Danielle Paiva
Danielle Paiva
12 Dez, 2019 - 10:45

Entorse no tornozelo: causas e tratamentos

Danielle Paiva

A entorse no tornozelo é a lesão músculo-esquelética mais comum em adultos jovens e atletas, e pode resultar em danos das estruturas laterais do tornozelo.

Entorse no tornozelo: causas e tratamentos
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A entorse no tornozelo é a lesão do complexo ligamentar externo do tornozelo, que pode ocorrer a caminhar ou a correr. O pé sofre um movimento de inversão e perde apoio para o seu bordo lateral. O entorse no tornozelo é, provavelmente, a lesão músculo-esquelética mais frequente e, habitualmente, benigna sem sequelas (1).

Sintomas da entorse no tornozelo

homem com entorse no tornozelo

Os sinais e sintomas das lesões ligamentares do tornozelo variam de acordo com a gravidade da lesão, os tecidos afetados e a extensão de seu acometimento. Em geral:

  • Graus variáveis de dor;
  • Tumefação;
  • Hipersensibilidade localizada;
  • Incapacidade funcional;
  • Sintomas de alerta para uma entorse grave: dor imediata e lancinante, percepção de ruptura na face externa do tornozelo acompanhada de estalido/ ruído e o aparecimento rápido de tumefacção/edema.

Factores de risco para a entorse no tornozelo

Descrevem-se como principais factores de risco: (1)

  • Alterações anatómicas predisponentes (dismetria dos membros inferiores, antepé valgo e pé equino);
  • História pregressa de entorse, nomeadamente de repetição;
  • Desportos que envolvem movimentos de impulsão/salto e corrida;
  • Uso de salto alto e saltos em plataforma.

Como classificar a entorse no tornozelo?

A classificação de entorse no tornozelo é baseada no exame clínico da área afetada e divide a lesão em três tipos: (2)

  • Grau 1- estiramento ligamentar;
  • Grau 2-lesão ligamentar parcial;
  • Grau 3-lesão ligamentar total.

Diagnóstico

Médico a tratar entorse de tornozelo

A maior parte dos doentes que sofrem uma entorse no tornozelo não procuram ajuda médica, o que pode agravar a entorse. É fundamental explicar ao médico a circunstância do trauma, os sintomas e como evoluiu nas horas a seguir ao trauma.

Destacam-se como sintomas de alerta para uma entorse grave: dor imediata e lancinante, percepção de ruptura na face externa do tornozelo acompanhada de estalido/ ruído e o aparecimento rápido de tumefacção/edema. Nas horas subsequentes deve-nos preocupar a dor noturna, a equimose precoce e extensa e a impossibilidade de carga.

A necessidade de exames complementares para entorse de tornozelo baseia-se na suspeita de fraturas associadas. A ressonância magnética pode ser indicada nos casos de persistência da dor após três meses da lesão inicial, com o objetivo de investigar lesões associadas, como osteocondral, do impacto ântero-lateral e identificar lesões ligamentares crónicas (2).

Tratamento da entorse no tornozelo

O objetivo do tratamento da lesão ligamentar do tornozelo é o retorno às atividades diárias (desporto/trabalho), com remissão da dor, inchaço e inexistência de instabilidade articular. O tratamento inicial para todas as lesões consiste em:

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  • Repouso por três dias;
  • Aplicação local de gelo;
  • Elevação do membro afetado;
  • Proteção articular com imobilizador ou tala gessada;
  • Anti-inflamatórios não hormonais – diminuição da dor e edema, com melhora precoce da função articular.

Outro objetivo do tratamento é proporcionar estabilidade dinâmica a uma articulação potencialmente instável. As lesões dos membros inferiores, especialmente aquelas do pé e do tornozelo, podem resultar em semanas ou até mesmo meses de paragem para os atletas, em especial os que correm. O tratamento inadequado de entorses de tornozelo pode levar a problemas crónicos como redução de movimento ou hipomobilidade, dor e instabilidade articular. (2)

Reabilitação

reabilitação da entorse do tornozelo

Todas as entorses devem ser sujeitas a um protocolo de reabilitação, definido para as diversas fases do processo: (1)

  • Fase inflamatória;
  • Fase de cicatrização;
  • Fase de reeducação funcional

Fase I: inicial ou inflamatória

Nesta fase inicial ou inflamatória, o objetivo é limitar a extensão da lesão. Deve-se  limitar a carga do MI afetado, recorrendo ao uso de canadianas durante um período de 4-10 dias, dependendo da gravidade da lesão. A carga é retomada de acordo com a tolerância do doente.

Fase II: cicatrização

Inicia-se quando se resolvem o edema e a dor, e o doente tolera a carga. No grau I geralmente ao fim de 3-4 dias, enquanto que nos graus II e III, se submetido a um tratamento agressivo para controlar hemorragia e edema, ao fim de 7-10 dias. Para a promoção da cicatrização ligamentar utilizam-se agentes físicos (ultra-sons, microondas, laser).

Fase III: reeducação funcional

Definida, quando o doente não tem limitação pela dor, em toda a amplitude articular e tendo recuperado cerca de 80-90% da força muscular no membro inferior não afectado. Destaca-se o treino específico para retorno à actividade desejada e a prevenção da recorrência da entorse.

Instabilidade Crónica Residual

Ocorre em 10-20% dos casos independentemente do tratamento inicial, podendo afectar 20-40% das entorses graves.Deve-se investigar outras causas possíveis para além da insuficiência ligamentar – ruptura ou subluxação dos tendões peroneais, fracturas de avulsão, lesões osteocondrais, lesão da sindesmose tíbio-peroneal e instabilidade sub-astragalina29.

Na instabilidade crónica relacionada com a lesão ligamentar, a reconstrução cirúrgica pode e deve ser uma opção terapêutica.

Existe prevenção eficaz para a entorse no tornozelo?

Os imobilizadores semi-rígidos podem reduzir em até 47% a incidência de entorse no tornozelo em atletas praticantes de modalidades desportivas de alto risco. Este valor é ainda maior naqueles que já tiveram uma lesão ligamentar prévia (2).

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Veja também:

Fontes

1. MOREIRA, V. et al. (2008). “Entorses do tornozelo, do diagnóstico ao tratamento – Perspectiva fisiátrica, Acta Med Port. 21(3):285-292 . Disponível em: http://repositorio.hospitaldebraga.pt/bitstream/10400.23/152/1/Ankle%20sprains.pdf
2. Sociedade Brasileira de Ortopedia. “Entorse de Tornozelo”. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ramb/v55n5/08.pdf