Cistite idiopática felina: em que consiste esta doença?

A cistite idiopática felina é uma doença muito frequente em gatos, e muitas vezes passa desapercebida aos seus tutores. Saiba tudo sobre esta patologia.

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Cistite idiopática felina: em que consiste esta doença?
O stress é um dos fatores que pode desencadear esta patologia

A cistite idiopática felina representa cerca de 75% da doença do trato urinário inferior em gatos, sendo uma das doenças mais frequentes nesta espécie. A doença carateriza-se por uma inflamação no trato urinário de origem desconhecida.

Em que consiste a cistite idiopática felina?


cistite idiopatica felina gato stressado

A cistite idiopática felina é uma doença do trato urinário inferior em que ocorre inflamação da bexiga, normalmente sem haver infeção, daí que também seja denominada de cistite estéril.

A origem desta inflamação é desconhecida, daí a designação idiopática, pois este é o termo médico utilizado para desconhecido. No entanto, é possível apontar alguns fatores predisponentes para que ocorra este problema no gato.

Fatores predisponentes

Existem vários fatores que podem predispor o animal a sofrer de doença do trato urinário inferior, nomeadamente:

  • Stress e ansiedade;
  • Alterações hormonais;
  • Alterações anatómicas;
  • Presença de tumores no trato urinário;
  • Presença de cálculos urinários;
  • Infeção no trato urinário.
  • A cistite tanto pode ocorrer em machos como em fêmeas. A causa mais frequente da cistite idiopática em felinos é o stress que pode ocorrer devido a alterações na rotina do animal, como mudança de casa, introdução de novos animais em casa.

 

Sinais de cistite idiopática felina


cistite idiopatica felina gato na areia

Os sinais de cistite idopática felina podem ser comuns a outras patologias do trato urinário em gatos. No entanto, deve estar atento a estes sinais no seu gato, e caso ocorram, deve consultar o médico veterinário, pois independentemente da causa, os seguintes sinais clínicos são relevantes e merecem uma avaliação:

  • Micção frequente (poliúria);
  • Presença de sangue na urina (hematúria);
  • Esforço e dor ao urinar (disúria) que podem ser demonstrados pelo gato gemendo e vocalizando enquanto urina dentro ou fora da caixa de areia ou até mesmo por se colocar várias vezes em posição de micção sem de facto urinar;
  • Micção lenta e com dor (estrangúria);
  • Urinar às pingas (polaquiúria);
  • O gato pode associar a caixa de areia a dor e começar a urinar em locais desapropriados fora da caixa de areia.

Numa situação mais grave, caso a cistite seja provocada pela presença de cálculos urinários, os gatos machos podem desenvolver uma obstrução uretral, devido ao reduzido diâmetro da sua uretra.

Caso ocorra obstrução podem acontecer estes sinais acompanhados de anúria, numa fase mais avançada, ou seja, o gato deixa de conseguir urinar. O gato também pode demonstrar-se mais apático, letárgico, com anorexia (sem comer). Esta é uma situação grave e que deve ser tratada como uma emergência.

Diagnóstico de cistite idiopática felina


cistite idiopatica felina veterinaria a observar gato

De forma a chegar a um diagnóstico de cistite idiopática felina é necessário que o médico veterinário avalie o animal, e realize exames de forma a excluir outras causas de doenças do trato urinário.

Este tipo de situações podem implicar alguns gastos mais elevados que podem mexer com o orçamento familiar. Nestas alturas, um plano de saúde adequado pode ser uma ajuda para poupar o máximo possível. A Vetecare dispõe de um plano de saúde de animal a partir de 13€ por mês para 2 animais de companhia, que inclui diversos descontos em serviços veterinários em Hospitais, clínicas e consultórios por todo o país.

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1. Análise ao sangue

O médico veterinário pode realizar uma recolha de sangue ao gato, e enviar para análise para realização de hemograma. Através do hemograma é possível perceber alterações como a presença de infeções, avaliando o aumento de glóbulos brancos.

