Amigdalite viral: quais os problemas associados?

A amigdalite viral, tal como o nome indica, pode ser causada por diversos vírus e provoca inflamação das amígdalas. Saiba reconhecer os principais sintomas.

Amigdalite viral: quais os problemas associados?
Existem diversos vírus causadores

Uma amigdalite viral é um problema muito comum em todas as casas, especialmente naquelas que têm crianças pequenas. Quase todas as pessoas associam-na automaticamente a inflamações nas amígdalas, febres altas, mau estar…, mas será que sabem no que consiste uma amigdalite viral? Sabe a diferença entre estas e as amigdalites bacterianas?

Venha descobrir as principais espécies causadoras desta amigdalite bem como os sintomas associados.

No que consiste uma amigdalite viral?


amigdalite viral amigdalas crianca

Tal como já foi dito, uma amigdalite viral não é mais do que uma inflamação nas amígdalas que pode trazer, ou não, consequências a curto prazo. É mais comum em crianças e adolescentes e a sua particularidade é o agente infeccioso que é o vírus. Cerca de 40 a 50% de todas as amigdalites/faringites são causadas por vírus, enquanto que as restantes podem ter variadíssimas causas, como por exemplo bactérias.

Acaba por ser mais frequente no Inverno e Primavera, logo entre Janeiro e Junho e de todos os vírus existentes os mais comuns são os adenovírus (especialmente em crianças com menos de 3 anos), seguidos pelo enterovírus, rinovírus, influenza e parainfluenza, epstein-barr e herpes simplex 1 e 2.

O que são as amígdalas?


amigdalite viral medica a ver as amigdalas

O corpo humano contém as amígdalas, duas estruturas arredondadas situadas nas extremidades entre o céu da boca e a língua. Estas são ricas em glóbulos brancos e por isso têm grande papel na imunidade do organismo, exercendo uma função de defesa.

São expostas a toda a hora à passagem de comida, bebida e ar o que aumenta o contacto com vírus e bactérias que podem provocar agressões. Quando estas são atacadas, o corpo inicia um processo inflamatório com o objetivo de proteger o organismo, onde as amígdalas incham podendo provocar outras consequências.

Quais os principais sintomas de uma amigdalite viral?


amigdalite viral mulher a verificar febre

De uma forma sucinta, existem certos sintomas que se podem considerar sintomas mais gerais e transversais a vários tipos de amigdalites. Normalmente uma garganta inflamada é logo associada a amigdalite, mas existem outros sintomas como:

  • Amígdalas vermelhas e inchadas;
  • Manchas brancas de pus nas amígdalas;
  • Dificuldade associada a dor ao engolir;
  • Febre;
  • Tosse e rouquidão;
  • Diarreia;
  • Rinorreia;
  • Dor de cabeça e de garganta;
  • Eritema das amígdalas com gânglio cervicais moderadamente aumentados.

 

Manifestações clínicas de acordo com determinados vírus


amigdalite viral medica a ver boca de paciente

Apesar da maior parte das amigdalites não trazerem consequências muito graves, além dos sintomas descritos em cima, existem algumas espécies virais que trazem algumas complicações.

1. Adenovírus

Por exemplo, quando deriva do Adenovírus desenvolve-se Febre Faringoconjutival com sintomas como febre, amigdalite exsudativa, conjuntivite e adenopatia pré-auricular.

2. Coxsackievírus

Já o Coxsackievírus, um enterovírus, provoca Herpangina, uma doença infeciosa com sintomas mais graves como febre elevada, mialgias, odinofagia acentuada e uma amigdalite vesiculo-bolhosa. Esta apresenta vesículas e úlceras com um halo eritematoso na faringe posterior, palato e úvula.

A doença da mão-pé-boca (DMPB) é desenvolvida por outra espécie de enterovírus, o vírus Coxsackie A-16, com sintomas como úlceras na língua e mucosa oral, erupção papulo-vesicular nas palmas das mãos e pés e nas áreas interdigitais.

3. Vírus Epstein-Barr

O vírus Epstein-Barr provoca a conhecida mononucleose infecciosa, muito preocupante em idade escolar tanto em crianças como adolescentes, com febres altas e mialgias.

A amigdalite é exsudativa/membranosa com caraterísticas típicas como amígdalas hipertrofiadas cobertas de exsudado. Além destes sintomas é possível também encontrar adenopatias cervicais e axilares, hepatoesplenomegalia, em cerca de 50% dos casos e em 10% rash maculopapular no tronco e membros.

4. Vírus herpes simplex 1

A gengivoestomatite é causada pelo conhecido vírus herpes simplex 1, associado muitas vezes ao herpes labial. Os sintomas associados são diversos tais como febre elevada, linfadenite cervical, amígdalas hipertrofiadas e friáveis, vesículas e ulcerações brancas nas amígdalas, palato e orofaringe (lábios e boca) e ainda halitose e salivação excessiva.

Etiologia Manifestações clínicas
Rhinovirus Constipação comum
Coronavirus Constipação comum
Adenovirus Febre faringoconjuntival
Herpes simplex 1 e 2 Gengivoestomatite
Vírus parainfluenza Constipação comum
Coxsackievírus Herpangina e DPMB
Vírus Epstein-Barr Mononucleose infeciosa
Citomegalovírus Síndrome minonucleósido
VIH Infeção primária

 

Quais as complicações mais comuns deste tipo de amigdalite?


amigdalite viral dificuldades respiratorias

Normalmente sempre que uma amigdalite viral é diagnosticada e tratada, dificilmente evolui para complicações. No entanto, cada caso é um caso e apenas o seu médico pode dizer se está ou não curado.

De todas a complicações possíveis, as mais comuns, como consequência do não tratamento de uma amigdalite, são dificuldades respiratórias, apneia de sono, celulite tonsilar, e abcesso peritonsilar.

A amigdalite viral é contagiosa?


amigdalite viral meninos juntos

A verdade é que todos os tipos de amigdalites são contagiosos apesar da amigdalite viral ter um contágio mais fácil e mais rápido, o que faz dela mais preocupante.

Este é possível de diversas formas, mas o contacto direto com saliva é o mais eficiente. Assim, o simples acto de abraçar ou beijar pode fazer com que se transmita uma amigdalite viral. Ou, especialmente nas crianças, a troca de objetos, como brinquedos que muitas vezes foram colocados na boca e andam de mão em mão.

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Farmacêutica Rita Teixeira Farmacêutica Rita Teixeira

Licenciada em Estudos Básicos de Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e a terminar o mestrado em Ciências Farmacêuticas na mesma Universidade. É apaixonada pela escrita, por viagens e pela organização de eventos de saúde.

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