Danielle Paiva
Danielle Paiva
12 Dez, 2019 - 10:55

Dor no cotovelo: causas e tratamentos

Danielle Paiva

A dor no cotovelo, também chamada epicondilite, afeta pessoas que fazem uso repetitivo e vigoroso dos músculos do antebraço.

Dor no cotovelo: causas e tratamentos
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A dor no cotovelo é chamada de epicondilite ou, mais popularmente, “cotovelo de tenista”. É uma doença inflamatória dos tendões dos músculos extensores do punho e dos dedos na sua extremidade proximal.

A sua incidência varia de 1 a 3% na população em geral, até mais de 50% nos tenistas amadores, sendo a faixa etária entre os 30 e os 50 anos a mais afetada. Os sintomas são inicialmente ligeiros, mas a dor vai progressivamente aumentando ao longo de semanas ou meses, podendo existir períodos de acalmia relacionados com repouso ou diminuição do esforço.

Todas as atividades, laborais ou recreacionais, que requerem o uso repetitivo e vigoroso dos músculos do antebraço, poderão levar a epicondilite (1).

Sintomas dor no cotovelo

Dor no cotovelo: causas e tratamentos

Os sintomas podem incluir (1):

  • Dor no cotovelo com piora gradual
  • Irradiação da dor da parte externa do cotovelo para o antebraço e para as costas da mão; principalmente ao segurar ou torcer alguma coisa
  • Fraqueza
  • Rigidez muscular
  • Sensibilidade na região afetada

Fatores de risco para a dor no cotovelo

Descrevem-se como principais factores de risco as atividades, laborais ou recreacionais, que requerem o uso repetitivo e vigoroso dos músculos do antebraço, como no caso dos pintores, canalizadores, carpinteiros, praticantes de musculação no ginásio ou dos tenistas amadores (2).

Diagnóstico

O diagnóstico da dor no cotovelo é habitualmente clínico e baseia-se na história relatada pelo doente. Poderá ser necessário realizar exames complementares de diagnóstico: a radiografia simples do cotovelo e da coluna cervical, para exclusão de artrose ou de outras lesões ósseas; a ecografia, para confirmar o diagnóstico clínico; ou a Ressonância Magnética Nuclear para exclusão de discopatia da coluna cervical.

No caso de suspeita de compressão neurológica periférica poderá ser aconselhável a realização de eletromiograma (1).

Tratamento da dor no cotovelo

Dor no cotovelo: causas e tratamentos

Conservador

A maioria dos doentes melhora com o tratamento conservador, consistindo em repouso associado à revisão do equipamento desportivo ou laboral e à toma de anti-inflamatórios não esteróides (AINEs).

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Os tratamentos de fisioterapia, com exercícios fortalecimento muscular, podem diminuir os sintomas de epicondilite, existindo uma vantagem na associação com analgésicos de curta duração para exercícios mais vigorosos.

A injeção de corticóide local pode contribuir para o alívio da dor no cotovelo. Estudos recentes parecem demonstrar uma eficácia ainda maior da injeção de sangue autólogo (do próprio doente) no alívio sintomático a curto (6 semanas) e médio (6 meses) prazo. Este tratamento não é utilizado usualmente, mas alguns atletas tem feito uso desta alternativa.

A terapia com ondas de choque extracorpórea apresenta, em alguns estudos, resultados que se sobrepõe a corticoterapia. A terapia com laser parece ser uma das alternativas com bons resultados no alívio dos sintomas da epicondilite.

Estima-se que cerca de 80% dos doentes resolvem as queixas de epicondilite ao fim de um ano, independentemente do tipo de tratamento realizado, e independentemente de haver retorno à atividade laboral.

Cirúrgico

Menos de 10% dos doentes não responde  ao tratamento conservador. Nestes casos, o tratamento cirúrgico está geralmente indicado, após um período de 6-12 meses de tratamento conservador e/ou evidência de calcificação extra-articular.

Diversos tipos de procedimentos cirúrgicos foram descritos. Quase todos envolvem o desbridamento do tendão degenerado e a descorticação do epicôndilo lateral, com ou sem reinserção tendinosa no epicôndilo.

A cirurgia por via artroscópica ( cirurgia fechada), oferece resultados melhores do que a cirurgia por via aberta, permitindo a exploração da articulação, sendo passível de realizar com anestesia regional, em regime de ambulatório, e com pouca morbilidade , permitindo um retorno mais precoce da função após a cirurgia.

Reabilitação e Prognóstico

Após tratamento cirúrgico, a imobilização do cotovelo dependerá da técnica cirúrgica realizada, podendo manter-se até 1 semana, seguida de mobilização progressiva com exercícios de alongamento. É expectável o retorno à função normal em menos de 2 meses e à atividade desportiva em 3-6 meses.

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A taxa de sucesso da cirurgia ronda os 80-90 %, apesar de ser frequente a perda de força muscular (1).

Prevenção

A dor no cotovelo, que recebe a alcunha de cotovelo de tenista, não é tão frequente nos atletas deste desporto, atualmente. O tratamento preventivo e a evolução dos equipamentos, fez com que estes atletas desenvolvessem menos lesões ao longo do tempo. Algumas técnicas podem preservar esta articulação, dentre elas temos: (2)

  • Realizar sempre aquecimento antes da prática do desporto
  • Evitar movimentos bruscos
  • Desenvolver a musculatura com atividade física regular, de preferência com o acompanhamento de um fisioterapeuta ou educador físico
  • Fazer o uso de órteses de estabilização caso sinta insegurança ao realizar algum movimento
Veja também

Fontes

1. Sociedade Portuguesa de Ortopedia. Epicondilite. Disponível em: http://www.spot.pt/media/90472/Epicondilite-CHLO-2013.pdf
2. Revista Brasileira de Ortopedia. Epicondilite lateral do cotovelo. Disponível em: http://www.rbo.org.br/detalhes/16/pt-BR/epicondilite-lateral-do-cotovelo-