Também, através de análise ao sangue é possível verificar se se trata apenas de uma infeção urinar inferior ou se o rim também está afetado, medindo os valores de ureia e creatinina, que são os indicadores de função renal.

2. Análise à urina

A recolha de urina pode ser efetuada de várias formas:

  • Micção espontânea em que se recolhe a urina no momento em que o gato está a urinar, ou o médico veterinário faz uma compressão manual da bexiga obrigando o gato a urinar;
  • Algaliação, em que o médico veterinário algalia o gato e retira urina diretamente da algalia;
  • Cistocentese, em que o médico veterinário recolhe urina diretamente da bexiga do animal, picando com uma seringa e agulha a cavidade abdominal, com o auxílio da ecografia para localizar a bexiga.

Após a recolha de urina, é necessário armazená-la em condições estéreis e no frio, para posterior análise. Através da análise à urina é possível avaliar vários parâmetros como a presença de cálculos, identificação do tipo de cálculo, pH da urina, densidade, presença de infeção, sangue entre outros parâmetros que o médico veterinário considere relevantes.

Caso haja infeção bacteriana associada, através da urina é possível realizar uma cultura de forma a perceber qual a bactéria presente e qual o antibiótico mais adequado para aquela infeção.

3. Radiografia

A radiografia pode ser utilizada para perceber defeitos anatómicos, detetar a presença de alguns cálculos urinários tanto a nível renal, uretral, ureteral ou na bexiga.

4. Ecografia abdominal

É o método ideal para avaliar um gato com suspeita de cistite idiopática, pois permite visualizar toda a cavidade animal, identificando todo o tipo de alterações estruturais e presença de cálculos, com melhor definição e com menor margem de erro do que a radiografia.
Permite também realizar a recolha de urina através de cistocentese.

Tratamento de cistite idiopática felina


cistite idiopatica felina gato a comer comida humida

Como a origem da cistite é desconhecida, o tratamento consiste no alívio dos sinais clínicos. Uma vez que se trata de um processo doloroso, é essencial que o gato esteja com medicação analgésica, de forma a melhorar o seu bem-estar e permitir que comece a urinar sem dor.

A alimentação também pode ser necessário alterar, especialmente se forem detetados cálculos urinários. O gato deve passar a fazer um alimento para prevenção de cálculos. Na fase aguda da infeção, pode ser necessário que se alimente com alimento húmido, em vez de ração, para aumentar a sua ingestão de água.

O aumento da ingestão de água deve ser considerado, de forma a diluir a urina. Pode optar por colocar fontes dispersas pela casa, uma vez que os gatos não gostam de beber de locais com água parada.

Caso tenha havido alguma mudança que tenha causado stress ao gato, existem feromonas sintéticas felinas que mimetizam o efeito as feromonas, hormonas que são libertadas pelos felinos para comunicar entre si, que ajudam gato a sentir-se menos ansioso.

Em caso de infeção secundária pode ser necessário a administração de antibiótico, sempre sob a prescrição do seu médico veterinário.

Veja também:

Fonte

1. MSD Veterinary Manuals – Kidney and Urinary Tract Disorders of Cats. Disponível em:
https://www.msdvetmanual.com/cat-owners/kidney-and-urinary-tract-disorders-of-cats/noninfectious-diseases-of-the-urinary-system-of-cats?query=cystitis%20feline

Dra. Patrícia Azevedo Dra. Patrícia Azevedo

Patrícia Azevedo é médica veterinária natural de Braga. Desde a sua infância que é apaixonada por animais e sempre teve a ambição de ser médica veterinária. Trabalhou como voluntária em associações de proteção e ajuda a animais errantes desde os 11 anos de idade . Iniciou o seu percurso como estudante desta área na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e concluiu os seus estudos no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tem três gatos e uma cadela retirados da rua. Trabalha atualmente na sua cidade natal, em medicina e cirurgia de pequenos animais.