Enfermeira Bárbara Andrade
Enfermeira Bárbara Andrade
01 Ago, 2019 - 10:31

Fígado gordo: causas, sintomas e tratamento da doença

Enfermeira Bárbara Andrade

O fígado gordo é uma situação clínica que pode permanecer estável por muitos anos e até mesmo regredir, se as suas causas forem eliminadas ou controladas.

Fígado gordo: causas, sintomas e tratamento da doença

A situação clínica vulgarmente designada de fígado gordo, pode ser chamada clinicamente de esteatose hepática, traduzindo-se numa acumulação de gordura (lípidos) nas células do fígado (hepatócitos).

Isto acontece quando a ingestão de gordura na dieta é superior à quantidade que o organismo consegue processar, ou seja, quando a gordura corresponde a 5-10% da massa do fígado.

Fígado gordo: causas mais comuns

figado gordo medicao da tensao arterial

As causas mais frequentes desta patologia (1)  são:

  • Ingestão de gorduras em excesso;
  • Consumo de álcool, sendo que 80% das pessoas com hábitos etílicos desenvolvem fígado gordo. No entanto também aparece em pessoas sem hábitos etílicos, nesse caso estamos perante uma esteatose hepática não-alcoólica;
  • Obesidade ou excesso de peso, principalmente nas pessoas com excesso de gordura abdominal (quanto maior a gordura no abdómen, maior deve ser o depósito de gordura no fígado);
  • Dislipidemia (aumento do colesterol e/ou triglicéridos, ou seja, aumento da gordura no sangue);
  • Hipertensão arterial;
  • Diabetes mellitus (açúcar elevado no sangue);
  • Ingestão de determinados fármacos (por exemplo, tamoxifeno, amiodarona, corticóides, entre outros);
  • Ingestão de toxinas (por exemplo, produtos químicos);
  • Perda de peso rápida e acentuada;
  • Nutrição parenteral total prolongada;
  • Predisposição genética;
  • Doenças associadas, no caso de esteatose hepática não alcoólica (por exemplo, hepatite C, hipotiroidismo, hipogonodismo, lipodistrofia, síndrome da apneia do sono, entre outras);
  • Alguns procedimentos cirúrgicos (por exemplo, bypass jejuno-ileal).

Fígado gordo: prevalência

Em Portugal esta patologia afeta, independentemente da raça ou etnia, cerca de 20 a 30% da população em geral, sendo que 15% são adultos, o que se traduz numa percentagem ainda consideravelmente preocupante, tendo em conta que esta patologia pode evoluir para cirrose hepática, com lesão permanente do fígado.

Para Resende (2014) (2), esta situação patológica quando ocorre em idade pediátrica é associada a casos de obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólico. Defende também que em crianças e adolescentes o fígado gordo pode ser um precursor de diabetes mellitus e doenças cardiovasculares na vida adulta.

Fígado gordo: sintomas possíveis

figado gordo febre

Raramente as pessoas que são portadoras desta patologia desenvolvem sintomas, sendo considerada uma doença silenciosa, no entanto, por vezes, podem sentir:

  • Fadiga ou cansaço físico;
  • Desconforto no quadrante superior direito da região abdominal;
  • Náuseas e/ou vómitos;
  • Perda de peso;
  • Febre (temperatura corporal > a 38ºC);
  • Icterícia (pele, mucosas e escleróticas amareladas);
  • Ascite (distensão abdominal);
  • Hepatomegalia (aumento do volume do fígado).

Fígado gordo: meios de diagnóstico

A melhor forma de diagnosticar esta patologia, bem como a mais rápida, é após o exame físico realizado por um médico, complementar com uma ecografia abdominal, onde se poderá verificar um aumento do volume do fígado.

Para além disso, ao recorrer às análises sanguíneas, verificar-se-à um aumento das enzimas hepáticas (AST, ALT e GGT), designadas de transaminases, deve-se também observar os níveis de colesterol total, glicemia, entre outros.

Após existir a suspeita de fígado gordo, é necessário proceder-se a uma biópsia hepática (remover uma pequena porção de tecido do fígado para análise), de forma a se conseguir confirmar o diagnóstico e se proceder a um tratamento adequado, bem como ajudar a determinar a causa e a extensão da lesão.

Fígado gordo: formas de tratamento

figado gordo casal a fazer exercicio

Apesar de não existir nenhum medicamento ou tratamento específico para esta patologia, numa fase inicial da doença, o tratamento do fígado gordo baseia-se no controle ou na eliminação da causa, ou seja, a implementação de algumas alterações nos seus hábitos de vida diária ajudam a ultrapassar esta situação, como por exemplo:

  1. Descontinuar qualquer medicação que possa estar a provocar esta situação;
  2. Reduzir e/ou eliminar o consumo de álcool;
  3. Perder peso no caso de obesidade o que implica:
    1. A prática de exercício físico (ajuda a diminuir a resistência periférica à insulina);
    2. Iniciar uma dieta hipocalórica adequada (pobre em gorduras e rica em fibras, bem como a redução do consumo de carnes vermelhas);
    3. Aumentar a ingestão de água;
  4. Controlar a diabetes mellitus, colesterol, bem como a tensão arterial (evitar hipertensão);
  5. No caso de cirrose hepática, o único tratamento possível é o transplante do fígado.

Fígado gordo: prognóstico

Quando diagnosticada numa fase precoce, a maioria dos casos de fígado gordo apresentam um bom prognóstico.

No entanto, a Sociedade Brasileira de Hepatologia (3) defende que esta patologia tem potencial evolutivo para formas inflamatórias fibrosantes, e potencialmente para cirrose hepática ou até mesmo carcinoma hepatocelular (CHC), no caso de ser diagnosticada tardiamente ou, de não serem reduzidas/eliminadas as causas provocadoras de fígado gordo.

Veja também:

Fontes

1. Parise, E. (2002). Esteatose hepática. Disponível em:
http://departamentos.cardiol.br/sbc-da/2015/publicacoes/atheros2002/07%20-%20Esteatose%20Hepatica.pdf

2. Resende, W. et al (2014) Esteatose hepática não alcoólica: relação com a síndrome metabólica e os fatores de risco cardiovascular em adolescentes obesos. Disponível em:
http://bioline.org.br/pdf?bh14035

3. Sociedade brasileira de hepatologia – Doença hepática gordurosa não alcoólica. Disponível em: https://sbhepatologia.org.br/pdf/revista_monotematico_hepato.pdf

3. Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. Disponível em:
https://www.spmi.pt

4. Cotrim, H. (2016). Disponível em:
https://sbhepatologia.org.br/imprensa/esteatose-hepatica/