Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária
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25 Ago, 2020 - 10:25

Anestesia para cães e gatos: tipos, riscos, verdades e mitos

Drª Patricia Azevedo | Médica Veterinária

Sabe tudo sobre anestesia para cães e gatos? Conheça alguns mitos, saiba o que é verdade, descubra os diferentes tipos de anestesia e quais os riscos associados a cada um.

anestesia para cães e gatos

Existem vários procedimentos que necessitam de anestesia para cães e gatos, tal como nas pessoas. No entanto, existem vários tipos de anestesia e, consoante vários fatores, o médico veterinário irá fazer a escolha mais adequada para o seu animal.

Quais os tipos de anestesia para cães e gatos?

Podemos classificar a anestesia para cães e gatos em local e geral, sendo que dentro destas existem vários tipos e podem inclusive ser utilizadas em conjunto.

1.

Anestesia local/locorregional

Este tipo de anestesia é aplicada em procedimentos mais pequenos, com o animal acordado ou com sedação ligeira, ou então em conjunto com uma anestesia geral, com o animal inconsciente.

Este tipo de anestesia permite bloquear a sensibilidade e dor numa determinada zona, como por exemplo no local de incisão, através de infiltrações na pele do anestésico, ou então bloqueando toda uma região como é o caso de uma epidural.

pata do cão veterinário
2.

Anestesia geral

A anestesia geral é um dos tipos de anestesia para cães e gatos mais comuns na prática clínica. Mesmo para procedimentos que em pessoas são normalmente realizados através de anestesia local, nos animais, a maioria dos procedimentos exige anestesia geral de forma a permitir a sua imobilização.

Na anestesia geral são administrados vários fármacos que fazem com que o animal fique num estado de não consciência, estando como que “a dormir”. A quantidade e tipo de anestesia geral utilizada depende de vários fatores, como a idade do animal, estado de saúde, tipo e duração do procedimento.

Dentro da anestesia geral temos dois tipos:

  • Anestesia volátil: que consiste numa administração continua de um anestésico em forma de gás ao animal que deve estar entubado e também a receber oxigénio durante todo o procedimento. Necessitam, ainda assim, de ser administrados outros fármacos (pré-anestesia e medicação de indução) de forma a levar a que o animal adormeça, e posteriormente, seja mantido inconsciente através da medicação volátil. É um tipo de anestesia mais seguro e normalmente é utilizado para procedimentos de maior duração e em pacientes de maior risco
  • Anestesia fixa: consiste na administração de vários fármacos anestésicos injetáveis, que, normalmente, levam a que o animal permaneça inconsciente durante um menor período de tempo, e, portanto, é utilizada normalmente em procedimentos de menor duração

Riscos de anestesia para cães e gatos

veterinário a observar gato

Qualquer anestesia pode levar a efeitos adversos, e assim sendo, qualquer anestesia tem riscos associados.

Por essa mesma razão, é muito importante que antes de qualquer anestesia, o cão ou gato seja avaliado pelo médico veterinário numa consulta pré-anestésica, realizando um exame físico completo e anamnese rigorosa.

A partir da consulta pré-anestésica, o médico veterinário pode avaliar o risco anestésico e recomendar os exames mais adequados para o animal realizar. Os exames complementares mais frequentes requeridos pelo médico veterinário são:

  • Análises sanguíneas (hemograma, função renal, função hepática, glicemia, urina, entre outros)
  • ECG

A escolha dos exames depende de vários fatores, por exemplo, um animal saudável que será submetido a uma cirurgia electiva (como por exemplo uma esterilização), necessita de menos exames complementares do que animal que faz uma cirurgia mais complexa, que tem mais do que 6 anos ou que se encontra doente.

Anestesia para cães e gatos: verdades e mitos

Veterinário a fazer curativo a pata de cão

Existem várias ideias acerca da anestesia em cães e gatos, no entanto, nem todas são corretas, e é bom desmitificar essas ideias erradas de forma a esclarecer os tutores o melhor possível.

Mito

É muito comum haver complicações anestésicas

As complicações anestésicas apesar de existirem não são muito frequentes, especialmente em cirurgias electivas, em animais saudáveis. O risco aumenta com idade, doenças, e outros fatores, por isso, deve ser sempre realizada uma consulta pré-cirúrgica de forma a que o médico veterinário avalie o animal e prescreva os exames necessários.

Se cumprir as indicações do médico veterinário, o risco anestésico diminui. Ainda assim, se está preocupado com o caso do seu animal em específico, converse com o seu médico veterinário acerca do historial clínico do animal e os riscos anestésicos associados.

Verdade

A maioria dos procedimentos em medicina veterinária necessita de anestesia geral

Enquanto que nas pessoas uma anestesia local é possível, para os animais, que não entendem que devem ficar imóveis e tranquilos, isso não acontece e, portanto, grande parte dos procedimentos requerem uma anestesia geral.

Mito

A anestesia é sempre igual

Como já referimos anteriormente, existem diversos tipos de anestesia, e dentro dos vários tipos existem também vários fármacos.

O tipo de anestesia, e da escolha dos diferentes fármacos vai depender de vários fatores, como o tipo de cirurgia, idade do animal, estado de saúde, e também do próprio médico veterinário anestesista e a sua experiencia com determinados fármacos.

Mito

Os animais sofrem, mesmo com anestesia

Tal como as pessoas, os animais, quando estão sob anestesia geral não têm percepção da dor e para além disso também não estão conscientes.

Assim, se o seu receio é que o seu melhor amigo sofra pode ficar descansado. Muitas vezes o que acontece é que o animal fica stressado, não pelo procedimento em si, mas pelo processo que o envolve. Normalmente uma viagem para o veterinário de ida e volta até casa ou um dia inteiro passado no veterinário pode gerar alguma ansiedade no animal.

Verdade

Depois da anestesia o animal precisa de cuidados

As anestesias gerais podem ter alguns efeitos secundários, no entanto, tudo isso é normal, e portanto não é motivo de alarmismo nem de preocupação. Por exemplo, o animal não querer comer durante as 24 horas seguintes, ficar enjoado ou até vomitar, costumam ser efeitos normais de uma anestesia geral.

Fontes

Tamara G., et al. (2020). Anesthesia and Monitoring Guidelines for Dogs and Cats. Disponível em: https://www.aaha.org/globalassets/02-guidelines/2020-anesthesia/anesthesia_and_monitoring-guidelines_final.pdf

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