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Já ouviu falar de acromegalia?

Com sintomas muito especiais, a acromegalia é uma síndrome que está relacionado com o crescimento anormal de algumas partes do corpo. Venha saber mais.

 
Já ouviu falar de acromegalia?
Seja em crianças ou em adultos, os sinais são evidentes

Provavelmente nunca ouviu falar de acromegalia, mas de certeza que conhece esta síndrome, pelo menos pelos sintomas que causa.

Quando ocorre em crianças, ao longo do seu crescimento, tem o nome de gigantismo, nos adultos os sinais são um pouco diferentes e tem o nome de acromegalia.

Independentemente da etapa da vida em que ocorre, a essência da síndrome é a mesma: uma exagerada produção e consequente secreção de hormona do crescimento (GH e IGF-1), hormona que, tal como o nome indica, faz o nosso corpo crescer.

É uma doença rara, tendo uma incidência de cerca de 4 casos novos por milhão de habitantes por ano, no entanto devemos conhece-la e saber reconhecer os seus sinais.

Num caso de acromegalia, o que acontece fisiologicamente?


acromegalia raio x maos

Existem duas hormonas que são produzidas em quantidades anormais e que levam a este problema. São elas:

  • Excesso de secreção de hormona de crescimento (GH):
    • Na hipófise – adenoma (98% dos casos);
    • Fora da hipófise – tumor do pâncreas, pulmão, ovário e mama.
  • Excesso de secreção do fator estimulante de hormona de crescimento (GHRH):
    • Tumores do sistema nervoso central;
    • Tumores do sistema nervosa periférico – carcinoma brônquico, pulmonar e pancreático.

Geralmente o intervalo entre o início da doença e o seu diagnóstico é de 12 anos, pois o crescimento anormal demora para ficar claramente distinto do normal. Também tem um índice de mortalidade 2 a 3 vezes maior que a população normal, e as causas de morte são, na sequência cardiovascular, respiratórias e neoplasias.

Sinais típicos da acromegalia


acromegalia crescimento anormal de maos e joelhos

São os sintomas deste problema que o torna tão peculiar uma vez que, muitas vezes, torna-se evidente ao ver um doente que este tem esta doença.

Apesar de ser raro, se houver uma produção excessiva de hormona do crescimento durante a infância, ou seja, antes das placas de crescimento estarem fechadas, o quadro clínico é de gigantismo. Os ossos do corpo crescem de uma forma excessiva, levando a criança a atingir uma altura exagerada, com braços e pernas muito longos e, como consequência a puberdade é retardada.

No entanto, na maior parte dos casos, ocorre entre os 30 e os 50 anos de idade, muito depois do crescimento ser dado por terminado. O excesso de hormona do crescimento vai causar, em vez de alongamento:

  • Deformações nos ossos de uma forma lenta, o que torna difícil o diagnóstico precoce.
  • Os pés e as mãos tornam-se grandes e inchados e as caraterísticas faciais da pessoa também se tornam ásperas.
  • Há um crescimento excessivo do osso do maxilar, podendo levar ao prognatismo que é a protuberância da mandíbula.
  • Também a laringe pode tornar-se mais espessa o que faz com que a voz fique mais grossa.
  • Verifica-se muitas vezes um aumento da língua, cifose e o crescimento de pelo escuro por todo o corpo.

Nas mulheres, é comum que os ciclos menstruais fiquem irregulares e existir a produção de leite materno mesmo quando não estão a amamentar, devido ao aumento da prolactina.

Com o passar dos anos, é também possível que se desenvolva artrite degenerativa incapacitante, diabetes mellitus, hipertensão, insuficiência cardíaca e apneia do sono.

Como é feito o diagnóstico para a acromegalia?


acromegalia analises ao sangue

Inicialmente, nas crianças, um rápido crescimento pode parecer normal, mas com o passar do tempo torna-se evidente que algo de errado se passa.

Nos adultos, as mudanças vão sendo induzidas lentamente o que atrasa o diagnóstico da doença. Alem das análises ao sangue, muitas vezes o médico também estabelece o diagnóstico com a comparação de fotografias tiradas ao longo dos anos, onde se tornam evidentes alguns sinais característicos da acromegalia. A radiografia a certas partes do corpo é o passo seguinte, onde se irá verificar espessamento dos ossos e um alargamento dos seios nasais, na radiografia ao crânio, e um alargamento e espessamento dos ossos nos dedos.

Mas a única forma de realmente diagnosticar este problema é com exames ao sangue. Nestes exames, são encontrados níveis muito altos de hormona do crescimento e do fator de crescimento semelhante á insulina 1 (IGF-1). Para completar este diagnóstico, em adultos, deve também ser realizada uma ressonância magnética para verificar a existência de crescimento anormais na hipófise, como por exemplo tumores, muito típicos em doentes com acromegalia.

A acromegalia tem tratamento?


acromegalia radioterapia

A interrupção da produção exagerada da hormona de crescimento não é fácil de resolver, apesar de ser possível. O tratamento passa pela realização de uma cirurgia e, na maior parte das vezes, por tratamento farmacológico ou mesmo radioterapia.

1. Tratamento cirúrgico

É considerado o tratamento inicial e mais indicado para a resolução completa deste problema. É feita a remoção do tumor que causa esta super-produção de GH, sem provocar deficiências ou alterações noutras hormonas da hipófise. No entanto, nem sempre é possível remover completamente o tumor, uma vez que na maior parte dos casos este já apresenta dimensões muito elevadas quando é diagnosticado.

2. Radioterapia

Como tratamento complementar recorre-se à radioterapia. Esta envolve o uso de radiação por supertensão, que acaba por ser menos invasiva para o corpo do que uma cirurgia. Mas o tempo de duração é longo, podendo levar vários anos até ter um efeito completo.

3. Tratamento farmacológico

Por último, existe o tratamento farmacológico que é um recurso quase sempre utilizado, independentemente dos tratamento anteriores serem ou não realizados.

Os medicamentos mais eficazes são aqueles que atuam inibindo a secreção e/ou produção da hormona de crescimento, como por exemplo o octreotido octrayne, administrado numa forma injetável 1 vez por mês. Este medicamento deve ser receito pelo médico que acompanha o doente e não é um medicamento com ação curativa, terá que ser usado de uma forma contínua.

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Farmacêutica Rita Teixeira Farmacêutica Rita Teixeira

Licenciada em Estudos Básicos de Ciências Farmacêuticas pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e a terminar o mestrado em Ciências Farmacêuticas na mesma Universidade. É apaixonada pela escrita, por viagens e pela organização de eventos de saúde.

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