Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
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14 Set, 2020 - 09:10

Leptospirose canina: o que é, sintomas e tratamento desta zoonose

Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária

A leptospirose canina pode ser prevenida através da vacinação. Saiba tudo sobre esta doença que pode afetar cães e outras espécies.

Cão com sintomas de leptospirose canina

A leptospirose canina é uma doença que afeta vários mamíferos incluindo o Homem. É, portanto, uma doença com muita importância a nível de saúde pública, sendo importante conhecer os sinais clínicos para um diagnóstico precoce e evitar a transmissão.

O que é a leptospirose canina?

Cão no veterinário

A leptospirose canina é uma zoonose (doença transmissível entre animais e o Homem e vice-versa) provocada por uma bactéria do género Leptospira e a sua transmissão ocorre maioritariamente através da urina de animais infetados, principalmente ratos, daí que zonas onde existem ratos seja maior o risco de contaminação.

Alguns animais como os ratos atuam como reservatórios, ou seja, não manifestam qualquer problema associado à doença, no entanto, excretam e contaminam o ambiente com leptospiras (forma infeciosa e transmissível da leptospirose canina).

Quando um animal, como o cão ou os humanos, entram em contacto com essas mesmas leptospiras adoecem, sendo que a doença se pode apresentar de forma aguda (repentina) ou crónica (gradual).

A transmissão pode também ocorrer por via placentária, mordeduras ou ingestão de carne contaminada.

Quando em contacto com a bactéria, esta entre no organismo através das mucosas ou feridas cutâneas e, posteriormente, passa para o sangue. Pode afetar os rins e o fígado, daí que os sinais clínicos desta doença sejam variados, uma vez que afeta vários órgãos.

Sintomas de leptospirose canina

Cão no veterinário a ser preparado para cirurgia

Os sintomas da doença são bastante inespecíficos, uma vez que a bactéria afeta diversos órgãos. É necessário estar atento ao surgimento destes sintomas no animal e, caso apareçam, é preciso uma investigação clínica, através de vários exames.

O sinal mais comum, e que aparece a maioria das vezes em primeiro lugar, é a febre, que surge cerca de 4 a 12 dias após infeção. De seguida, podem aparecer complicações como:

  • Problemas de coagulação
  • Insuficiência renal
  • Necrose hepática
  • Problemas oculares como uveíte

Assim, com estes problemas associados a leptospirose canina podem surgir sintomas como:

  • Urina castanha, é um sintoma muito característico da leptospirose canina
  • Vómitos
  • Diarreia
  • Inflamação ocular
  • Inflamação do pâncreas (pancreatite)
  • Hemorragias
  • Anemia
  • Desidratação

Estes são apenas alguns sintomas de que o seu melhor amigo pode ter leptospirose canina, no entanto, estes são sintomas transversais a muitas outras doenças. Idealmente, caso se aperceba de algum destes sinais, deve consultar o seu médico veterinário.

Diagnóstico de leptospirose canina

Resultados de análises de sangue

O diagnóstico desta doença pode ser realizado facilmente através de alguns exames complementares recomendados pelo seu médico veterinário durante a consulta de avaliação dos sintomas.

O médico veterinário, numa primeira fase, irá recomendar análises laboratoriais ao sangue e urina, em que é possível observar várias alterações sugestivas da leptospirose canina.

Para confirmação, pode também ser realizado um exame específico para deteção de anticorpos ou mesmo da bactéria no sangue ou urina do animal. A interpretação destes resultados deve ser feita cuidadosamente por um profissional habilitado, pois existem algumas possibilidades de um falso positivo, nomeadamente o facto do animal estar vacinado contra a doença.

Através de ecografia podem também ser observadas algumas alterações, nomeadamente a nível renal.

Tratamento de leptospirose canina

Veterinário a segurar pata do cão

O tratamento é feito à base de antibióticos específicos. Porém, o antibiótico escolhido deve sempre ficar ao critério do médico veterinário, pois depende de vários fatores, como por exemplo o facto de existir insuficiência renal associada. Por vezes, pode ser necessário o uso de dois ou mais antibióticos e a toma pode estender-se por mais de um mês, ao critério do médico veterinário.

Caso exista insuficiência hepática ou renal, pode ser também necessário tratamento sintomático com hospitalização, fluidoterapia, medicação anti-emética, entre outros.

Um cão infetado com leptospirose, por norma, necessita sempre de internamento hospitalar e de isolamento, pois enquanto excreta leptospiras é altamente infecioso e, portanto, nestes casos, numa fase inicial o animal pode permanecer algaliado. Dessa forma, é mais fácil retirar toda a urina sem correr tanto risco.

Quem manuseia o cão infetado ou qualquer outro animal deve sempre ter grande cuidado e utilizar sempre luvas, de forma a evitar uma possível infeção. Um animal infetado nunca deve urinar ou defecar na via pública sob risco de contaminar outros animais e pessoas (incluindo crianças).

Prevenção de leptospirose canina

A prevenção da leptospirose canina é feita principalmente através da vacinação, uma vez que é muito difícil de prevenir a forma de infeção, principalmente em zonas rurais onde existam muitos ratos.

A vacinação deve ser iniciada em cachorro aos 2 meses de idade, sendo administrados reforços vacinais mensais até aos 4 meses e, posteriormente, os reforços são anuais. Em zonas muito afetadas por leptospirose pode ser recomendável que os reforços sejam administrados a cada 6 meses.

Para além da vacinação, já que o principal meio de transmissão da doença é através da urina de rato, deve evitar que o seu cão esteja exposto a urina de rato diretamente, ou em zonas  húmidas contaminadas em espaços abertos.

Fontes

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