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Linfócitos altos e baixos: funções e valores de referência para interpretar análises

Qual a diferença entre linfócitos altos e baixos? Alterações nos valores de referência devem ser investigadas, já que os linfócitos são responsáveis pelas defesas do organismo.

 
Linfócitos altos e baixos: funções e valores de referência para interpretar análises
O que são linfócitos? Quais os valores normais?

Os linfócitos são as células que fazem o reconhecimento de organismos estranhos (como bactérias, vírus e outras toxinas), iniciando o processo de ativação do sistema imunitário, podendo ser designados por linfócitos altos e baixos, dependendo dos seus valores de referência.

Em condições normais são o segundo grupo de leucócitos (glóbulos brancos) mais comum em circulação, representando 15 a 45% do total de leucócitos no sangue.

Linfócitos altos e baixos e a relação com o sistema imune


O sistema imune, ou sistema de defesa, representa a principal barreira do organismo contra as infeções, e tem a capacidade de realizar uma resposta rápida e efetiva contra os agentes invasores. (3)

O sangue é composto pelas células transportadoras de oxigénio, hemácias ou eritrócitos e pelas células de defesa, leucócitos ou glóbulos brancos (3).

Existem vários tipos de leucócitos ( 3):

  • Neutrófilos: representam a primeira linha de defesa celular contra invasão de microrganismos;
  • Eosinófilos e basófilos: desempenham um papel importante na resposta do organismo a reações alérgicas, asma e infecção por parasitas;
  • Linfócitos: são leucócitos esféricos, de diâmetro variável. Os linfócitos estão ligados à defesa do organismo, por meio da produção de anticorpos;
  • Monócitos: têm a função de defender o organismo de corpos estranhos, como alguns vírus e bactérias.

Funções dos linfócitos

Os linfócitos formam-se na medula, sendo que alguns migram para o timo e outros permanecem no seu local de origem. Caracterizam-se pelo seu local de amadurecimento e são assim classificados (1):

  • Linfócitos B: diferenciam-se em plasmócitos que são as células produtoras de anticorpos. Os anticorpos são um tipo particular de proteína, desenvolvidos para a defesa do organismo contra agentes nocivos;
  • Linfócitos T: estimulam a produção dos linfócitos B e produzem diversas citocinas;
  • Células NK (“natural killers“): destroem as células tumorais e atuam também na imunidade.

Os linfócitos T dividem-se em (1):

  • Linfócitos T auxiliares ou helpers (LTh);
  • Linfócitos T citotóxicos (LTc);
  • Linfócitos T supressores (LTs).

Os auxilixares (LTh), possuem um receptor CD4 na superfície, que é o principal alvo do vírus causador da SIDA, o HIV. Esta célula é o mensageiro mais importante do sistema imunitário, na medida em que, envia mensagens para os diversos leucócitos a fim destes realizarem um conflito imunológico contra o agente agressor (1).

A capacidade do sistema imunitário para reconhecer antigénios (moléculas reconhecidas pelo organismo como estranhas) depende dos anticorpos formados pelos linfócitos B e dos receptores expressos pelos linfócitos T. Os LTh têm uma função reguladora e servem principalmente para estimular o crescimento e proliferação de LTc e LTs contra os agentes externos, os antigénios (1).

Nas infecções virais e bacterianas e nas doenças autoimunes podem surgir linfócitos atípicos, e em casos como este, também podemos observar o surgimento de linfócitos altos e baixos (1).

Quando temos um processo viral em curso, é comum que o número de linfócitos aumente, excedendo mesmo o número de neutrófilos, tornando-se o tipo de leucócitos mais presentes em circulação.

Qual a função de cada um dos 3 tipos de linfócitos?


 Linfócito B

linfocito B

Provenientes de medula óssea, representam cerca de representam 5% a 10% dos linfócitos. São as células que mais rapidamente respondem a uma repetida exposição ao mesmo antigénio (nos casos de varicela ou sarampo, por exemplo).

Linfócito T

linfocito T

São cerca de 65% a 75% dos linfócitos. Estas células atuam sobre as células estranhas e infetadas por vírus, direcionam a resposta imune e mantêm a resposta imune controlada (impedem o desenvolvimento de doenças autoimunes, fazendo com que os glóbulos brancos não combatam células do próprio organismo).

Células NK (Natural Killers)

celulas NK

Representam cerca de 10% a 15% da população total de linfócitos circulantes. Têm como alvo células neoplásicas (tumorais) e protegem contra uma ampla variedade de microrganismos infeciosos.

Valores de referência para linfócitos altos e baixos


Segundo o Ministério da Saúde, os valores de referência para a análise de linfócitos altos e baixos, utilizados a partir de 2018 são os seguintes (2):

  • 25 a 33% de linfócitos;
  • 1,00 – 3,20 (10^9/L), ou seja, entre 1000 e 3200 por milímetro cúbico de sangue.

A fórmula relativa é calculada contando-se 100 células de leucócitos, e expressando a percentagem de linfócitos. Este resultado é obtido pelas análises de sangue periférico.

Os linfócitos altos e baixos são assim identificados:

  • Linfócitos altos – aqueles com valores acima do limite superior;
  • Linfócitos baixos –  aqueles com valores abaixo do limite de referência inferior.

