Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
01 Jun, 2020 - 09:19

Desinfetar frescos e embalagens: que cuidados deve ter?

Mónica Carvalho

Deve ter cuidados específicos ao desinfetar frescos e embalagens? Há possibilidade de contaminação por coronavírus através destes produtos?

Desinfetar frescos e embalagens: mulher a lavar legumes

Somos agora muito mais cuidadosos com a limpeza e higienização de mãos e superfícies do que éramos antes da pandemia. O coronavírus mudou as nossas rotinas e hábitos. E em relação aos alimentos, é preciso desinfetar frescos e embalagens?

O Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) diz que, até ao momento, “não há evidências” (1) de que tanto os alimentos como as respetivas embalagens possam ser um fator de contaminação por COVID-19.

“A transmissão por embalagens de plástico, cartão ou outro material não é evidente, uma vez que, mesmo permanecendo nas superfícies, a carga viral é muito baixa”. Ainda assim, para um maior descanso e precaução, o Instituto indica que pode desinfetar as embalagens e deixá-las secar ao ar.

Como tal, “a recomendação geral é manter as regras de higiene e lavar as mãos com água e sabão quando se regressa a casa, e novamente quando se termina a tarefa de arrumar as compras”, garante o INSA.

FDA sugere adoção de práticas de segurança alimentar

Mulher a lavar frutas e vegetais

A agência norte-americana do medicamento FDA – Food and Drugs Administration (2) tem uma posição semelhante à do INSA, revelando que, atualmente, não há provas de que tanto os alimentos como as embalagens de alimentos estejam associados à transmissão por coronavírus.

Apesar de vários estudos laboratoriais indicarem que o tempo de sobrevivência do vírus varia de material para material, a FDA também refere que a carga viral deste se reduz bastante durante esse período.

Ainda assim, a agência deixa alguns conselhos:

  • Lavar as frutas e legumes em água corrente antes de comer e esfregar com uma escova de cerdas macias
  • Limpar as tampas dos enlatados antes de abrir
  • Alimentos como carnes, aves, ovos e marisco devem ser colocados no frigorífico ou congelador até duas horas depois da compra
  • Limpar e higienizar regularmente os balcões de cozinha usando um produto desinfetante.

Transmissão potencial de COVID-19 via alimentos? Saiba o que diz a OMS

Homem a fazer compras no supermercado

Por sua vez, a Organização Mundial de Saúde (OMS) refere que é ”altamente improvável que as pessoas possam contrair a COVID-19 através de alimentos ou embalagens de alimentos” (3).

Visto que a COVID-19 é uma doença respiratória, a principal via de transmissão é através do contato pessoa a pessoa, através de gotículas geradas quando alguém infetado tosse ou espirra.

A OMS defende mesmo que os “coronavírus não se podem multiplicar nos alimentos; precisam de um animal ou hospedeiro humano para se multiplicar.” Ainda assim, como as “gotículas respiratórias são muito pesadas para serem transportadas pelo ar, elas pousam em objetos e superfícies ao redor da pessoa infetada. É possível que alguém seja infetado ao tocar numa superfície, objeto ou mão contaminada de uma pessoa infetada e depois tocar na sua própria boca, nariz ou olhos.”

Para isto, a OMS refere algumas pesquisas que avaliaram a sobrevivência da COVID-19 em diferentes superfícies diferentes, mas, dado que foram realizadas em “condições de laboratório com humidade relativa e temperatura controlada”, devem ser interpretadas com cautela, na medida em que o modo de comportamento do vírus em ambiente da vida real pode ser diferente.

Não obstante, aconselha-se a toma de medidas de higiene e proteção, nomeadamente o uso de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, desde que “usados corretamente”.

Além disso, refere a OMS “é altamente recomendável que a indústria de alimentos introduza medidas de distanciamento”, práticas de higiene e desinfeção, seja pela lavagem frequente e eficaz das mãos, seja pela lavagem e desinfeção dos objetos em cada etapa do processamento, fabrico e comercialização de alimentos.

como desinfetar superfícies: mulher a limpar puxador de porta
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E as lojas que vendem alimentos sem embalagem?

Mulher a comer pão-de-leite

“Não há evidências científicas de que os alimentos sejam associados à transmissão do vírus.” Já lemos isto várias vezes e, desta vez, também a OMS partilha a ideia. No entanto, é importante manter boas práticas de higiene em locais com comida exposta, nomeadamente produtos frescos, de padaria e confeitaria.

Além da lavagem em água corrente já aconselhada pela FDS, a OMS sugere boas práticas a serem cumpridas ainda antes do momento da compra, nomeadamente pelos comerciantes deste tipo de estabelecimentos:

  • Manter a lavagem e higienização frequentes de todos os alimentos, superfícies e utensílios de contacto
  • Todos os funcionários devem lavar frequentemente mãos e usar luvas, sendo que as mesmas devem ser trocadas antes e depois de preparar a comida
  • Limpar frequentemente e higienizar devidamente os balcões, utensílios e recipientes de todo o tipo, incluindo os de condimentos
  • Disponibilizar desinfetante para as mãos para os consumidores na entrada e saída das instalações
  • Considerar não exibir ou vender abertamente produtos de panificação que possam ser escolhidos e tocados diretamente pelo consumidor
  • Os produtos de panificação abertos devem ser colocados em embalagens de plástico / celofane ou papel

Fontes

  1. Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, “Embalagens alimentares e COVID-19”, disponível em: http://www.insa.min-saude.pt/embalagens-alimentares-e-covid-19/
  2. FDA – “Compras de alimentos durante a pandemia por COVID-19 – informação aos consumidores”, disponível em: https://www.fda.gov/food/food-safety-during-emergencies/shopping-food-during-covid-19-pandemic-information-consumers
  3. Organização Mundial de Saúde – “COVID-19 e segurança alimentar: guia para restauração”, disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/331705/WHO-2019-nCoV-Food_Safety-2020.1-eng.pdf
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