Sushi na gravidez: verdades e mitos associados

O tema sushi na gravidez suscita muitas dúvidas à maioria das mulheres. Será que pode ou não ser consumido durante esta fase? Tire as suas dúvidas.

 
Sushi na gravidez: verdades e mitos associados
Saiba se deve ou não comer sushi durante a gravidez.

Consumir sushi na gravidez pode gerar alguma polémica e irá com certeza aperceber-se disso se começar a pesquisar. A verdade é que este alimento é atualmente um vício por grande parte das pessoas e é muito importante que as mulheres grávidas possam compreender quais os riscos podem estar associados ao seu consumo durante a gestação.

Sushi do ponto de vista nutricional


sushi na gravidez sushi e molhos

Antes de mais, é importante contextualizar o tema e compreender de facto em que consiste esta iguaria. O sushi é um prato de origem japonesa, sendo nos dias de hoje bastante consumido também no ocidente.

Tradicionalmente, o sushi é um prato à base de peixe e/ou marisco fermentado e arroz, conservado com sal. Do ponto de vista nutricional, o sushi pode ser bastante interessante por não ter gordura adicionada e por ser rico em proteína, vitaminas, minerais e ómega-3, apesar do seu teor considerável em hidratos de carbono, naturalmente presentes no arroz.

Atualmente, o sushi sofreu algumas alterações na sua forma de preparação, uma vez que o peixe fermentado deixou de ser utilizado, passando a usar-se peixe cru. Após esta alteração, surgiu ainda o chamado sushi de fusão, onde foram introduzidos dezenas de outros ingredientes, tais como frutas, queijo-creme, maionese ou marmelada.

No caso deste tipo de sushi, as características nutricionais positivas do sushi tradicional mantêm-se. No entanto, dependendo dos ingredientes adicionados, o teor de gordura pode aumentar, assim como o valor energético deste prato.

Juntamente com o sushi, muitas outras variâncias são também habitualmente servidas, tais como sashimi, temaki, uramaki, kappamaki ou hot sushi.

Quais os riscos associados ao consumo de sushi?


sushi na gravidez consumir pecas de sushi

O sushi é um prato que, por não ser cozinhado, pode ter alguns riscos associados aos seu consumo, seja em grávidas ou nas pessoas em geral, tais como:

  • Reações alérgicas;
  • Contaminação por bactérias ou parasitas, como Salmonella, Listeria monocytogenes ou Anisakis simplex;
  • Possibilidade de preparação de sushi com peixes venenosos.

No entanto, apesar de existir algum risco associado ao consumo deste prato, geralmente não é alarmante, considerando que os restaurantes cumprem as regras de conservação e preparação deste tipo de alimentos.

Assim, é importante que procure comer sushi em locais da sua confiança. Para além disso, é aconselhável comer o sushi juntamente com wasabi, um tempero japonês com poder anti-bacteriano.

Sushi na gravidez: qual o risco do seu consumo?


sushi na gravidez mulher a comer uma peca de sushi

Para além dos riscos associados ao consumo do sushi já referidos, que poderão sempre interferir com o bem-estar da grávida, o sushi na gravidez pode implicar outros perigos que poderão colocar em risco o bem-estar do feto. A complicação mais prejudicial para o feto que pode surgir é a Toxoplasmose.

Sushi e Toxoplasmose

A Toxoplasmose deverá ser devidamente valorizada, uma vez que a gestante infetada poderá transmitir ao feto através da placenta e, uma vez infetado, este poderá desenvolver complicações como malformações, baixo peso à nascença, parto prematuro ou mesmo aborto espontâneo.

As normas de segurança alimentar associadas ao consumo de peixe do mar recomendam que este seja cozinhado a uma temperatura superior a 63ºC ou congelado a temperaturas a partir dos -20ºC.

No entanto, os restaurantes de comida japonesa procuram sempre servir o peixe o mais fresco possível, por considerarem que se perde bastante qualidade no peixe durante o processo de congelação, que fica com uma textura mais aguada.

A verdade é que, se o peixe for devidamente congelado antes da preparação, o risco de Toxoplasmose desaparece, pois os oócitos do agente causador, o Toxoplasma gondii, são destruídos, eliminando a possibilidade de contaminação, desaparecendo assim este perigo do sushi na gravidez.

Para além disso, o peixe não é naturalmente portador do agente causador da Toxoplasmose. Os oócitos de Toxoplasma gondii reproduzem-se apenas nas células que revestem o intestino dos gatos, encontrando-se então habitualmente nas fezes destes animais. No entanto, é importante considerar que o peixe poderá ser contaminado de variadas formas com ovos do agente causador de Toxoplasmose.

5 dicas para comer sushi na gravidez


sushi na gravidez manuseamento das pecas de sushi

Se está grávida e se comer sushi é um vício para si, então considere estas 5 dicas, que resumem os cuidados a ter quando consome este prato:

  1. Escolha um restaurante onde já tenha ido previamente e nunca tenha tido qualquer tipo de complicação;
  2. Procure saber a origem e o modo de preparação do peixe (especialmente se existe congelação prévia);
  3. Tenha em atenção a forma como o peixe é manuseado e os cuidados de higiene do restaurante que visita, o que poderá ser mais fácil uma vez que o sushi é geralmente preparado à vista dos clientes;
  4. Acompanhe o sushi com wasabi e/ou gengibre;
  5. Limite o consumo de peixe selvagem nessa semana, para evitar o risco de aumento dos níveis de mercúrio.

 

Em suma…


Se souber que o peixe é devidamente congelado, previamente à sua preparação e que existem condições higieno-sanitárias adequadas no restaurante que costuma frequentar, então poderá matar o desejo de sushi.

No entanto, a maioria dos médicos acaba por desaconselhar o consumo de sushi na gravidez, uma vez que, por não conhecerem o tipo de produto utilizado, os métodos de preparação e as condições higieno-sanitárias dos locais que a grávida frequentará, podem considerar mais prudente não arriscar.

Assim, o ideal será aconselhar-se junto do seu obstetra ou médico de família acerca destas e de todas as outras escolhas alimentares.

Nutricionista Carolina da Costa Arcanjo Nutricionista Carolina da Costa Arcanjo

Mulher, tripeira e Nutricionista (C.P. 2181N). É licenciada em Ciências da Nutrição pela Universidade Católica Portuguesa e autora do blog "Comer para crer". Desenvolveu atividade em várias áreas da Nutrição, mas a paixão pela área clínica e pela comunicação tem prevalecido.

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