Nutricionista Hugo Canelas
Nutricionista Hugo Canelas
26 Out, 2022 - 18:32

Importância da alimentação na recuperação de lesões

Nutricionista Hugo Canelas

A perda de massa muscular é o principal reflexo de uma inadequada alimentação durante a recuperação de lesões.

Neste artigo, fique a conhecer a importância da alimentação na recuperação de lesões, com especial enfoque na ingestão calórica e proteica.

O aporte adequado de energia, macro e micronutrientes é essencial no processo de regeneração dos tecidos e estruturas lesionadas, podendo ser fatores decisivos na velocidade de recuperação de lesões, em especial as relacionadas com o desporto.

Qual é o papel da alimentação na recuperação de lesões?

Uma das principais preocupações associadas às lesões é a perda de massa muscular, relacionada principalmente com a interrupção da prática desportiva.

No entanto, paralelamente a isto, verifica-se o decréscimo da taxa de síntese de proteínas musculares, outro dos fatores que mais contribuem para a perda de massa muscular durante a recuperação.

Para além disso, com a imobilização surge a chamada resistência anabólica, ou seja, uma resposta diminuída ao estímulo para a produção de proteínas musculares que envolvem entre outros, a insulina e os aminoácidos essenciais.

Assim sendo, o foco de qualquer intervenção nutricional deve ser minimizar a perda de massa muscular, através de estratégias alimentares que contrariem este processo.

Ingestão energética

Uma das principais dificuldades encontradas pelos nutricionistas no processo de recuperação de lesões é a determinação das necessidades energética. Como falamos de atletas, é expectável que o gasto energético diminua substancialmente durante o processo de recuperação.

Obviamente que no sentido de manutenção do peso e composição corporal, a ingestão energética deve acompanhar esta súbita descida das necessidades alimentares. O problema é que, muitas vezes, o gasto energético não diminui tão drasticamente como se esperava.

Para além, o próprio processo inflamatório associado à recuperação aumenta as necessidades energéticas em repouso. Em conjunto, estes dois fatores podem provocar um défice energético inesperado tal, ao ponto de conduzir á perda de massa muscular e comprometer todo o processo de recuperação.

A razão para o impacto da carência energética na recuperação de lesões prende-se em parte com o seu envolvimento na síntese proteica.

É sabido que mesmo reduções moderadas no aporte energético podem ter um impacto negativo na síntese de proteínas musculares, exacerbando a perda de músculo e comprometendo todo o processo.

Isto não quer dizer que a ingestão energética deva ser livre, uma vez que o excesso calórico está também associado com a perda de massa muscular, especialmente no caso de músculos inativos ou pouco treinados.

Ingestão proteica

Para além da ingestão energética, sabe-se ainda que o aporte proteico adequado pode minimizar a perda de massa muscular no processo de recuperação de lesões.

O problema está precisamente no facto de muitas vezes, esta premissa essencial não ser respeitada. Uma redução subida na ingestão proteica, em especial se a esta for igual ou superior a 1,5 g/kg/dia, resulta num balanço nitrogenado negativo que culmina invariavelmente na perda de massa muscular.

Foi demonstrado que atletas que consumam quantidades relativamente elevadas de proteína (cerca de 2,3 g/kg/dia) apresentavam perdas de massa muscular menos pronunciadas do que aqueles que consomem menos proteína (cerca de 1 g/kg/dia), em períodos de carência energética.

Partindo do princípio que a síntese de proteína muscular é máxima em resposta á ingestão de 20 a 25 g de proteína de alto valor biológico (ou 0,25-0,30 g/kg) mas que tanto a recuperação como a possível resistência anabólica aumentam estas necessidades, podemos assumir que um incremento da ingestão proteica, até 2,5 g/kg/dia é essencial para o sucesso do processo.

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