Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
08 Jul, 2020 - 14:36

Crianças que comem mais devagar são mais saudáveis

Mónica Carvalho

Estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto revela dados importantes sobre os comportamentos alimentares das crianças.

Crianças que comem mais devagar são mais saudáveis: menina sentada à mesa a almoçar

Praticamente todas as crianças já ouviram a recomendação “come mais devagar” e isso parece mesmo ter uma razão de ser, que não apenas um conselho de mãe.

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) procurou avaliar a associação entre os comportamentos alimentares das crianças aos 7 anos de idade com a saúde cardiometabólica aos 10 e revela que as crianças que pedem constantemente por comida apresentam um maior risco de sofrer de problemas cardiovasculares anos mais tarde.

De igual modo, “as crianças que aos 7 anos comem mais devagar e apresentam uma maior resposta à saciedade, deixando, por exemplo, comida no prato quando estão satisfeitas, têm um menor risco cardiometabólico aos 10. Já as que sentem maior prazer em comer e respondem mais aos alimentos, pedindo constantemente por comida, apresentam um risco aumentado, anos mais tarde.”

APOSTAR NA PREVENÇÃO

Mãos a segurar maquete de coração

Sarah Warkentin, primeira autora da investigação, destaca como fundamental o papel da prevenção de doenças cardiovasculares, que podem resultar em aterosclerose – formação de placas de gordura nas artérias e que dificultam a passagem do sangue. “Este processo começa no início da vida e só décadas mais tarde é que apresenta manifestações clínicas”, refere.

Assim, e para avaliarem esta associação, os investigadores usaram dados de quase 3 mil crianças que integram o projeto Geração XXI – um estudo desenvolvido pelo ISPUP que segue, desde 2005, 8.600 participantes que nasceram nas maternidades públicas da Área Metropolitana do Porto.

Triglicerídeos, HDL-colesterol, a resistência à insulina, pressão arterial sistólica e o perímetro da cintura foram alguns dos parâmetros analisados e complementados com inquéritos realizados aos pais das crianças.

De acordo com Sarah Warkentin, é importante conhecermos os diferentes comportamentos alimentares durante a infância.

“Estes comportamentos são muito influenciados pelos pais e pelo ambiente em que a criança está inserida”, pelo que é fundamental “que se possa intervir precocemente e moldar melhor a saúde dos mais novos. Muitas crianças apresentam, já em idades precoces, excesso de peso, o qual é um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares”.

A investigação designada “Associations of appetitive behaviors in 7-year-old children with their cardiometabolic health at 10 years of age” foi publicada na revista Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases.

Fontes

  1. Science Direct. “Associations of appetitive behaviors in 7-year-old children with their cardiometabolic health at 10 years of age”. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0939475320300235
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