Está a passar por uma crise existencial? Saiba como agir

Se está a atravessar uma crise existencial importa procurar ajuda no sentido de desenvolver maior autenticidade e maior abertura das suas perspectivas.

 
Está a passar por uma crise existencial? Saiba como agir
Na vida, a ansiedade é inevitável

Todos temos as nossas dificuldades de existência, em que o sofrimento humano se pode manifestar sob a forma de crise existencial, perturbações psicopatológicas, distúrbios psicossomáticos, conflitos intra e inter-pessoais, entre outros.

Crise existencial: o que é uma crise em saúde mental?


crise existencial mulher a janela pensativa

Quando eventos stressantes sobrecarregam a nossa capacidade para enfrentar ameaças e desafios pode ocorrer uma crise existencial. Assim sendo, as crises são períodos de desequilíbrio que têm como consequências diversos problemas que as pessoas sentem não ser capazes de resolver recorrendo unicamente às estratégias e recursos aos quais recorrem habitualmente.

A crise existencial é, muitas vezes, parte previsível do ciclo de vida, pode estar relacionada com conflitos internos e com o sentido da vida, ou seja, a vivência de uma crise não está necessariamente relacionada com a vivência de acontecimentos traumáticos.

Por muito que tentemos evitar, as crises são inevitáveis ao longo da nossa vida. São desagradáveis, obrigam-nos a sair da nossa zona de conforto e podem variar ao nível da severidade.

Sem as experiências de ansiedade, uma grande parte da nossa existência deixaria de fazer sentido. Existir envolve, inevitavelmente, a consciência de tragédia inerente à condição humana, sentimentos de insegurança e frustração, perdas irreparáveis, mas também consciência da esperança que resulta da liberdade de escolha, da auto-realização, da dignidade individual, do amor e da criatividade.

A ansiedade existencial não pode ser eliminada das nossas vidas na sua totalidade e está presente de diversas formas, tais como:

  • Ansiedade face à morte: possibilidade do fim de todas as suas possibilidades; ansiedade em relação ao destino, sobre o qual não temos o menor controlo ou influência;
  • Ansiedade de falta de sentido ou vazio: perda de um centro espiritual; reavaliação de uma crença outrora sólida; conflito falta de sentido/projeto e a coragem e a capacidade para continuar em direção ao futuro apesar do desespero;
  • Ansiedade de culpa: estar preso à noção de culpa; não assumir responsabilidade pela própria felicidade e realização.

 

Está a passar por uma crise existencial? Procure ajuda!


crise existencial mulher em psicoterapia

Como vimos, a ansiedade existencial e a vivência de uma crise existencial fazem parte da nossa existência como seres humanos. A forma como lidamos com esta ansiedade e com estes momentos de crise é que definem se esta ansiedade se torna, ou não patológica.

A ansiedade patológica é aquela que resulta no evitamento do problema, que causa sentimentos de desamparo, grande tensão interior e impotência, e que leva à manutenção da ansiedade.

Erradicar total e definitivamente a ansiedade das nossas vidas não é possível, contudo, a psicologia pode ajudar-nos a encontrar formas mais construtivas de lidar com este sentimento tão devastador. Aumentar a consciência acerca da ansiedade, obter mais e melhores conhecimentos acerca da mesma, da forma como afeta o nosso corpo e da forma como se perpetua, reestruturar objetivos de vida, são formas positivas de enfrentar e aprender a lidar com a ansiedade.

O psicólogo pode ser um recurso particularmente importante em situações de crise, na medida em que, associados às crises tendem a surgir sentimentos de falta de controlo, de desânimo, tristeza e ansiedade.

A psicoterapia individual pode constituir uma abordagem importante nas situações de crise existencial, na medida em que pode ajudar a:

  • Facilitar ao indivíduo uma atitude mais autêntica em relação a si próprio (processo gradual de auto compreensão com a finalidade do sujeito vir-a-ser mais verdadeiro e coerente consigo próprio);
  • Promover uma abertura cada vez maior das perspetivas do indivíduo em relação a si próprio e ao mundo (autoavaliação das suas crenças, valores e aspirações);
  • Clarificar como agir no futuro (facilitar a abertura a novas possibilidades);
  • Facilitar o encontro do indivíduo com o significado da sua existência (promover o confronto e a reavaliação da compreensão que o indivíduo tem da vida, dos problemas que tem enfrentado e dos limites impostos ao seu modo de estar no mundo);
  • Promover o confronto e a superação da ansiedade que emerge dos dados da existência.

 

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!

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