Enfermeira Filipa Pinto
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05 Mai, 2020 - 10:05

Tipos de anestesia: quais são e para que servem

Enfermeira Filipa Pinto

A anestesia é um procedimento médico que visa bloquear a dor e bloquear a musculatura durante uma cirurgia. Saiba quantos tipos de anestesia existem.

Tipos de anestesia: médicos a anestesiar paciente no bloco operatório


A anestesia é um procedimento médico que visa bloquear temporariamente a capacidade do cérebro de reconhecer um estímulo doloroso, permitindo atualmente praticar inúmeros procedimentos médicos e cirúrgicos que sem anestesia não seriam possíveis de realizar.

A anestesia pode ser administrada ao paciente de diversas formas, por administração local (pomada, spray ou gotas), por via intravenosa e/ou por via inalatória.

A forma de atuação, os efeitos e a recuperação, são diferentes consoante os tipos de anestesia. O estado de saúde do paciente e o tipo de procedimento a que vai ser submetido determinam a escolha de cada tipo.

Apesar de o objetivo de cada um dos tipos de anestesia ser bloquear a sensação de dor, em casos de cirurgia mais complexas, não basta apenas retirar a dor. Nesses, o procedimento anestésico também tem outras funções, como bloquear a musculatura do paciente, impedindo que o mesmo se mexa durante a cirurgia, e provocar amnésia, fazendo com que o paciente se esqueça de boa parte dos acontecimentos durante a cirurgia, mesmo que ele permaneça acordado durante o ato cirúrgico.

Quais os tipos de anestesia que existem?

Tipos de anestesia: anestesista a acompanhar paciente durante cirurgia

Existem basicamente 3 tipos de anestesia, a anestesia geral, a anestesia regional e a anestesia local.

1.

Anestesia geral

Anestesia geral é a modalidade indicada para as cirurgias mais complexas. É escolhida quando o procedimento cirúrgico é muito complexo, não sendo viável anestesiar apenas uma região do corpo.

Na anestesia geral, o paciente fica inconsciente, incapaz de se mover e, habitualmente, entubado e acoplado a um respirador artificial.

Em alguns casos, é possível complementar a anestesia geral com técnicas de anestesia regional, com o objetivo de diminuir a dor durante e após o procedimento cirúrgico.

No caso particular das crianças, são submetidas a anestesia geral para evitar movimentos bruscos durante a cirurgia.

2.

Anestesia regional

A anestesia regional é um procedimento anestésico usado em cirurgias mais simples, onde o paciente pode permanecer acordado.

Este tipo de anestesia bloqueia a dor em apenas uma determinada região do corpo, como um braço, uma perna ou toda região inferior do corpo, abaixo do abdómen.

A Anestesia Regional está dividida da seguinte forma:

  1. Anestesia raquidiana ou Raquianestesia
  2. Anestesia epidural
  3. Anestesia Sequencial
  4. Bloqueio de Nervos Periféricos.

1. Na anestesia raquidiana é administrado um anestésico local por intermédio de uma agulha de fino calibre, no líquido que circula na medula espinhal (líquido cefalorraquidiano). Neste tipo de anestesia, o paciente perde a sensibilidade dos membros inferiores e da zona inferior do abdómen. Os membros inferiores ficam dormentes e pesados, perdendo a mobilidade. Este efeito é temporário e desaparece ao fim de 2 horas, recuperando totalmente a sensibilidade e a mobilidade.

2. Na anestesia epidural é administrado um anestési​co local através de um cateter colocado no espaço epidural, espaço virtual que se encontra próximo da medula espinhal. Neste tipo de anestesia também se perde a sensibilidade dos membros inferiores e da zona inferior do abdómen, ficando com os membros inferiores dormentes e pesados.

As diferenças entre a anestesia epidural e a anestesia raquidiana é o local onde é administrado o anestésico local, o tipo de agulha e o volume de anestésicos utilizados. A anestesia epidural é muitas vezes associada à anestesia geral sendo uma forma eficaz de tratamento da dor no pós-operatório.

3. A Anestesia Sequencial combina os dois tipos anteriores, a Anestesia Raquidiana e a Anestesia Epidural.

4. Bloqueios de nervos periféricos, o anestésico local é administrado ao redor dos nervos responsáveis pela sensibilidade e pelo movimento do membro onde vai ser realizada a cirurgia. Por exemplo, para uma cirurgia da mão, é possível anestesiar apenas o braço através da administração de anestésico local ao nível da axila.

3.

Anestesia local

A anestesia local é o procedimento anestésico que bloqueia os receptores para dor na pele e os nervos mais superficiais, impedindo que os mesmos consigam enviar sinais dolorosos para o cérebro.

É a anestesia mais comum, sendo usado para bloquear a dor em pequenas regiões do corpo, habitualmente na pele. Ao contrário das anestesias geral e regional, que devem ser administradas por um anestesiologista, a anestesia local é usada por quase todas as especialidades. Serve para bloquear a dor numa variedade de procedimentos médicos, como biópsias, punções de veias profundas, suturas da pele, punção lombar, punção de líquido ascítico ou de derrame pleural.

A anestesia local é habitualmente feita com a injeção de lidocaína na pele e nos tecidos subcutâneos. Pode ser feita também através de gel ou spray, como nos casos das endoscopias digestivas, onde o médico aplica um spray com anestésico local na faringe de modo a diminuir o incomodo provocado pelo exame.

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