Como lidar com as alterações de comportamento nas demências

As alterações de comportamento nas demências são os sintomas que mais afetam a vida do doente e do seu cuidador. Estas alterações são um conjunto vasto de sintomas comuns na maioria das demências e têm um forte impacto na qualidade de vida. Vamos conhecer alguns desses comportamentos e aprender a lidar com eles no dia-a-dia.

Como lidar com as alterações de comportamento nas demências
A doença de Alzheimer é o tipo mais comum de demência.

As demências são uma síndrome de deterioração global das capacidades cognitivas, ou seja, pode existir um défice da memória, do pensamento, do reconhecimento visual, do processamento da informação, entre outros défices. Para além do defeito cognitivo podemos encontrar também alterações de comportamento nas demências.

As demências podem fazer com que o doente se comporte de uma maneira estranha e imprevisível. Alguns doentes tornam-se ansiosos ou agressivos, outros repetem sem cessar determinadas perguntas ou gestos.

Um quadro de demência pode ser causado por diversas patologias, sendo a mais conhecida a doença de alzheimer.

O que é que causa estas alterações de comportamento nas demências?


idoso confuso com o pensamento

Cada pessoa com demência é diferente da outra. Os seus comportamentos podem ser variados e dever-se a diferentes causas:

  • Mau estar ou desconforto físico: causados pela própria doença ou pela medicação;
  • Estimulação contínua e excessiva: ambiente com demasiado ruído ou confusão;
  • Ambiente não familiar: locais desconhecidos; incapacidade para reconhecer o local onde estão;
  • Quando os doentes sentem dificuldades em realizar determinadas atividades;
  • Incapacidade para comunicar: dificuldade em utilizar qualquer forma de linguagem pode ser frustrante.

 

Principais alterações de comportamento nas demências


Ações de Repetição

alteracoes de comportamento nas demencias e ajuda de familiar

A pessoa com demência pode tornar-se muito repetitiva, quer naquilo que diz, quer naquilo que faz. Na maioria dos casos o doente procura conforto, familiaridade e sensação de segurança.

Estes comportamentos de repetição não são perigosos para o doente mas são frustrantes e desgastantes para quem cuida deles.

Como lidar com estes comportamentos?

  • Procure a causa que se encontra por detrás da repetição: tente avaliar se existe alguma causa específica;
  • Mantenha-se calmo e seja paciente: utilize gestos de apoio e um tom de voz sereno;
  • Responda-lhe: com tom de voz calmo; mesmo que tenha de repetir várias vezes a mesma coisa;
  • Utilize auxiliares de memória: quando o doente faz repetidamente as mesmas perguntas ajude-o a lembrar das respostas recorrendo a notas, horários, calendários e fotografias;
  • Envolva o doente em atividades: o doente pode estar aborrecido; envolva-o numa atividade que lhe seja agradável; por exemplo, se o doente está repetitivamente a esfregar a mão no tampo de uma mesa dê-lhe um pano para o pó e peça ajuda para limpar.

Agressividade

Os comportamentos agressivos podem ser verbais ou físicos. Podem surgir de forma repentina e sem razão aparente, ou resultar de uma situação que tenha sido frustrante para o doente. É sempre importante tentar entender o que é que fez com que o doente se tivesse zangado e ficado agressivo.

Como lidar com estes comportamentos?

  • Identifique a causa: pense acerca do que poderá ter despoletado a reação agressiva;
  • Evite confrontar ou discutir com o doente: tal pode fazer com que se torne ainda mais agressivo; dê-lhe confiança e fale de forma delicada;
  • Zele pela sua própria segurança;
  • Tente distrair o doente: mude o tema da conversa ou introduza outra atividade;
  • Tente realizar uma atividade relaxante com o doente: pode utilizar música ou uma massagem.

Ansiedade ou agitação

O doente pode sentir-se agitado ou ansioso, tornando-se inquieto, com necessidade de andar de um lado para o outro.

mae a apoiar mae idosa

Como lidar com estes comportamentos?

  • Envolva o doente em atividades: a agitação pode ser uma forma de procurar qualquer coisa para fazer; dê um passeio com o doente, por exemplo;
  • Modifique o ambiente envolvente: a agitação e a ansiedade são muitas vezes provocadas pelo meio ambiente em que o doente se encontra; diminua o ruído ou outros aspetos que perturbem o doente;
  • Transmita confiança e segurança: deixe que o doente fale à vontade; converse com ele com calma e mostre que está ali para o ajudar.

Confusão de pensamento

idoso confuso

Com o avançar da demência, os doentes tendem a deixar de reconhecer pessoas, locais e objetos que outrora lhe eram familiares. Podem ainda ter estranhos pensamentos de suspeita acerca de quem os rodeia, acusando os cuidadores de roubo e outros comportamentos inadequados.

Como lidar com estes comportamentos?

  • Mantenha-se calmo: ser chamado por outro nome ou não ser reconhecido por quem mais amamos é difícil e doloroso, mas tente não demonstrar o seu sofrimento;
  • Explique de forma simples: tente clarificar a situação de forma muito simples e breve; não utilize grandes explicações; evite explicações que pareçam reprimendas;
  • Utilize auxiliares de memória: mostre ao doente fotografias ou outros objetos que possam ajudar a recordar;
  • Não personalize nem se ofenda: lembre-se que estes comportamentos são consequência da doença; não argumente nem tente convencer o doente;
  • Mude o foco da atenção: peço que o ajude em determinada tarefa; tente envolve-lo em atividades prazerosas;
  • Duplique os objetos: se o seu familiar com demência está constantemente à procura da carteira, tenha sempre mais que uma para o caso de ele perder ou não encontrar alguma.

 

6 dicas a pôr em prática todos os dias


Apoio familiar

Ponha em prática estas dicas e seja paciente em caso de um comportamento de demência.

  1. Seja flexível, clamo e paciente;
  2. Aceite o comportamento como uma realidade da doença;
  3. Não argumente, nem discuta;
  4. Não pense que o doente faz de propósito para o irritar;
  5. Partilhe as suas emoções e experiências de cuidador com outras pessoas;
  6. Encontre tempo para si.

As alterações de comportamento nas demências podem levar à frustração e à tensão entre o doente e o seu cuidador. É importante não esquecer que o doente não se está a comportar deste modo propositadamente.

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Psicóloga Ana Graça Psicóloga Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Para além da Psicologia é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que proporcione felicidade!

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