Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
20 Abr, 2017 - 17:18

Desejo sexual hipoativo: as principais causas

Mónica Carvalho

O transtorno do desejo sexual hipoativo, ou a ausência de desejo sexual, afeta ambos os sexos e pode ser altamente prejudicial para uma relação.

Desejo sexual hipoativo: as principais causas

Quem experimenta falta ou perda total do apetite sexual, sem que sejam identificadas causas médicas, sofre de transtorno do desejo sexual hipoativo.

Algumas pessoas sempre foram assim, outras perdem o desejo repentinamente. Muitas vezes, os sintomas permanecem durante meses ou anos e têm consequências graves para os relacionamentos íntimos, para as relações de casais e para a autoestima de quem enfrenta a situação.

Em Portugal, 35% das mulheres sofrem de desejo sexual hipoativo, de acordo com o primeiro estudo nacional sobre a prevalência de disfunções sexuais femininas, realizado pela Sociedade Portuguesa de Andrologia.

Tendo em conta que a Organização Mundial da Saúde (OMS), considera a sexualidade como um aspeto central da vida humana, a qual é vivenciada e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relações, se estivermos na presença do transtorno do desejo sexual hipoativo, a saúde sexual pode ser altamente afetada e, em consequência, todo bem-estar geral da pessoa.

Desejo sexual hipoativo: por que aparece?

No que diz respeito à causa do transtorno do desejo sexual hipoativo, diversos podem ser os fatores apontados como tendo influência no seu início, desenvolvimento e manutenção:

  • Fatores biológicos: desequilíbrios hormonais, medicamentos e seus efeitos colaterais, doenças crónicas;
  • Fatores do desenvolvimento: ausência de educação ou permissão sexual, infância e adolescência marcadas pela privação emocional, física, verbal ou afetiva, trauma ou coerção sexual;
  • Fatores psicológicos: ansiedade, depressão, transtornos de apego e da personalidade;
  • Fatores interpessoais: conflitos, insultos, perdas no relacionamento e incompetência ou disfunção sexual do parceiro;
  • Fatores culturais: questões morais e crenças religiosas ou culturais relativas a conduta sexual apropriada;
  • Fatores contextuais: aspectos ambientais, como privacidade, segurança e conforto;
  • Fatores relacionais: desgaste do relacionamento, falta de investimento na relação, rotina, falta do ritual de sedução da parte de um dos parceiros ou dos dois, inadequada estimulação física durante a atividade sexual, mudanças físicas que provocam perda do poder de atração em um dos parceiros ou nos dois; presença de disfunção sexual no parceiro (disfunção erétil, ejaculação precoce ou retardada), conflitos não solucionados de todos os tipos.

Por que não procurar ajuda para resolver a desejo sexual hipoativo?

A ilusão mágica que “tudo vai melhorar”, ou a percepção de que é impossível resolver o problema pois “sempre fui assim, nunca liguei muito ao sexo” são alguns dos motivos que levam a que o problema fique confinado a quatro paredes e não seja procurada ajuda médica.

É importante que os casais percebam que uma relação sexual equilibrada e satisfatória enriquecerá a sua relação enquanto casal e torná-los-á em pessoas mais felizes e completas.

Não tem mal em assumir que não está bem ou não está feliz. O errado está em protelar essa situação, habituando-se a uma rotina ou hábitos que podem dar a entender ao seu parceiro que já não está interessada nele.

Um problema para ela, mas também para ele

Embora o diagnóstico de transtorno do desejo sexual hipoativo seja mais frequente nas mulheres, este também é comum no sexo masculino. Aliás, nos últimos anos temos vindo a assistir a um aumento de disfunções sexuais nos homens, cujas causas são inúmeras e que têm vindo a desmistificar a ideia que é um problema unicamente associado ao sexo feminino.

Sabe-se hoje que duas disfunções no cérebro aparentemente estão associadas à falta de apetite sexual: de um lado, contenção excessiva partindo do cérebro frontal inferior; de outro, falta de imaginação erótica, percetível pela reduzida atividade no lobo parietal inferior e nas áreas pré-motoras.

Não adie a sua felicidade. Se tem um problema, procure ajuda médica!

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