Psicóloga Ana Graça
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14 Mar, 2018 - 18:54

14 Coisas que os pais divorciados não devem fazer para “compensar” a criança

Psicóloga Ana Graça

O divórcio é um momento difícil para todos e, muitas vezes, por se sentirem culpados e receosos pelas consequências que os filhos possam sentir, os pais divorciados agem de forma pouco sensata.

14 Coisas que os pais divorciados não devem fazer para "compensar" a criança

Ser bom pai/boa mãe é talvez a tarefa mais gratificante e difícil que podemos ter ao longo da nossa vida. Ser bom pai/boa mãe no contexto de um divórcio é ainda mais exigente.

Ao longo deste artigo vamos tentar clarificar as coisas que os pais divorciados não devem fazer para que os seus filhos não desenvolvam problemas psicológicos, comportamentais, sociais e escolares.

Como sofrem os filhos com o divórcio?

coisas que os pais divorciados nao devem fazer e menino a chorar

O divórcio é difícil e doloroso para os adultos. É até natural, que apesar de todos os esforços, persista sempre algum litígio e alguns ressentimentos entre o casal. Manter a imparcialidade diante dos filhos, num contexto de um divórcio, é difícil.

Chegada a hora de partilhar a guarda e as imensas responsabilidades que um filho requer, é comum que os pais tenham muitas dificuldades em chegar a acordo. Provavelmente existe no ar um clima de desconfiança, insegurança e muitos receios.

Para as crianças o divórcio tende a ser ainda mais difícil. As crianças têm, geralmente, dificuldades em compreender e expressar os sentimentos a respeito da separação dos pais. As perdas e as mudanças familiares trazem às crianças sentimentos de confusão, tristeza e conflito.

Perante todas as dificuldades que esta alteração familiar apresenta e as consequências que pode ter nas crianças, é habitual que os pais desenvolvam sentimentos de culpa, com os quais não sabem lidar e, tentam recompensar as crianças de forma inadequada.

É nestas alturas que os pais devem dar o melhor de si, adotar uma postura sensata e equilibrada, de forma a evitar fazer uma série de coisas que os pais divorciados não devem fazer.

14 coisas que os pais divorciados não devem fazer:

pais a discutir em frente a filha

Por mais que pensem e idealizem, os pais nunca estão devidamente preparados para enfrentar uma situação de divórcio. Vão sempre existir arrependimentos e momentos menos felizes.

Para diminuir os erros cometidos e minimizar o impacto nas crianças, deixamos aqui algumas dicas daquilo que os pais não devem fazer:

  1. Não esconda a decisão do divórcio do seu filho;
  2. Não altere completamente as rotinas do seu filho;
  3. Não permita que o seu filho seja mensageiro ou árbitro da relação entre os pais;
  4. Não utilize o seu filho como substituto do outro progenitor (“ainda bem que pelo menos te tenho a ti para me fazeres companhia”);
  5. Não transforme o seu filho no seu melhor amigo;
  6. Não dispute o amor do seu filho com o outro progenitor;
  7. Não discuta com o outro progenitor em frente ao seu filho;
  8. Não prolongue o processo de divórcio nem seja desonesto com o seu filho;
  9. Não permita que o seu filho se sinta culpado pela separação;
  10. Não denigra a imagem do outro progenitor junto do seu filho;
  11. Não permita que a relação com o seu filho se torne numa relação viciada (exemplo: a criança pede um presente à mãe, e esta nega-o; o pai, para conquistar o afeto do filho ou por se sentir culpabilizado pelo divórcio, acaba por ceder ao pedido);
  12. Não permita que as práticas parentais deixem de estar alinhadas, tal como acontecia quando vivam todos da mesma casa: mesmo separados continuam a ser pai e mãe e devem unir-se para educar;
  13. Não ceda a birras, nem seja demasiado benevolente: não deixe que a separação seja uma forma da criança manipular os pais;
  14. Não deixe de impor regras: muitas vezes os pais aceitam todas as exigências da criança, sem impor limites, como forma de minimizar o impacto da separação; esta estratégia traz consequências negativas ao nível do comportamento da criança a longo prazo.

Em suma…

Enquanto pai/mãe deve refletir que não é o divórcio por si só que traz necessariamente consequências negativas para o casal e para as crianças.

É a forma como o processo de divórcio é conduzido que dita se haverão, ou não, consequências futuras. É essencial que todos os elementos da família se respeitem e respeitem o tempo de que cada um necessita para se ajustar à nova realidade.

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