Mas como e quando devem os pais fazê-lo?

Explicar o racismo às crianças: pais a ler um livro com a filha

A grande maioria dos pais deseja que os seus filhos tratem todas as pessoas com igualdade, independentemente da cor da pele ou da origem étnica. Muitos acreditam que se não falarem com os filhos acerca do racismo e se não apontarem as diferenças raciais e étnicas existentes, estes não as vão valorizar e vão encarar as diferenças apenas como características pessoais. Todavia, evitar falar acerca de racismo e discriminação nem sempre é a melhor opção. Mas, então, como abordar estas temáticas da melhor forma? Como explicar o racismo às crianças?

Será que devemos explicar o racismo às crianças?

Mãe a conversar com a filha sentadas no sofá

Muitos pais acreditam que se não abordarem a temática do racismo com os filhos, se evitarem falar acerca de conceitos como raça e etnia, os seus filhos irão crescer a encarar todas as pessoas de igual forma.

No entanto, muitos destes pais ficam admirados e intrigados quando percebem que os seus filhos estão atentos e absorvem as atitudes, estereótipos raciais e preconceitos sociais que os rodeiam.

De facto, com o objetivo de aprender de forma rápida e eficaz a viver no mundo social, as crianças estão altamente atentas a tudo e a todos os que as rodeiam. Até as crianças mais pequenas estão atentas aos sinais não-verbais (por exemplo, expressões faciais) que os adultos emitem em relação a outras pessoas e a certos assuntos e situações.

Com base nas suas atentas observações, as crianças são capazes de tirar conclusões acerca dos pensamentos e sentimentos que os adultos que lhe são próximos dirigem a determinadas pessoas ou grupos de pessoas e, desta forma, é possível que se formem preconceitos nas crianças.

O que as investigações têm mostrado é que não basta não apontar as diferenças e não abordar com as crianças os estereótipos e preconceitos raciais existentes. Pelo contrário, para fomentar atitudes tolerantes e combater as mensagens preconceituosas explícitas ou implícitas às quais as crianças estão sujeitas ao longo do seu crescimento, importa explicar o racismo às crianças (1).

Como explicar o racismo às crianças?

Pais e filha em casa a brincar

Como vimos, o racismo, o preconceito e a discriminação racial têm o potencial de afetar as crianças ao longo do seu desenvolvimento. Muitos pais questionam-se de que forma podem ajudar os filhos a compreender como o mundo funciona e a desenvolver um repertório de estratégias e habilidades que lhes permita lidar com o racismo e com as relações e interações inter e intra-raciais.

Mas então, como explicar o racismo às crianças? Como explicar que classificar os outros pela sua cor da pele é errado? Como iniciar e desenvolver esta conversa com os mais pequenos? Eis algumas dicas que podem ajudar:

  1. Os pais devem, antes de mais, reconhecer as suas próprias opiniões acerca do racismo e refletir sobre as mesmas (2).
  2. Os pais devem expor, sempre que possível, as crianças a diferentes culturas, desde uma idade precoce. Dar a conhecer diferentes culturas parece aumentar a eficácia das conversas relacionadas com a tolerância e as diferenças (3).
  3. Antes de começar a explicar o racismo às crianças os pais devem tentar entender aquilo que as crianças já sabem e qual o seu ponto de vista. Posteriormente, se as crianças fornecerem informações imprecisas ou pontos de vista que possam levar ao preconceito, os pais devem fornecer informações apropriadas à idade, que incentivem a um ponto de vista diferente (3).
  4. As conversas com crianças pequenas acerca da discriminação racial devem ser incentivadas e associadas, sempre que possível, a situações concretas e reais. Alguns filmes infantis podem servir de base para abordar a grande variedade de diferenças sociais, económicas e culturais existentes no mundo (3).
  5. Os livros e as histórias podem também ser uma excelente base de apoio para os pais na hora de explicar o racismo às crianças. Os pais não devem sentir-se pressionados. É natural que não disponham de toda a informação. Expor as crianças a livros ou a museus pode ajudar a iniciar conversas interessantes e tolerantes, ao mesmo tempo que permite o acesso a informação fidedigna (3).
  6. Utilizar linguagem e explicações simples e recorrer a exemplos. Importa não esquecer que as crianças vêm o mundo de forma mais simples e menos enviesadas por preconceitos e estereótipos que nós adultos (3).
  7. Os adultos devem controlar as suas próprias emoções quando iniciam esta conversa com as crianças. É importante que as frustrações e a ira que os adultos possam sentir face à discriminação racial não sejam transferidas para as crianças, que não dispõem das mesmas competências para lidar com as mesmas (3).
  8. Adultos atentos e pró-ativos! Os pais devem estar atentos a possíveis situações em que os filhos experienciem injustiça ou discriminação. Devem conversar e procurar encontrar em conjunto formas saudáveis de lidar com essas situações (3).

Em suma

A discriminação racial ainda persiste no dia a dia nos vários cantos do mundo e as crianças não ficam à margem deste problema. Importa contribuir para uma infância livre de preconceito, uma infância livre de racismo.

Explicar o racismo às crianças é tarefa que pais e educadores não devem evitar. As crianças devem ser educadas para o respeito das diferenças e para a noção de que as diferenças enriquecem e acrescentam.

Fontes

  1. Skinner, A. (2019). How Do Children Acquire Prejudices? Psychology Today. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/catching-bias/201911/how-do-children-acquire-prejudices
  2. Turner, E. (2017). Talking With Children About Racism. Psychology Today. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-race-good-health/201708/race-in-america-tips-talking-children-about-racism
  3. Turner, E. (2014). Redefining Race Relations: It Begins at Home. Psychology benefits society. Disponível em: https://psychologybenefits.org/2014/09/18/redefining-race-relations-it-begins-at-home/
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