Danielle Paiva
Danielle Paiva
23 Jul, 2020 - 10:05

Efeitos secundários da pílula: 7 queixas mais comuns

Danielle Paiva

Saiba quais são os principais efeitos secundários da pílula e compreenda porque acontecem. Se sente alguns destes sintomas, lembre-se que há outros métodos.

Efeitos secundários da pílula

Teve um papel decisivo na história dos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres, no entanto, os efeitos secundários da pílula são reais. Das náuseas e vómitos aos problemas de retenção de líquidos, circulatórios e perda de libido.

Alguns fatores estão relacionados com hábitos de vida e doenças prévias outros com a própria composição da pílula. Conhecer os efeitos da pílula permite que cada mulher escolha, de forma informada e consciente, o método contracetivo mais adequado para o seu corpo.

7 Efeitos secundários da pílula

1.

Perda de sangue

Mulher a segurar flor vermelha nas mãos

Esta perdas de sangue são um dos efeitos secundários da pílula mais comuns. Ocorrem, habitualmente, nos primeiros ciclos de uso da pílula, porque o útero ainda se está a adaptar ao revestimento do endométrio que se torna mais fino ou porque o corpo se está a habituar a níveis diferentes de hormonas.

Desde que pílula seja tomada corretamente, estas perdas não significam falha na eficácia da pílula nem é considerado um período menstrual. Se tiver 5 ou mais dias de spotting, sangramento intenso por 3 ou mais dias, ou após 3 meses o perda de sangue persistir, deve entrar em contato com o seu médico de família ou ginecologista.

2.

Ausência de hemorragia

As mulheres que tomam as pílulas clássicas, com 4 ou 7 dias de pausa, podem não ter hemorragia no final da toma. É uma falta inesperada já que a pausa serve para que os níveis de hormonas desçam e a hemorragia ocorra.

Associado à toma da pílula, o stress, uma doença, uma viagem ou alterações hormonais ou da tiróide podem ser responsáveis por esta ausência. É aconselhado fazer um teste de gravidez e, se este se revelar negativo, deve consultar o o seu ginecologista.

3.

Aumento de peso

Mulher a pesar-se numa balança em casa

Muitas mulheres referem aumento de peso como um dos efeitos secundários da pílula, porém, ainda não existem estudos clínicos que o comprovem. No entanto, a toma da pílula também pode resultar em retenção de líquidos.

4.

Trombose venosa

Pessoas com problemas de trombose podem ter a doença agravada pelo fato de a pílula aumentar a coagulação do sangue. Mulheres com varizes acentuadas, fumadoras, que sofram de doenças cardiovasculares ou depressão, devem informar ao seu médico para que sejam aconselhadas sobre qual o melhor método anticoncecional para o seu caso.

5.

Náuseas e vómitos

Mulher com dores de barriga

Algumas mulheres queixam-se de náuseas e vómitos após o início do uso da pílula. Pela  quantidade de hormonas ingerida, o organismo pode precisar de um tempo para se adaptar. Tomar a pílula ao deitar ou às refeições pode minimizar este efeito. Os sintomas costumam desaparecer 3 meses após o uso. (1,2)

6.

Alterações de humor

Um dos efeitos secundários da pílula é o facto da sua toma poder provocar alterações de humor, aumentar o risco de depressão ou outras alterações emocionais. Qualquer pessoa que sofra alterações de humor durante a toma da pílula deve consultar o seu médico de família ou ginecologista.

7.

Perda de líbido

Homem e mulher sentados numa cama

A toma da pílula pode afetar o desejo sexual ou a libido em algumas pessoas. Se sentir qualquer alteração, fale com o seu médico.

Há contraindicações ao uso da pílula?

Para além dos efeitos secundários da pílula indicados acima, há grupos de risco que devem evitar a sua toma. Não é demais lembrar que qualquer medicação deve ser tomada apenas por prescrição médica e a pílula não foge à regra. Se tem uma das condições abaixo, fale com o seu médico de família ou ginecologista.

  • Fumadora;
  • Condições específicas de sangue ou coagulação;
  • Histórico de cancro;
  • Diabetes mellitus;
  • Hipertensão ou hiperlipidémia;
  • Depressão grave;
  • Sofrer de epilepsia;
  • Sofrer de cefaleia grave;
  • Ter varizes acentuadas. (1)

Sobre a pílula

Mulher com lâmina de pílulas na mão

A pílula é composta por hormonas sintéticas (estrogénio, progesterona ou ambas), desenvolvidas em laboratório, que são semelhantes às hormonas presentes no corpo humano. Semelhantes, mas não iguais, por isso, há efeitos secundários associados.

Enquanto que as hormonas naturais ligam na perfeição com os recetores do nosso corpo, no caso das hormonas sintéticas, porque a estrutura molecular é diferente, pode resultar em mensagens hormonais distorcidas.

Se está a tomar a pílula, importa saber que, aquilo que acontece a cada pausa, é uma hemorragia disfuncional uterina ou hemorragia anovulatória. O nome assusta mas apenas quer dizer que, naquele ciclo, não houve ovulação. (1)

E se não há ovulação, não há menstruação, mas, sim, uma hemorragia. Isto porque a pílula suspende o ciclo ovárico – não há ovulação – mas não o ciclo uterino, cujo endométrio – o revestimento do útero – é alimentado pela dose diária de hormonas.

Por fim, a contraceção hormonal – neste caso, a pílula – impede uma gravidez e controla alguns sintomas, como acne, excesso de pelos, ciclos irregulares ou dores menstruais, mas não resolve os problemas que estão na origem dos sintomas.

Fontes

  1. Sociedade Portuguesa de Ginecologia. Disponível em http://www.spginecologia.pt/uploads/contracepcao.pdf
  2. Birth control guide – FDA. Disponível em https://www.fda.gov/media/99605/download.
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