Psicóloga Ana Graça
Psicóloga Ana Graça
29 Abr, 2020 - 11:50

Agorafobia: e se o medo nos torna incapazes de sair de casa?

Psicóloga Ana Graça

A agorafobia é uma das fobias mais comuns e pode ser altamente incapacitante. Importa conhecer em detalhe esta perturbação de ansiedade.

Agorafobia: mulher a espreitar pela janela

Para algumas pessoas, sair de casa pode ser motivo de pânico. A agorafobia é uma perturbação de ansiedade na qual existe uma restrição da liberdade de movimentos e uma limitação ao espaço familiar.

Pessoas com esta perturbação podem sentir-se extremamente incapacitadas no dia-a-dia, na medida em que algumas delas deixam de ser capazes de trabalhar fora de casa, deslocar-se ao supermercado para fazer as compras ou manter relacionamentos sociais.

AGORAFOBIA: UMA DAS FOBIAS MAIS COMUNS

Agorafobia: mulher jovem a espreitar pela janela de casa

Agorafobia significa, no seu sentido literal, medo da praça pública. É uma das fobias mais comuns e está relacionada com a ansiedade intensa provocada pela permanência em espaços abertos ou grandes espaços com multidões, de onde é difícil sair, como por exemplo, filas de supermercado.

Os pensamentos habitualmente presentes em quem sofre desta fobia estão associados ao medo de desmaiar, morrer, ou outras catástrofes, mais do que o medo das lojas ou espaços por si só.

A agorafobia, perturbação mais comum nas mulheres jovens, pode ser de tal forma grave, que pode levar a pessoa a fechar-se em casa. Mais ainda, frequentemente os sintomas estão presentes alguns anos, antes que o agorafóbico procure ajude especializada (1).

A limitação agorafóbica surge, de forma frequente, após a experiência de um ataque de pânico, o que conduz a ansiedade antecipatória e leva ao evitamento das situações temidas.

No entanto, existem também casos nos quais o quadro agorafóbico não é precedido de ataque de pânico. Estes casos habitualmente estão presentes em pessoas com história de ansiosa patológica e a agorafobia tende a estar mais circunscrita a certas situações, como autocarros, metro, elevadores, entre outras (2).

Relativamente à etiologia, acredita-se que a agorafobia se deve a uma combinação de fatores, nomeadamente: experiências de vida; traços psicológicos; fatores genéticos. Esta fobia em particular parece estar fortemente ligada a uma predisposição genética (3).

SINTOMAS DE AGORAFOBIA

Mulher com sintomas de ansiedade social

Esta perturbação caracteriza-se pela presença de medo ou ansiedade marcados acerca de duas ou mais das seguintes situações:

  1. Utilização de transportes públicos (por exemplo, automóveis, autocarros, comboios, metros, barcos, aviões).
  2. Estar em espaços abertos (por exemplo, parques de estacionamento, mercados ao ar livre, pontes).
  3. Estar em espaços fechados (por exemplo, lojas, teatros, cinemas).
  4. Estar em pé numa fila ou estar no meio de uma multidão.
  5. Estar fora de casa sozinho.

Quem sofre de agorafobia, tem medo ou evita as situações acima descritas devido a pensamentos de que a fuga poderá ser difícil ou de que a ajuda poderá não estar disponível no caso de desenvolver sintomas de tipo ataque de pânico ou outros sintomas incapacitantes ou embaraçosos (por exemplo, medo da incontinência) (4).

perturbação agorafóbica pode complicar-se e levar ao desenvolvimento de sintomas depressivos, sentimentos de inferioridade e sentimentos de incapacidade, devido às limitações e evitamentos associados à agorafobia (2).

E O TRATAMENTO?

Agorafobia: mulher a ter consulta com o psicólogo em casa

À semelhança de outros transtornos mentais, a agorafobia é uma perturbação progressiva, ou seja, sem intervenção eficaz, vai piorando (1). O sucesso do tratamento geralmente depende da gravidade da fobia e pode incluir intervenção farmacológica e não farmacológica.

Pessoas que apresentam ataques de pânico como parte integrante da sua agorafobia podem beneficiar da prescrição de fármacos que visem prevenir o surgimento desses ataques de pânico ou reduzir a sua frequência e gravidade.

intervenção não farmacológica engloba a aprendizagem de um conjunto de estratégias que permitem enfrentar e aliviar a ansiedade. Podem ser empregues diferentes técnicas, desde técnicas de relaxamento e respiração, exposição gradual às situações temidas, modificação ou eliminação de padrões de pensamento que contribuem para manutenção dos sintomas ansiosos, entre outras.

O grande objetivo do tratamento passa por ajudar a pessoa com agorafobia a funcionar no dia-a-dia e a ter uma maior qualidade de vida. O tratamento tende a ser complicado pelas dificuldades que estas pessoas apresentam em ir às consultas, levando a que alguns profissionais de saúde mental optem por, numa fase inicial, se deslocarem ao domicílio (3).

Fontes

  1. Harrison, P., Geddes, J., Sharpe, M. (2005). Lecture Notes, Psychiatry. (9º ed.). Blackwell Science Ltd.  
  2. Reis, G., Teixeira, J. (2007)Agorafobia Perspectivas fenomenológica e existencial. Aná. Psicológica v.25 n.4 Lisboa out. 2007. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/pdf/aps/v25n4/v25n4a12.pdf
  3. Psychology Today. (2019). Agoraphobia. Disponível em: https://www.psychologytoday.com/intl/conditions/agoraphobia
  4. APA (2014). DSM 5. Manual de Diagnóstico e Estatístico das Perturbações Mentais, 5ª Edição. Lisboa: Climepsi Editores.
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