Psicóloga Ana Graça
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13 Dez, 2018 - 13:35

Síndrome de Tourette: viver com tiques motores incontroláveis

Psicóloga Ana Graça

A síndrome de Tourette, muito conhecida pelos tique e pelas palavras obscenas, é mais comum do que aquilo que pensamos. Saiba mais sobre esta síndrome.

Mulher a pensar

A síndrome de Tourette, descrita pela primeira vez em 1825, é uma patologia neuropsiquiátrica que habitualmente tem início na infância. Esta perturbação tem um grave impacto na vida de quem dela padece e dos seus familiares, pelo que importa conhecê-la.

Compreender a síndrome de Tourette

Até há bem pouco tempo esta síndrome era considerada rara, no entanto, dados recentes têm vindo a mostrar outra realidade. Estas investigações indicam que a taxa de prevalência da síndrome de Gilles de La Tourette pode variar de 1% a 2,9% em alguns grupos.

Foi em 1825 que foi descrito o primeiro caso desta síndrome. O paciente em questão apresentava tiques múltiplos e comportamentos fora do comum, tais como uso involuntário ou inapropriado de palavras obscenas e repetição involuntária de um som, palavra ou frase proferida por outra pessoa.

Esta síndrome ocorre em todo o mundo e a prevalência nos indivíduos do sexo masculino é três a quatro vezes maior do que no sexo feminino. Surge frequentemente associada a outras patologias do foro mental, tais como hiperatividade com défice de atenção e transtorno obsessivo compulsivo.

Causas e sintomas da síndrome de Tourette

Mulher com síndrome de Tourette

A síndrome de Tourette é um distúrbio genético, de natureza neuropsiquiátrica, associada a alterações neurofisiológicas e neuroanatómicas.

As suas causas ainda não estão totalmente explicadas e inúmeras investigações continuam a ser feitas, inclusive no sentido de perceber qual a influência de fatores ambientais como o tabagismo, o stress, infeções e disfunção auto-imune, que podem surgir no período pré, peri ou pós-nata.

Caracteriza-se pela presença de comportamentos compulsivos, que resultam numa série repentina de múltiplos tiques motores e um ou mais tiques vocais. Geralmente, os portadores desta síndrome apresentam, inicialmente, tiques simples, que vão evoluindo para tiques mais complexos, no entanto, o quadro clínico pode variar de pessoa para pessoa.

Estes tiques são movimentos anormais, rápidos, súbitos, sem propósitos e irresistíveis, que tendem a agravar em quantidade e exuberância nas situações de ansiedade e tensão emocional. Pelo contrário, tendem a atenuar em situações de repouso e em situações que exigem concentração.

A. Tiques motores

  1. Piscar os olhos.
  2. Realizar movimentos de torção de nariz e boca.
  3. Imitação de gestos realizados por outras pessoas.
  4. Gestos obscenos.
  5. Caretas faciais.
  6. Estalar a mandíbula.
  7. Trincar os dentes.
  8. Movimento dos dedos das mãos.
  9. Sacudidelas de cabeça, pescoço, ou outras partes do corpo.
  10. Manutenção de certos olhares.
  11. Bater palmas.
  12. Saltitar, rodar ou rodopiar.

B. Tiques verbais

  1. Emissão de sons (pigarrear; fungar; gritar).
  2. Palavras obscenas.
  3. Repetição de palavras ou frases.
  4. Repetição involuntária de frases proferidas por outras pessoas.
  5. Uso repetido de palavras aleatórias.

C. Tique sensitivo

  1. Sensação somática nas articulações, nos ossos e nos músculos que obrigam o portador da síndrome de Tourette a executar um movimento voluntário para obter alívio. Este tique nem sempre está presente.

Tratamento da síndrome de Tourette

Zona: sintomas, fatores de risco e tratamento

A síndrome de Gilles de La Tourette não tem cura e o tratamento é estritamente sintomático e muitas vezes desnecessário nas formas leves da doença. No entanto, é importante que quando pertinente, este se inicie o mais rápido possível, de forma a minimizar os danos que a patologia pode causar ao paciente.

O tipo de tratamento a implementar deve ser sempre adaptado a cada portador da síndrome e discutido com a equipa clínica que o acompanha. Habitualmente inclui a combinação das abordagens farmacológica e psicológica.

A abordagem farmacológica permite aliviar e controlar os sintomas. Já a abordagem psicológica é útil para não só para o paciente mas também para orientar as pessoas que lhe são próximas, ajudando-as a obter um maior entendido acerca da patologia e da melhor forma de lidar com o portador da síndrome de Tourette.

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