Diabetes e alimentação: a base para controlar os sintomas da doença

A relação entre diabetes e alimentação é muito estreita: a forma como se alimenta influencia diretamente a evolução e sintomas da diabetes. Saiba tudo.

Diabetes e alimentação: a base para controlar os sintomas da doença
O controlo alimentar na diabetes ajuda a prevenir a progressão da doença e a melhorar a qualidade de vida do diabético.

diabetes é uma doença metabólica que se carateriza por estados de hiperglicemia (aumento dos níveis de açúcar no sangue) crónica, a qual resulta de uma deficiência na secreção de insulina, de uma alteração na sua ação ou de ambas, resultando num metabolismo anormal dos macronutrientes ingeridos na dieta. Como tal, daqui se depreende que diabetes e alimentação estão estritamente relacionadas.

Diabetes e alimentação: quais os tipos mais comuns?


diabetes e alimentacao medicao da glicemia

Dependendo da causa subjacente, esta doença é dividida em dois grandes tipos: diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2.

A diabetes tipo 1, que é a mais frequente na infância, é uma doença autoimune, na qual o próprio sistema imune destrói as células produtoras de insulina. Por esse motivo, é também chamada de insulino-dependente, uma vez que a sobrevivência da pessoa depende da administração de insulina exógena.

A diabetes tipo 2, conhecida como diabetes não insulino-dependente, é a forma mais frequente no adulto, estando relacionada com a obesidade ou excesso de peso, maus hábitos alimentares e com elevados níveis de sedentarismo. Neste caso, ocorre produção de insulina no pâncreas, mas o organismo é resistente à sua ação.

Como tal, esta doença requer um controlo frequente dos valores de glicose de sangue.

Neste sentido, e tanto num caso como no outro, ter uma alimentação equilibrada e planeada assume uma importância fundamental para manter os níveis de glicemia regulados, evitar crises de hipo ou hiperglicemia ou consequências mais graves decorrentes da evolução da doença, como problemas cardiovasculares, patologia renal ou pé diabético.

Diabetes e alimentação: diagnóstico de Diabetes


diabetes e alimentacao glicemia

Perante a presença dos sintomas clássicos da doença (polidipsia, poliuria, polifagia, aumento ou perda de peso acentuada, tonturas, visão turva), uma glicemia ocasional igual ou superior a 200 mg/dl faz o diagnóstico de diabetes.

Em casos mais graves podem existir corpos cetónicos na urina (cetonúria), que, apesar de isoladamente não fazerem o diagnóstico, complementam o resultado da glicemia elevada, refletindo uma maior gravidade da situação.

Também faz o diagnóstico desta doença uma glicemia em jejum igual ou superior a 126 mg/dl ou igual ou superior a 200 mg/dl 2 horas após a ingestão de alimentos, em duas ocasiões diferentes.

A prova de tolerância oral à glicose não se faz por rotina, estando reservada para situações de forte suspeita clínica com glicemia em jejum normal ou quando a glicemia em jejum é superior a 100 mg/dl e inferior a 126 mg/dl.

Diabetes e alimentação: tratamento habitual


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Dada a relação próxima entre diabetes e alimentação, o principal tratamento passa pela administração de insulina ou toma de anti-diabéticos orais e ajuste na alimentação diária em função dos valores de glicemia medidos em cada momento.

No caso da diabetes tipo 2 é também importante corrigir a situação do excesso de peso. Neste tratamento deve também ser integrada a atividade física, visto que é uma forma natural de regular a glicemia e visto que ajuda a melhorar a sensibilidade à ação da insulina.

Diabetes e alimentação: cuidados essenciais com a alimentação


O primeiro conceito que importa transmitir quando se fala de diabetes e alimentação é que não existem alimentos proibidos, nem mesmo alimentos com açúcar. O importante é que seja algo esporádico, nunca feito em contexto isolado e que, de seguida, seja ajustada a insulina (nos casos em que se aplicar) e a restante alimentação.

