Obesidade: a realidade de mais de 5 milhões de portugueses

A OMS considera a obesidade a epidemia do século XXI e são 1500 os portugueses que, por ano, pedem a vida por doença derivadas da condição.

Obesidade: a realidade de mais de 5 milhões de portugueses
Desengane-se: gordura não é formosura.

Sobre a obesidade, o dicionário diz “excesso de peso” mas é muito mais do que isso: é uma sentença de morte. Não será hoje, pode não ser amanhã, mas será, com toda a certeza, antes do  seu tempo. Apesar disto, porque o corpo humano é uma máquina muito funcional, a obesidade é reversível e, assim que se começam a perder os quilos a mais, notam-se alterações significativas na sua qualidade de vida.

A obesidade em Portugal em 2018


De acordo com o “Retrato da Saúde em Portugal 2018”, o estudo do Serviço Nacional de Saúde sobre a saúde dos portugueses na última década, há mais de 5 milhões de portugueses obesos.  Pode ler-se no relatório que “5,9 milhões de portugueses têm excesso de peso, 8 em cada 10 idosos apresentam excesso de peso e os indivíduos menos escolarizados apresentam maior prevalência de excesso de peso e de obesidade abdominal. Apenas 41,8% dos cidadãos apresenta uma prática regular de actividade física, desportiva e/ou de lazer”.

Um estudo da Organização Mundial de Saúde, publicado em meados de 2017, concluiu que, entre 2002 e 2014, Portugal estagnou no combate à obesidade. O consumo de legumes é insuficiente e a quantidade de fruta que cada português come caiu drasticamente nos últimos 12 anos.

Margarida Gaspar de Matos, coordenadora portuguesa do trabalho da OMS, disse na data do lançamento do estudo que “Os níveis de obesidade nos adolescentes são preocupantes, associados a uma má alimentação, pouca actividade física e comportamentos sedentários” e frisou que “quanto mais cedo a obesidade se instala mais difícil é combatê-la e mais se acumulam os efeitos prejudiciais para a saúde física, mental e social”

Também no final de 2017, um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto concluiu que 60% dos portugueses têm obesidade ou vivem em risco de a desenvolverem. Os dados obtidos indicam que 22% dos portugueses têm obesidade e 34% pré-obesidade.

Como saber se sofre de obesidade


Antes de avançar, importa saber se está em situação de risco. Para isso, calcula-se o índice de massa corporal (IMC), dividindo-se o peso (kg) pela altura ao quadrado (cm). Assim, considerando uma pessoa que meça 173 cm e pese 98 kg, o cálculo deve ser feito da seguinte forma:

= 98 ÷ (1,73 x 1,73)
= 98 ÷ 2,9929
= 32,74

De acordo com a tabela de IMC, este valor corresponde a obesidade de grau I.

Outra medida importante para a avaliação do risco de doenças relacionadas com a obesidade é o perímetro abdominal, diretamente relacionado com o risco de doenças cardiovasculares. Ainda que o IMC esteja dentro de valores normais, a cintura não pode ultrapassar os 88 cm, no caso das mulheres, e os 100 cm, no caso dos homens.

Causas da obesidade


O excesso de peso e gordura resulta do excesso de calorias. Ao consumir mais do que aquilo que precisa, ou seja, ao consumir mais energia do que aquela que dispende, a gordura acumula-se no organismo.

Uma vida sedentária, com muito pouco ou nenhum exercício físico e a ingestão de calorias acima das necessidades energéticas individuais é o combustível perfeito para a obesidade.

Estudos comprovam que existe uma predisposição genética para a obesidade, por exemplo, filhos de pais obesos têm mais riscos de obesidade. Porém, este não pode ser um dado adquirido! Com uma alimentação equilibrada e exercício fisico regular é possível inverter o quadro e a educação alimentar tem de ser iniciada desde o momento em que o bebé começa a diversificação alimentar.

Consequências da obesidade


Não é preciso chegar a valores de obesidade de grau I, II ou obesidade mórbida para as consequências aparecerem. Por si só, o excesso de peso e sedentarismo são a causa de muitos problemas de saúde, nomeadamente:

  • Hipertensão arterial;
  • Arteriosclerose;
  • Insuficiência cardíaca congestiva;
  • Angina de peito;
  • Hiperlipidémia;
  • Alterações de tolerância à glicose;
  • Diabetes tipo 2;
  • Gota;
  • Dispneia;
  • Fadiga;
  • Síndroma de insuficiência respiratória do obeso;
  • Apneia de sono;
  • Embolismo pulmonar;
  • Esteatose hepática;
  • Litíase vesicular;
  • Cancro do cólon;
  • Infertilidade;
  • Amenorreia;
  • Incontinência urinária;
  • Hiperplasia;
  • Cancro do endométrio;
  • Cancro da mama;
  • Cancro da próstata;
  • Hipogonadismo, hipotalâmico e hirsutismo;
  • Osteartroses;
  • Insuficiência venosa crónica;
  • Risco anestésico;
  • Hérnias;
  • Propensão a quedas;
  • Degenerações das articulações (coluna, quadril, joelhos e tornozelos);
  • Fungos e infeções de pele;
  • Mobilidade reduzida;
  • Depressão;
  • Baixa autoestima.

 

Como tratar a obesidade?


O tratamento da obesidade passa pela adoção de hábitos alimentares saudáveis, respeitando as necessidades energéticas individuais. Esta é a chave para a perda de peso. O exercício físico torna-se fundamental para conseguir, não só perder peso, mas para aumentar a mobilidade.

Em último caso, e sob a recomendação médica, a cirurgia bariátrica pode ser uma solução para a perda de peso. Em qualquer caso, o acompanhamento com uma equipa multidisciplinar é fundamental para se conseguir atingir o objetivo da perda de peso de forma saudável.

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