Hipocondríaco: já lhe disseram que tem a mania das doenças?

Estima-se que a hipocondria afete cerca de 1 a 5% da população. Se lhe dizem que tem a mania das doenças e que é hipocondríaco, este artigo é para si!

Hipocondríaco: já lhe disseram que tem a mania das doenças?
Cibercondríaco: quem passa horas na internet em busca de diagnóstico!

A hipocondria foi excluída da nova edição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais muito por causa do carácter pejorativo com que o hipocondríaco era visto. Atualmente, o hipocondríaco, ou seja, todo aquele que apresenta um alto nível de ansiedade e um elevado temor de estar doente que não é acompanhado por sintomas somáticos, revê-se na Perturbação de Ansiedade de Doença.

Quando nos referimos a alguém hipocondríaco estamos, de forma geral, a referir alguém que apresenta medo, preocupação e ansiedade exacerbados. Frequentemente, para além dos sintomas de hipocondria, apresentam também sintomas ansiosos e depressivos.

“ Dizem que tenho a mania das doenças, serei hipocondríaco?”


 hipocondriaco homem com medo

Uma mera dor de estômago é suficiente para o deixar excessivamente preocupado? Está convicto de que sofre de algum problema de saúde grave apesar do exame médico não revelar qualquer alteração de saúde? Começa a duvidar se será hipocondríaco?

Calma! Para acabar com as dúvidas, fique a conhecer os sintomas da Perturbação de Ansiedade de Doença:

  • Preocupação de ter ou vir a ter uma doença grave;
  • Ausência de sintomas somáticos ou, se presentes, são apenas de intensidade ligeira. Se outra condição médica está presente, ou se existe um risco elevado de desenvolver uma condição médica (por exemplo, presença de antecedentes familiares relevantes), a preocupação é claramente excessiva ou desproporcional;
  • Nível elevado de ansiedade relacionado com a saúde, ficando o indivíduo facilmente alarmado acerca da sua condição de saúde;
  • O indivíduo apresenta comportamentos excessivos relacionados com a saúde (por exemplo, verificação repetida do próprio corpo à procura de sinais de doença), ou evitamento desadaptativo (por exemplo, evita consultas médicas ou hospitais);
  • A preocupação com a doença está presente há pelo menos 6 meses, podendo a doença específica temida mudar ao longo desse período de tempo;
  • A preocupação relacionada com a doença não é mais bem explicada por outra perturbação mental;
  • O hipocondríaco tanto pode procurar incessantemente cuidados de saúde (consultas médicas ou realização de testes e procedimentos) como evitar os cuidados de saúde, usando-os raramente com medo que os resultados dos exames indiquem alguma doença grave.

 

Há tratamento para a hipocondria?


 hipocondriaco e psiquiatra

Sim! Se os sintomas acima descritos lhe assentam que nem uma luva, procure um psiquiatra, exponha a sua situação e tenha esperança, já que existe tratamento especializado disponível.

Na grande maioria dos casos, o tratamento passa por psicoterapia do tipo cognitivo-comportamental, cujo objetivo é identificar e pôr em causa os pensamentos disfuncionais, tentando gradualmente substitui-los por pensamentos mais saudáveis. Por vezes, também é necessário a medicação psiquiátrica.

Em suma…


Uma pessoa hipocondríaca é aquela que expressa uma preocupação irracional em estar ou vir a estar com uma doença grave. Não finge qualquer sintoma nem mente, já que a crença de que tem um problema de saúde crítico é real.

É alguém que se alarma quando ouve dizer que alguém ficou doente ou quando lê alguma notícia relacionada com a saúde, e estas preocupações não abrandam perante os resultados negativos de exames, nem com a tranquilização de um médico ou vários médicos.

Antes de contactar o psiquiatra ou o psicólogo, habitualmente o hipocondríaco passa por uma imensidão de especialidades médicas em busca do diagnóstico e tratamento para os sintomas que tanto o preocupam.

Assim, se fica em pânico com a hipótese de ter uma doença grave, se está excessivamente atento a pequenos sintomas físicos que o afligem, se as explicações dos médicos não o aliviam e se as pessoas à sua volta já não sabem mais como o ajudar, talvez seja mesmo um hipocondríaco. Procure ajuda especializada e permita que os especialistas trabalhem no sentido de tranquilizar as suas preocupações.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!