As alterações de valores podem ter várias causas, sendo importante a avaliação de um médico para a interpretação dos resultados. Os valores de referência podem sofrer variações entre laboratórios.

Quais as causas para linfócitos altos ?


Linfócitos altos ou linfocitose, correspondem a um número aumentado de linfócitos circulantes no sangue periférico. Não podemos esquecer que a contagem de linfócitos de crianças e bebés é mais alta do que a dos adultos. Fumadores habituais também podem apresentar linfócitos altos.

Entre as causas mais importantes de linfocitose destacam-se (3):

  • Linfocitose fisiológica da infância (do nascimento até aos 2 anos);
  • Infecções, como a tosse convulsa, rubéola, varicela, influenza;
  • O vírus Epstein-Barr, vírus Coxsackie, adenivírus tipos 25 e 12, toxoplasmose e citomegalovírus;
  • Infecções como brucelose, tuberculose, sífilis secundária,  infecções por Rickettsias;
  • HIV, vírus da SIDA, no princípio da infeção;
  • Situações diversas, como alergias medicamentosas, doença do soro, esplenectomia, doença de Addison,  hipertiroidismo  e síndromes hemolíticos crónicos;
  • Síndromes linfoproliferativos crónicos, principalmente a leucemia linfática crónica, e os linfomas não-Hodgkin leucemizados.

Quais as causas para linfócitos baixos?


Linfócitos baixos ou linfopenia, podem resultar de anormalidades na produção de linfócitos, na circulação destes no sangue periférico, ou na sua perda e destruição. (4)

A causa mais comum de redução na produção de linfócitos no mundo é a desnutrição proteico-calórica. As alterações imunológicas resultantes da desnutrição contribuem para a alta incidência de infecções em populações mal-nutridas. Também é muito comum que os linfócitos estejam baixos em situações de stress.

Entre as causas mais importantes de linfopenia destacam-se (4):

  • Infecção Viral;
  • Desnutrição;
  • Insuficiência renal incluindo aguda e crônica;
  • Cancro;
  • SIDA – estágio final da doença;
  • Irradiação;
  • Alcoolismo;
  • Artrite reumatóide;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Anemia ferropênica.

Como interpretar os resultados das análises clínicas?


Apenas o seu médico pode fazer uma avaliação correta do hemograma. O hemograma é um dos exames sanguíneos mais prescritos, uma vez permite ter uma visão muito global do estado de saúde da pessoa.

Ainda que, assim que receber as análises clínicas, espreite os resultados, só o médico poderá fazer o diagnóstico correto e, se for caso disso, indicar o tratamento mais adequado.

Se ao abrir verificar que os valores são superiores ou inferiores aos de referência, não deve ficar de imediato alarmado, pois pode ter múltiplos significados, mas é importante solicitar a avaliação médica dos mesmos de forma a explicar a causa.

Linfócitos altos e baixos: alguns sintomas


O aumento ou a diminuição dos linfócitos não é uma doença, mas uma consequência de algumas patologias, ou estados  de saúde temporários, portanto não existem sintomas específicos.

Esta alteração do número de linfócitos pode ser descoberta ao acaso, quando faz exames de rotina ou ao investigar outra doença. De um modo geral, pode apresentar febre, má disposição, perda de peso, sintomas que são comuns a várias doenças.

Veja também:

Fontes

1. Martinho, Ana. et al. (2003). “A Diversidade de Linfócitos T e a sua Importância na Resposta Imunitária Celular Específica”. Disponível em:
http://home.uevora.pt/~sinogas/TRABALHOS/2003/Diversidade.pdf

2. Ministério da Saúde Portugal: Valores de referência (2018). Disponível em:
http://acss.min-saude.pt/wp-content/uploads/2018/09/tabela.pdf
3. Brito, D. V. S. (2010). Valor do estudo das Linfocitoses por Citometria de Fluxo. Disponível em:
https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/755/1/tese%20final%20PDF.pdf
4. Aquino, Rosane. (2010). Instituto Federal de Santa Catarina. Disponível em:
http://docente.ifsc.edu.br/rosane.aquino/MaterialDidatico/AnalisesClinicas/hemato/Manual%20de%20Hematologia.pdf
5. Silva, A. M. et al. (2013). Hematologia: métodos e interpretação, ed. Roca.
6. Núcleo de Telessaúde do Rio Grande do Sul. (2010). Qual a abordagem inicial de um paciente com leucopenia?. Disponível em:
https://aps.bvs.br/aps/qual-a-abordagem-inicial-de-um-paciente-com-leucopenia/
7. Núcleo de Telessaúde do Rio Grande do Sul. (2011). Quais as causas e qual a Investigação inicial da leucopenia?. Disponível em:
https://www.ufrgs.br/telessauders/perguntas/leucopenia/

Danielle Paiva Danielle Paiva

Licenciada em Medicina e Farmácia & Bioquímica pelo Centro Universitário de Nilton Lins, Danielle também é Mestre em Engenharia Industrial e Qualidade pela Universidade do Minho. Atualmente é voluntária na Cruz Vermelha onde desenvolve diversas ações de saúde.

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