Sexo na terceira idade: desmistificar mitos

O mito da velhice assexuada está cada vez mais posto em causa. Na verdade, estudos e especialistas dizem que é possível ter uma vida sexual ativa após os 65 anos.

Sexo na terceira idade: desmistificar mitos
A prática do sexo na terceira idade, além de ser algo natural, pode ter efeitos positivos na vida do casal.

Não há idade adulta a partir da qual as pessoas devem parar de ter relações sexuais. O sexo não é apenas essencial para a saúde e bem-estar pessoal, mas é a atividade humana mais intrínseca e fundamental.

O sexo estimula o bem-estar. O esforço físico e o prazer fazem com que o organismo liberte endorfinas, substâncias responsáveis por bloquear a dor e controlar as emoções – devem-se a elas as sensações de prazer.

A primeira ideia a reter acerca do sexo na terceira idade para que se possa entender e viver plenamente a sexualidade é que esta não é sinónimo de relação sexual. O beijo, as carícias e muitas outras formas de contacto afetivo e intimidade fazem parte da sexualidade.

QUAIS AS INEVITÁVEIS DIFERENÇAS?


Muita coisa muda no corpo do homem e da mulher depois dos 60 anos. No entanto, cada vez mais especialistas apontam no sentido de que é possível e desejável ter uma vida sexual ativa e saudável na terceira idade.

A sexualidade e o desejo sexual alteram-se ao longo dos anos, mas nunca deixam de existir. É facto que a frequência das relações sexuais tende a diminuir com o passar dos anos, mas estas podem até ter maior qualidade.

Um dos motivos que levam à redução da atividade sexual entre os idosos é a perda de libido (desejo sexual), que pode ocorrer devido à diminuição da produção hormonal masculina e feminina.

De um modo geral, o tempo até ser alcançada a excitação e o orgasmo são mais demorados. A terapia de substituição hormonal nas mulheres melhora a resposta sexual, com melhoria na lubrificação vaginal, por exemplo. Além disso, é particularmente notório no sexo feminino que a mudança de mentalidades está a ditar uma alteração de comportamentos.

Além disso, novos fármacos e suplementos estão disponíveis para tratar a disfunção erétil nos homens, permitindo obter ou manter uma ereção do pénis suficiente para um desempenho sexual satisfatório, desde que para tal, exista estimulação.

A toma de medicação especifica para o efeito deve ser acompanhada pelo seu médico de família ou médico especialista, com conhecimento do seu histórico de saúde.

O RISCO DE TRANSMISSÃO DE DOENÇAS É AINDA REAL


Embora não seja alvo de preocupação o inconveniente de controlo de uma possível gravidez indesejada, é importante alertar para o aumento do índice de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV na terceira idade.

O não uso de preservativo por esta faixa da população é um comportamento de risco que deve ser evitado.

QUAIS OS BENEFÍCIOS?


Uma mais valia do sexo na terceira idade é que este pode tornar-se menos frenético e mais voltado para a intimidade.

A prática de atividades sexuais também colabora para que os idosos fiquem mais calmos no dia-a-dia, diminuindo a tensão arterial e, consequentemente, os riscos de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou de paragem cardiovascular.

Outro benefício está ligado à incontinência urinária, doença comum em pessoas mais velhas, uma vez que os músculos pélvicos são exercitados durante o sexo e ficam mais fortes.

O sexo na terceira idade pode ser libertado e prazeroso, mas tudo depende de como encara a velhice. É importante não se auto-limitar, o desafio é ter criatividade e experimentar novas formas de satisfação.

A RETER…


O aumento da esperança de vida e também da qualidade de vida na população mais velha está a ditar o aparecimento de uma nova população sénior. A atual geração de idosos é diferente de todas aquelas que a precederam.

Tem mais saúde, é mais ativa, mais independente e encara esta fase da vida de uma forma diferente, com mais otimismo.

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Farmacêutica Cátia Rocha Farmacêutica Cátia Rocha

Cátia Rocha é farmacêutica. Como apaixonada pela profissão, acredita na importância da educação para a saúde e num papel interventivo dos profissionais de modo a transmitir conhecimentos que considera importantes e fundamentais para o bem-estar da população. É Mestre em Ciências Farmacêuticas pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte e exerce atualmente o cargo de farmacêutica na Farmácia Agra.