Camila Farinhas
Camila Farinhas
25 Jun, 2020 - 10:30

Como se proteger da picada de insetos?

Camila Farinhas

Agora que chegaram as temperaturas mais elevadas, fique a saber como se proteger da picada de insetos e previna o incómodo causado.

Picada de insetos: melga no braço de uma pessoa

O calor chega e traz consigo os insetos. Entre os mais comuns estão os mosquitos, melgas, vespas, abelhas, moscardos, carraças, pulgas, percevejos e aranhas. Na maioria dos casos, a sua picada não é grave e melhora passados alguns dias. No entanto, em casos mais graves, podem resultar em processos inflamatórios, causar reação alérgica grave (anafilaxia) ou ainda, transmitirem doenças como Zyka, Dengue, Malária ou Lyme. Para as evitar, o Vida Ativa diz-lhe como se proteger da picada de insetos.

Alergia a picada de insetos

Mulher a coçar o braço por causa de mordida de mosquito

A causa de algumas pessoas serem mais propensas à picada de insetos, tem sido estudada ao longo do tempo. Fatores como o ADN, respiração e odor corporal podem justificar esta “atração” específica.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, 95% das reacções alérgicas provocadas por insectos são resultantes da picada de abelhas e vespídeos (himenópteros) (1). Os mosquitos, moscas, pulgas e percevejos podem provocar reações devido à mordida, mas estas são geralmente locais.

Assim, caso seja picado ou mordido, deve estar atento à reação cutânea e sistémica para proceder de acordo com a gravidade da situação.

O que é a anafilaxia?

A anafilaxia é uma resposta alérgica grave do organismo quando está exposto a uma substância à qual é alérgico, e pode ocorrer em adultos e crianças. Alguns dos fatores de risco para desenvolver anafilaxia são: doenças cardiovasculares, asma, idade avançada, beta-bloqueantes ou inibidores da enzima conversora da angiotensina (iECA), mastocitose (acumulação de mastócitos na pele), triptase sérica elevada e alergia ao veneno de abelha (1).

Sintomas da picada de abelhas e vespas (heminópteros)

Mulher com alergia no braço por causa de melga

As reacções alérgicas à picada de heminópteros podem ser de diferentes tipos (1):

1.

Reações locais

Dor, comichão, vermelhidão e edema local na zona da picada com menos de 10 cm de diâmetro, e resolve-se em 24h sem deixar sequelas. Raramente infeta, ao contrário do que acontece com a picada de mosquitos, em que o ato de coçar pode levar à infeção da pele.

No caso de reacções locais mais graves, o local da picada atinge mais de 10 cm de diâmetro e persiste por mais de 24h. Pode ainda ser acompanhada de fadiga, náuseas e febre. Tenha particular atenção no caso de a picada acontecer na zona da boca, pois pode ocorrer angioedema da laringe e obstrução das vias aéreas.

2.

Reações sistémicas

Geralmente surgem alguns minutos após a picada, e têm vários graus de severidade:

  • Grau I: comichão generalizada, urticária, vermelhidão, mal-estar e ansiedade
  • Grau II: um dos anteriores e dois ou mais dos seguintes – angioedema, opressão ou aperto torácico; náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal, vertigens)
  • Grau III: um dos anteriores e dois ou mais dos seguintes – falta de ar, pieira, estridor; dificuldade em engolir ou em falar, rouquidão; fraqueza, confusão, sensação de morte iminente)
  • Grau IV: um dos anteriores e dois ou mais dos seguintes – hipotensão arterial, choque, perda de consciência; incontinência de esfíncteres, cianose (cor arroxeada da pele)
3.

Reações tóxicas

Causadas por picadas múlti­plas e simultâneas, geralmente 50 ou mais, e pode colocar em perigo a vida da vítima.

4.

Reações raras

Podem surgir vários dias após a picada, ou ser progressivas durante longo período de tempo e incluem: doença do soro, vasculite generalizada, neurite, glomerulonefrite, trombocitopénia e anemia hemolítica.

Como se proteger da picada de insetos: O que fazer em caso de reação grave?

Mulher a tomar anti-histamínicos de segunda geração

Caso seja picado por uma abelha ou vespa, deve remover imediatamente o ferrão com as unhas ou um cartão, evitando comprimir a bolsa de veneno. Nos casos de reação local, deve ser aplicado gelo ou compressas frias no local da picada, creme corticosteróide e anti-histamínico oral durante 2 a 3 dias (1). Caso não sinta melhoras, deve consultar o médico para ser avaliado.

