Enfermeira Isabel Silva
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27 Set, 2017 - 15:38

Bolçar: quando é que pode ser um problema

Enfermeira Isabel Silva

Quando o bebé nasce a válvula que sela o estômago ainda não funciona na sua plenitude. Por isso, frequentemente ocorre o bolçar, a expulsão do conteúdo gástrico pela boca.

Bolçar: quando é que pode ser um problema

O refluxo gastroesofágico, é muito frequente nos bebés saudáveis, podendo ocorrer até 30 vezes, ou mais, por dia. Este fenómeno consiste na subida do conteúdo do estômago para o esófago. O bolçar, consiste na expulsão do conteúdo estomacal.

O refluxo acontece nos bebés porque o seu estômago ainda é imaturo e ainda não funciona na sua plenitude. Isto faz com que o conteúdo estomacal retorne facilmente para o esófago.

Bolçar: o que é isto?

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O refluxo gastroesofágico consiste na passagem do conteúdo do estômago para o esófago.

Este fenómeno acontece por dois motivos. Em primeiro lugar o estômago dos bebés tem pequenas dimensões, sendo que facilmente atinge a sua capacidade máxima. Por outro lado, a válvula que separa o estômago do esófago não está completamente funcional não desempenhando a sua função na totalidade.

Grande parte dos episódios de refluxo podem provocar regurgitação. A regurgitação consiste na subida do conteúdo estomacal até à boca, que pode ser posteriormente expulso – bolçar. Normalmente, após estes episódios, o bebé permanece no seu estado habitual.

Bolçar vs vomitar

Bolçar difere de vomitar, uma vez que este implica a expulsão voluntária do conteúdo do estômago. Este é expulso em jato através da contração da musculatura abdominal. Pode ser seguido de choro ou irritação.

O ato de bolçar não constitui um sinal de alarme para os pais. Pelo contrário, vomitar nos primeiros meses de vida é um sinal que os pais devem dar atenção. Em caso de dúvida deve consultar o médico.

Muitas vezes, é difícil para os pais distinguir estas duas situações.

O que é normal?

O bolçar é frequente nos primeiros 3 meses de vida. Este fenómeno atinge o pico aos 4 meses de vida, sendo que este sintoma se observa em mais de 60% dos bebés. Este pico ocorre porque entre os 3 e os 4 meses de vida, a capacidade de sucção é aprimorada, o que pode ser acompanhada de maior refluxo.

A partir dos 5 meses, o refluxo vai diminuindo progressivamente. Aos 6 meses de vida, o refluxo atinge apenas cerca de 20% dos bebés. Habitualmente, entre os 12 e os 14 meses de idade, este fenómeno desaparece.

Sinais de alarme

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Deverá procurar o médico caso observe as seguintes situações:

  • Vómito em jato sistemático;
  • Recusa alimentar;
  • Choro inconsolável;
  • Irritabilidade;
  • Sonolência;
  • Prostração;
  • Febre;
  • Perda de sangue pela boca ou ânus;
  • Obstipação;
  • Diarreia;
  • Distensão ou rigidez abdominal;
  • Perda do peso;
  • Ganho de peso inferior ao esperado.

Como ajudar o seu bebé?

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Na maior parte dos casos, esta situação desaparece com a maturidade do sistema digestivo do bebé. Se o seu bebé se alimenta bem e cresce dentro dos parâmetros normais, se não tem infecções respiratórias persistentes ou perdas de sangue pela boca ou ânus, o refluxo não necessita de tratamentos.

No entanto, há algumas medidas que pode tomar para ajudar o seu bebé:

  • Evite alimentar o bebé deitado;
  • Aguarde que o bebé arrote antes de o deitar;
  • Se o bebé não arrotar com facilidade, coloque-o “de pé” contra o seu ombro dando-lhe leves palmadinhas nas costas;
  • Mantenha o bebé “de pé” durante 15 a 20 minutos após as refeições sem pressionar o abdómen;
  • Se o bebé é alimentado com leite adaptado, opte pelas fórmulas com indicação AR (anti-regurgitante);
  • Fale com o médico sobre a possibilidade de utilizar um espessante para o leite;
  • Evite abanar o bebé após as refeições;
  • Ele a cabeceira do berço a 30 graus com um suporte anti-refluxo ou com recurso a livros, por exemplo;
  • Deite o bebé sempre de barriga para cima;
  • Fracione as refeições, oferendo pouca quantidade de alimento mais vezes ao dia;
  • Evite alimentar o bebé antes de o deitar;
  • Vista roupa confortável ao bebé;
  • Não aperte demasiado a fralda na barriga;
  • Depois da refeição evite trocar a fralda.

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