Outro aspeto crucial para um melhor controlo dos valores de glicemia é fazer refeições regulares ao longo do dia, sem passar longos períodos de tempo sem comer.

De forma mais pormenorizada, estabelecem-se algumas indicações que deverão ser cumpridas diariamente:

1. Tome sempre o pequeno-almoço

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Um dos principais cuidados na alimentação na diabetes passa por nunca sair de casa sem tomar o pequeno-almoço. É a primeira refeição do dia, a mais importante e que deve ser feita na primeira hora após o acordar, de modo a compensar o longo período de jejum noturno.

Para manter os níveis de glicemia estáveis deve incluir: leite ou derivados, pão escuro e uma peça de fruta.

2. Nunca salte refeições

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Como referido anteriormente, fazer refeições regulares ao longo do dia é essencial para o controlo glicémico.

Se fizer seis refeições diárias, nunca ficar mais do que três horas sem comer e mantiver as mesmas proporções alimentares em cada refeição, todos os dias, os seus valores de glicemia devem manter-se estáveis.

Faça pequenos snacks entre o pequeno-almoço, o almoço e o jantar e uma pequena ceia antes de deitar para evitar hipoglicemias durante a noite.

3. Comece as suas refeições principais com uma sopa

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Ao almoço e ao jantar comece sempre a refeição com uma boa sopa de legumes. Isto ajuda a prevenir excessos no prato e nas refeições seguintes uma vez que é um alimento bastante saciante.

Além disso, é de fácil digestão, rica em nutrientes, fibras e vitaminas, que também ajudam a regular a glicemia.

4. Não coma fruta nem outros alimentos ricos em hidratos de carbono simples isoladamente

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Para quem sofre de diabetes, a fruta deve ser consumida acompanhada com um alimento de baixo índice glicémico, como um iogurte magro, frutos secos oleaginosos ou ovo cozido, de modo a evitar um pico de glicemia abrupto.

Tal como a fruta, esta regra aplica-se a todos os alimentos de elevado índice glicémico, incluindo bolachas, biscoitos, sumos, e todos os produtos açucarados.

5. Evite o açúcar de adição

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O açúcar refinado é o principal inimigo da diabetes. Como tal, evite ao máximo o seu consumo e adição aos alimentos, assim como alimentos que sejam muito ricos neste elemento.

6. Aprenda a fazer a contagem de hidratos de carbono

diabetes e alimentacao contagem de hidratos de carbono

Particularmente relevante para quem sofre de diabetes insulino-dependente, a contagem de hidratos de carbono é um processo crucial que deve aprender junto do seu nutricionista, de modo a ajustar as doses de insulina para a sua ingestão alimentar e atividade física praticada.

Desta forma, evita mais eficientemente, situações de hipo ou hiperglicemia e suas complicações.

Diabetes e alimentação: outros cuidados


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Além das indicações mencionadas anteriormente, todos os pressupostos de uma alimentação saudável, devem integrar a alimentação do diabético.

  • Beber 1,5 l de água ou chá sem açúcar por dia;
  • Reduzir a ingestão de alimentos processos;
  • Privilegiar o azeite como gordura de eleição;
  • Reduzir o consumo de sal;
  • Aumentar a ingestão de fibras;
  • Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas (homens: 2 copos por dia; mulheres: 1 copo por dia) e refrigerantes;
  • Abolir os fritos e confeções com muita gordura;
  • Reduzir o consumo de molhos pré-preparados, massas folhadas, produtos de pastelaria, enchidos, etc;
  • Privilegiar as ervas aromáticas para temperar as refeições.

Apesar de todas as indicações sobre diabetes e alimentação mencionadas neste artigo, fale com o seu médico endocrinologista e com o seu nutricionista e cumpra escrupulosamente as suas indicações para se manter saudável e prevenir a progressão da diabetes.

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