Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
12 Out, 2020 - 13:30

Dia Mundial do Tromboembolismo: pandemia pode levar a aumento de tromboses

Mónica Carvalho

Trombose pode ser mais preocupante durante a pandemia. Este é um alerta do GESCAT no âmbito do Dia Mundial do Tromboembolismo.

Dia Mundial do Tromboembolismo

O GESCAT – Grupo de Estudos de Cancro e Trombose – defende que a trombose deve ser considerada um problema de saúde urgente, visto que afeta duas a cada mil pessoas por ano e, ainda assim, continua a ser uma doença quase desconhecida da população.

A data para o alerta não foi escolhida ao acaso: dia 13 de outubro assinala-se o Dia Mundial do Tromboembolismo, uma das principais causas de morte cardiovascular em todo o mundo.

“A trombose consiste na formação de um coágulo de sangue (trombo), numa veia localizada profundamente que dificulta ou impede o fluxo normal de sangue. Nos casos em que o trombo é formado no interior da coxa ou da perna (também pode acontecer no braço ou noutras partes do corpo), caracteriza-se por trombose venosa profunda (TVP). O maior problema é quando o coágulo se desprende e se movimenta na corrente sanguínea, correndo-se o risco de este viajar até aos pulmões e originar a embolia pulmonar (EP). Tanto a TVP como a EP podem levar à morte por tromboembolismo venoso (TEV).”

É uma doença silenciosa (assintomática), pouco conhecida e de difícil diagnóstico clínico, mas um problema mais comum do que se pensa. Requer tratamento célere e especializado, pois, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 37 segundos há uma morte por complicações de um coágulo sanguíneo.

“A necessidade de isolamento social durante a pandemia de COVID-19 fez com que muitos portugueses não pudessem ter o acompanhamento médico nas consultas que estavam programadas porque estas não se puderam realizar. Durante esse período, houve também muitos portugueses que se sentiram doentes e que não recorreram aos cuidados de saúde pelo receio de contágio. A consequência foi catastrófica, pois houve um aumento de casos de trombose venosa, embolia pulmonar e urgências arteriais, que podem ser explicadas pela incidência de eventos trombóticos relacionados à infeção por SARS-Cov-2 e, também, pela negligência à supervisão da especialidade”, explica Sérgio Barroso, médico oncologista e presidente do GESCAT.

É assim urgente encarar o problema desta forma e massificar as informações sobre o mesmo.

Causas e fatores de risco de trombose

É um problema de saúde que, geralmente, afeta mais mulheres, principalmente entre os 20 e os 40 anos, pela maior exposição a fatores de risco como, por exemplo, a gravidez.

Existem outros fatores de risco: obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool contribuem para aumentar os riscos de formação de um coágulo nas veias levando ao seu entupimento e impedindo que o sangue circule normalmente.

A hospitalização constitui um fator de risco significativo para o desenvolvimento de um tromboembolismo venoso (TEV), visto que cerca de 60% dos casos de TEV ocorrem durante a hospitalização ou no período de 90 dias, no pós-alta. A população oncológica, devido à quimioterapia, radioterapia, hospitalização e imobilidade tem também um risco acrescido de desenvolver um TEV.

Sintomas e prevenção de trombose

Mulher com meias de compressão

Em primeiro lugar, o acesso aos cuidados de saúde fundamental. Em segundo, cada indivíduo deve estar atento aos sinais do seu corpo, alerta o GESCAT.

A Trombose Venosa Profunda manifesta-se habitualmente através de um dos seguintes sintomas:

  • Inchaço do pé, tornozelo ou perna
  • Dor na barriga da perna (visto que as veias da perna têm maior dificuldade de transportar o sangue para o coração)
  • Sensação de pele esticada
  • Rigidez da musculatura na região onde que se formou o trombo
  • Calor, inchaço e vermelhidão evidente na perna ou no braço

Os sinais da Embolia Pulmonar incluem:

  • Falta de ar inexplicável
  • Dor no peito (especialmente quando respira profundamente)
  • Vertigens/tonturas e/ou desmaios
  • Tosse com sangue

Os cuidados diários para a evitar o problema são acessíveis a qualquer pessoa:  

  1. Evitar ficar muito tempo sentado sem se movimentar.
  2. Praticar exercício físico regularmente.
  3. Manter uma alimentação equilibrada.
  4. Manter um peso saudável.
  5. Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, principalmente se associadas ao cigarro, por exemplo.
  6. Em viagens longas utilizar sempre roupas e sapatos confortáveis.
  7. Se existir histórico pessoal ou familiar desta doença, usar meias elásticas nas viagens longas.

Diagnóstico e tratamento

O Presidente do GESCAT alerta que caso identifique estes sintomas de trombose, é necessário procurar imediatamente ajuda médica para confirmar o diagnóstico e começar rapidamente o tratamento o quanto antes e, assim, impedir o crescimento do coágulo sanguíneo e que este avance para outras regiões do corpo, evitando uma possível embolia pulmonar.

O tratamento pode contemplar anticoagulantes para impedir que os coágulos sanguíneos se desloquem para os pulmões e meias de compressão para melhorar o edema causado pela trombose.

Fontes

  1. Grupo de Estudos de Cancro e Trombose (GESCAT). Disponível em: https://gescat.pt/
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