Amizade tóxica: quando uma amizade nos faz mal

Na amizade, mais do que a quantidade, importa a qualidade. Uma amizade tóxica pode ter grande influência negativa ao nível do bem-estar. Saiba mais.

Amizade tóxica: quando uma amizade nos faz mal
Na amizade verdadeira há um prazer enorme na companhia do outro

São vários os amigos que vão passando pela nossa vida, ao longo das suas diferentes fases. Os amigos são essenciais e todos precisamos de os ter por perto, no entanto, há que saber distinguir uma amizade genuína de uma amizade tóxica.

A importância das relações de amizade


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Os amigos de infância são inesquecíveis, os amigos da faculdade acompanham-nos até ao resto da vida e no trabalho fazemos novas amizades. Manter amizades saudáveis contribui para o nosso bem-estar, qualidade de vida, felicidade e saúde mental.

A amizade estimula a socialização e a intimidade, e inibe a solidão, a ansiedade e a depressão. Com os amigos críamos vínculos únicos e especiais e partilhamos interesses comuns e afinidades.

Os amigos são fonte de ajuda. Estão presentes no melhor e no pior e não viram a cara às nossas adversidades. Conhecem as nossas fragilidades, mesmo as mais bem escondidas, e também nos chamam à razão sempre que é preciso.

Com os amigos aprendemos a ser e a estar. Aprendemos a ter consciência do outro e das suas necessidades e fragilidades. Aprendemos a falar, a escutar e a respeitar. Mas serão todas as amizades assim tão positivas? Talvez não. Vamos tentar diferenciar uma amizade tóxica de uma amizade verdadeira!

Amizade tóxica: quando uma amizade nos faz mal


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É possível que uma amizade que começou de forma próxima e positiva se vá tornando, de forma gradual, numa amizade tóxica. Provavelmente já todos vimos uma amizade aparentemente inócua tornar-se numa amizade tóxica.

Começam a surgir comentários cáusticos, sarcásticos e depreciativos, que fazem com que o outro se sinta diminuído e magoado. As necessidades, opiniões e atitudes do outro começam a ser desvalorizadas de forma frequente e a empatia pelos problemas do outro desaparecem por completo.

Deixa de haver tempo para partilha, entreajuda, momentos de diversão e bom humor, e as confidências outrora partilhadas podem começar a ser maliciosamente partilhadas com terceiros. O trabalho e os sucessos do outro são sabotados e pode haver intenção de o deixar isolado e afastado de outras relações de amizade.

De forma simples, uma amizade tóxica é aquela em que:

  • Prevalecem os comentários depreciativos, que provocam insegurança e ansiedade;
  • Os sentimentos alheios são ignorados e reina o egocentrismo;
  • Podem existir tentativas de influenciar negativamente outros amigos, de forma a provocar isolamento e solidão;
  • Os sucessos alheios são ignorados;
  • A sabotagem ao outro e aos projetos do outro é constante;
  • É mais provável que nos façam mal do que bem;
  • Não há apoio nem ajuda nos momentos menos bons. Pelo contrário, as falhas tendem a ser evidenciadas e as críticas depreciativas e frequentes;
  • Pode haver a intenção de manipular, controlar e criar dependência no outro de forma a alcançar os próprios objetivos;
  • Apenas um dos elementos contribui para a relação de amizade. Quando os compromissos são constantemente desmarcados, as chamadas e mensagens não são devolvidas e os programas de lazer são planeados tendo em conta apenas os próprios interesses;
  • Pode haver uma tentativa de limitação da autonomia e independência alheia.

Terminar uma amizade que em tempos foi prazerosa pode ser doloroso mas, por vezes, é preciso terminar uma amizade tóxica, de forma a evitar malefícios ao nível da saúde mental e bem-estar. Nem todas as amizades nos acompanham ao longo da vida. É importante que sejamos gratos pelos bons momentos partilhados e que as adversidades vividas nos façam crescer e aprender.

Em suma…


São vários os pontos a ter em conta na hora de distinguir uma amizade tóxica de uma amizade verdadeira. Uma amizade genuína é aquela que encara o outro no seu todo, como pessoa com necessidades, vontades e emoções próprias.

É aquela amizade em que há um prazer enorme na companhia do outro. Traz crescimento, entreajuda, partilha e bem-estar. Implica a descentralização do próprio umbigo. Implica estar emocionalmente disponível para o outro, mesmo que, por vezes, implique algum sacrifício e desconforto pessoal.

Ao contrário do que acontece numa amizade tóxica, numa amizade genuína a crítica é feita com o objetivo de ajudar, de cuidar, de proporcionar mudanças positivas. É feita de forma construtiva e carinhosa.

Abandonar uma amizade tóxica é, por vezes, difícil. Muitas vezes, a vítima não tem consciência dos malefícios e mal-estar que a relação de amizade lhe está a causar. Muitas vezes, apenas em retrospetiva se apercebe dos pequenos sinais que foram sendo ignorados e que davam conta da toxicidade da relação.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!