Enfermeira Bárbara Andrade
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11 Mai, 2017 - 14:13

Tudo sobre o refluxo nos bebés: causas, sintomas e tratamento

Enfermeira Bárbara Andrade

O refluxo nos bebés é uma situação frequente, principalmente nos primeiros meses de vida. Isto provoca o retrocesso da alimentação.

Tudo sobre o refluxo nos bebés: causas, sintomas e tratamento
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O refluxo nos bebés ou refluxo gastroesofágico, é uma situação frequente mas na maioria dos casos é uma situação temporária, geralmente devido ao amadurecimento progressivo do sistema digestivo do bebé. Uma pequena percentagem dos refluxos tornam-se persistentes.

As crianças com menos de um ano de idade têm tendência a regurgitar uma pequena quantidade de leite depois de mamar, e esporadicamente, pode chegar a vomitar (em jato), sem causa aparente. É uma situação comum quer aos bebés que são alimentados ao seio materno, quer com leite artificial.

O refluxo nos bebés pode acontecer devido à imaturidade do trato gastrointestinal superior ou quando existe alguma dificuldade de digestão, intolerância ou alergia ao leite ou a algum outro alimento da sua alimentação.

Algumas crianças, no entanto, regurgitam em grande quantidade, o que causa um grande desconforto e sintomas como azia (sensação de ardor ou queimadura no peito, que se pode estender até ao pescoço), dor ou dificuldade em engolir, tosse ou mesmo vómito.

Causas do Refluxo nos bebés

refluxo nos bebes

A maior parte dos casos de refluxo nos bebés deve-se à imaturidade de uma válvula localizada à entrada do estômago que, quando não isola a entrada deste órgão, leva a que o seu conteúdo retorne para a faringe e boca.

Quando a causa está relacionada à inicial imaturidade fisiológica do bebé e ao processo do desenvolvimento, o refluxo não afeta o seu crescimento e não há outros sintomas ou complicações associadas.

Esta situação também pode ocorrer devido a: alergia a algum alimento ou a estenose pilórica, isto é, a válvula entre o estômago e o intestino delgado é estreita, impedindo o esvaziamento do conteúdo do estômago para o intestino delgado.

Porém, quando o refluxo acontece várias vezes, em grandes quantidades e passado algum tempo depois da mamada, pode comprometer o desenvolvimento do bebé e, por isso, deve ser avaliado pelo pediatra.

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Sintomas de refluxo

sintomas de refluxo nos bebes

O refluxo pode ser identificado geralmente, através da presença dos seguintes sintomas (isolados ou em conjunto):

  • Irritabilidade, com choro constante, particularmente após as refeições;
  • Distúrbios do sono;
  • Falta de apetite ou recusa em alimentar-se;
  • Dificuldade em mamar, mas, no caso de oferecer a chupeta, os movimentos de sucção não estão comprometidos;
  • Náuseas e vómitos constantes;
  • Perda ou ganho insuficiente de peso.

Quando deve consultar o médico?

colicas e refluxo nos bebes

Se o refluxo se mantiver após os 6 meses de idade, pode representar uma situação mais complexa que pode levar ao comprometimento do crescimento e desenvolvimento do seu bebé, sendo necessário o recurso ao pediatra.

Sintomas que não deve de descartar, que podem estar relacionados ou ser causadores do refluxo:

  • Dor abdominal persistente;
  • Obstipação (prisão de ventre);
  • Sangue oculto nas fezes;
  • Hemorragias digestivas;
  • Pneumonias repetidas;
  • Otites repetidas;
  • Infeções respiratórias frequentes;
  • Rouquidão, pois a laringe inflama.

Na presença destes sintomas, é importante levar o bebé ao pediatra ou gastroenterologista pediátrico para fazer o diagnóstico e orientar o tratamento.

Diagnóstico do refluxo nos bebés

diagnostico refluxo em bebes

O diagnóstico do refluxo pode ser feito apenas através do exame físico do bebé e na descrição dos sintomas.

No entanto, existem outros exames que podem ser necessários para avaliar o estado nutricional do bebé, como por exemplo, análises ao sangue e à urina ou exames para investigar o refluxo gastroesofágico, como a radiografia com contraste do sistema digestivo, monitorização do pH do esófago ou endoscopia digestiva alta.

Tratamento do refluxo nos bebés

tratamento refluxo nos bebes

Por norma, após a introdução dos alimentos sólidos, que ocorre por volta dos 4-6 meses, a frequência das regurgitações diminui, no entanto deve de ter em atenção as seguintes situações preventivas de refluxo:

  • Não alimente o bebé na posição de deitado;
  • Mantenha o bebé na posição vertical ou “de pé” durante cerca de 20 minutos após as refeições, sem apertar ou pressionar a barriga, de forma a promover a erutação (arroto);
  • Não agite/balance o bebé após as refeições;
  • Eleve a cabeceira do berço/cama a 30 graus;
  • Deite o bebé de lado;
  • Ofereça pequenas quantidades de alimento de cada vez e várias vezes ao longo do dia;
  • Coloque o bebé numa boa posição durante as mamadas para evitar que entre ar pela boca;
  • Durante as mamadas, verificar que as narinas do bebé se encontram livres para respirar;
  • Evitar que o bebé esteja só a sugar o mamilo e a fazer deste uma chupeta;
  • Promover o aleitamento materno o máximo de tempo;
  • No caso de o bebé se alimentar através de leite artificial, pode ser necessário experimentar vários tipos de fórmulas até achar a adequada;
  • Vista roupa confortável e não aperte demasiado a fralda na zona abdominal;
  • Não ofereça alimentos que agravem os sintomas como chocolate, bebidas açucaradas e refrigerantes, frutas cítricas (laranja, limão), alimentos gordos e fritos, tomate, entre outros;
  • Vigie a frequência com que o bebé evacua, pois a obstipação agrava o problema;
  • Troque a fralda antes de amamentar, de forma a evitar pressionar a barriga do bebé com as pernas, após a alimentação.

De acordo com a orientação do pediatra ou gastroenterologista, alguns bebés podem precisar de tomar medicamentos, para controlar os sintomas e prevenir complicações.

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Entre as medidas recomendadas encontram-se os anti-ácidos que neutralizam a acidez do conteúdo gástrico, medicamentos anti-refluxo (como o motillium), produtos para engrossar o leite (por exemplo, os fortificantes) ou fórmulas anti-refluxo (como o leite anti-regurgitante).

Em última instância, pode ser necessária cirurgia para corrigir a válvula que impede que o alimento volte do estômago para o esófago.

Consequências do refluxo

Como consequências de um refluxo constante nos bebés, podemos encontrar as seguintes:

  • Perda de peso ou ganho insuficiente;
  • Existe o risco de desenvolver esofagite, ou seja, inflamação da mucosa do esófago;
  • Pneumonia de aspiração, devido ao risco de o conteúdo regurgitado entrar no sistema respiratório;
  • Sinusite ou otite;
  • O ácido estomacal pode prejudicar o esmalte dos dentes.

O refluxo nos bebés desaparece na maioria dos casos entre os 6 e os 12 meses de idade, justamente quando os músculos do sistema digestivo começam a funcionar corretamente.

Se o problema persistir, é extremamente importante que consulte seu médico.

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