Tem tatuagens? Saiba que pode dar sangue!

Infelizmente ainda existe o pensamento que as pessoas que têm tatuagens ou piercings não podem dar sangue. Vamos desmistificar este pressuposto. Saiba tudo.

Tem tatuagens? Saiba que pode dar sangue!
Dada a importância de dar sangue, é importante desmistificar o assunto.

Dar sangue é sem dúvida, um ato simples mas que ajuda a salvar um sem número de vidas, pelo que o ato de dar sangue é considerado uma dádiva, no entanto. existem algumas condicionantes relacionadas com esta prática, e se tem tatuagens, saiba que pode dar sangue!

Frequentemente as pessoas associam que quem tem tatuagens não pode dar sangue, no entanto, esta ideia está praticamente errada, pois quem tem tatuagens só não pode dar sangue nos 4 meses após a realização da tatuagem. As pinturas, maquilhagem definitiva, piercings e uso de transfers não contra-indicam dar sangue.

Quais as condições para ser dador de sangue?


dador de sangue com tatuagens

Apesar de ser um acto invasivo, mas relativamente simples e de curta duração, saiba que pode dar sangue se cumprir com certos requisitos, de forma a que o seu sangue seja considerado elegível e benéfico para quem o receber, pelo que esses critérios são:

  • Ter entre 18 e 65 anos (60 no caso de ser uma primeira dádiva de sangue), após os 65 anos de idade pode dar sangue com autorização do seu médico de serviço do sangue;
  • Apresentar um peso corporal igual ou superior a 50 quilogramas (kg);
  • Apresentar hábitos de vida saudáveis.

Ao não cumprir alguns destes critérios, fica automaticamente excluído da possibilidade de dar sangue.

Devido ao comportamento e ao estilo de vida, algumas pessoas não devem dar sangue por estarem mais expostas a determinados agentes infeciosos, que podem comprometer a segurança da transfusão. Existem no entanto, algumas condicionantes temporárias para dar sangue, tais como:

  1. As tatuagens e os piercings só são considerados impedimento para a dádiva de sangue no caso de terem sido feitos nos 4 meses anteriores ao momento da recolha de sangue. Pelo que se tiver sido tatuado há mais tempo saiba que pode dar sangue sem qualquer problema;
  2. Cirurgias, exigem um período de quarentena de 4 meses até poder dar sangue novamente caso não tenha tido complicações e não tenha recebido transfusão de sangue. Caso tenham ocorrido complicações (re-internamento, dificuldade de cicatrização) deverá aguardar 6 meses;
  3. Transfusão de sangue recente, exige um período de 12 meses sem poder dar sangue;
  4. Se recebeu uma transfusão de sangue antes de 1980 pode continuar a dar sangue. Se recebeu uma transfusão após 1980 não poderá dar sangue, isto surge na sequência do risco de transmissão de uma variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (vCJD), também designada por doença das vacas loucas;
  5. Febre ou gripe nas 2 semanas anteriores à dádiva de sangue. Em caso de infeção aguda (limitada no tempo) poderá dar sangue 7 dias após terminar o antibiótico e desde que esteja assintomático;
  6. Ter mudado de parceiro sexual há menos de 6 meses;
  7. Estar grávida implica não poder dar sangue, bem como 90 dias após o parto normal e de 180 dias após a cesariana;
  8. Estar a amamentar impede de dar sangue durante este período pode afetar as reservas de ferro, pelo que se considera seguro para a mãe e para o bebé, dar sangue 3 meses após suspensão da amamentação ou 1 ano após o parto;
  9. Anemia;
  10. Se teve paludismo/malária nos últimos 3 anos;
  11. Se fez endoscopia ou colonoscopia nos últimos 4 meses.

Entretanto, como condicionantes absolutas à dádiva de sangue temos:

  1. Já ter consumido drogas por via endovenosa;
  2. Ter tido relações sexuais desprotegidas (sem preservativo) com múltiplos parceiros;
  3. Ser seropositivo para o vírus HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), e/ou portador crónico do vírus da Hepatite B ou da Hepatite C;
  4. Tem história familiar de Doença de Creutzfeldt-Jacob e variante – DCJ, vDCJ (doença das vacas loucas);
  5. Fez tratamento com hormona de crescimento, pituitária ou gonadotrofina de origem humana;
  6. Fez transplante de córnea ou dura-máter.

 

Se tem tatuagens, saiba que pode dar sangue: mas o porquê do período de quarentena?


dois coracoes ligados entre si

Quer as tatuagens, como a maquilhagem definitiva ou os piercings, são procedimentos que são realizados com agulhas, e o problema é que quando vai dar sangue, a entidade que recolhe o sangue não tem forma de saber se esses procedimentos foram realizados de acordo com as normas de desinfecção e com material (por exemplo: agulhas) estéril e de utilização única, ou seja, isentas de qualquer microrganismo e nunca usadas previamente noutra pessoa.

A forma correta de executar esses procedimentos é com agulhas esterilizadas e descartáveis, nunca usadas em mais do que uma pessoa, de forma a evitar contrair uma doença transmissível pelo sangue de outra pessoa.

O prazo de 4 meses após tatuagem, maquilhagem definitiva ou piercings, foi definido para garantir que o doador não foi exposto a nenhum microrganismo e que o futuro receptor daquele sangue também não será exposto.

O período de quarentena de 4 meses após fazer a tatuagem é considerado o prazo necessário para que, no caso de a pessoa ter contraído algum vírus aquando da tatuagem, este tenha tempo de se manifestar. Durante esse período o vírus pode ficar incubado sem apresentar qualquer sintoma. Por exemplo, o vírus da Hepatite B pode ficar incubado durante 4 meses sem apresentar nenhum sintoma.

Pode sempre dar sangue imediatamente antes de fazer outra tatuagem


homem a dar sangue

A restrição de 4 meses ainda é relativamente longa, e nunca sabemos quando nós, ou uma pessoa próxima poderá precisar de sangue, pelo que desta forma, acaba por ajudar a aumentar o stock do banco de sangue.

São apenas 450 ml de sangue que são colhidos, isso representa menos de 10% do sangue total do nosso corpo que é de aproximadamente 5 litros, e o organismo repõe a quantidade doada no mesmo dia.

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Enfª Bárbara Andrade Enfª Bárbara Andrade

Bárbara Andrade é Enfermeira Especialista em Reabilitação e Formadora em várias entidades. Desta forma, tem como princípios a promoção e a educação para a Saúde nas diferentes faixas etárias. Terminou a Especialidade em Enfermagem de Reabilitação na ESEnfCVPOA e exerce atualmente o cargo de enfermeira no CHEDV - HSS.