Se após a picada, ocorrerem sintomas mais graves como os descritos anteriormente, deve ser encaminhado de imediato para o hospital. Todas as pessoas com história de reações sistémicas graves, devem ser portadoras do dispositivo (caneta/seringa) de emergência contendo adrenalina, anti-histamínico e corticoesteróide nas doses prescritas pelo médico para auto-administração.

Outras precauções a tomar

O calor, cheiros intensos e perfumados ou ainda caso se sintam em perigo, faz com que os insetos sejam mais propensos a picar. Assim deve-se (1, 2, 3):

  1. Nos adultos, aplicar repelente de insetos preferencialmente entre 20 a 35 % de dietiltoluamida, na pele exposta e por cima da roupa. Nas crianças, opte por repelentes com 10% de dietiltoluamida. Repita a sua aplicação a cada 4 horas, e se aplicar protetor solar, faça-o antes de aplicar o repelente.
  2. Evitar movimentos bruscos quando abelhas ou vespas se aproximam (não enxotando). Caso seja atacado, deve proteger a face.
  3. Nunca andar descalço, especialmente em relvados.
  4. Evitar o uso de roupa larga com cores brilhantes ou padrões florais.
  5. Evitar perfumes ou cosméticos com cheiros ativos.
  6. Evitar locais onde existem estes insetos: jardins com flores, árvo­res de fruto, troncos caídos (onde as vespas costumam construir os ninhos).
  7. Evitar comer ou beber ao ar livre.
  8. Usar capacete e luvas para andar de bicicleta ou motociclo. Inspeccio­nar o carro antes de entrar e manter as janelas fechadas.
  9. Ter cuidado ao praticar desportos ao ar livre, porque o suor atrai estes insetos.
  10. Ter cuidado ao fazer jardinagem: manter os braços, cabeça e corpo o mais cobertos possível.
  11. Caso seja alérgico, deve ter sempre consigo com o dispositivo de emergência.

Atenção à picada de carraças

A picada de carraças pode também causar situações mais graves, como a doença de Lyme. São muito semelhantes a aranhas, e habitualmente agarram-se à pele, sugando o sangue. Além das recomendações anteriores, para evitar a picada de carraças deve:

  • Verificar a pele ao final do dia (especialmente a zona da cabeca, pescoço, pregas da pele como axilas virilhas e cintura, pois são locais onde as carraças alojam).
  • Verificar a roupa quando chega a casa.
  • Caso tenha cães, o pele destes também deve ser verificado.

Se vai viajar, saiba o que deve ter em atenção

Se for viajar para destinos exóticos, onde existem mais insetos e a probabilidade de ser picado é maior, deve marcar a consulta do viajante 1 a 2 meses antes da viagem (4).

Nesta consulta, são abordadas as medidas preventivas ou curativas a adotar antes, durante e depois da viagem. Incluem a vacinação contra doenças do país de destino, informação sobre higiene individual e alimentar, aconselhamento e prescrição da farmácia do viajante, e ainda informações sobre assistência médica e riscos de acidentes.

No caso de passageiros com doenças crónicas, grávidas, crianças e idosos, estas consultas são fundamentais. Existem consultas e centros de vacinação por todo o país, basta por isso consultar o mais próximo da sua área de residência (5).

Fontes

  1. Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (2020). Alergia a Insetos. Acedido a 23 de Junho de 2020. Disponível em: https://www.spaic.pt/perguntas-frequentes?id=22#
  2. Direção-Geral da Saúde (2020). Picadas de insetos: Férias e viagens. Acedido a 23 de Junho de 2020. Disponivel em: https://www.dgs.pt/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/ferias/mosquitos.aspx
  3. Instituto de Higiene e Medicina Tropical (2020). Consulta do viajante: Prevenção da picada de insetos. Acedido a 24 de Junho de 2020. Disponível em: https://www.ihmt.unl.pt/consulta-do-viajante/prevencao-da-picada-de-insetos/
  4. Direção-Geral da Saúde (2020). Consulta do viajante. Acedido a 24 de Junho de 2020. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/guia/consulta-do-viajante/
  5. Serviço Nacional de Saúde (2020). Cuidados de saúde no estrangeiro. Acedido a 24 de Junho de 2020. Disponivel em: https://www.sns.gov.pt/cuidados-de-saude-no-estrangeiro/
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A não esquecer

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