Farmacêutica Cátia Rocha
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13 Ago, 2018 - 12:20

Protetores Gástricos: o que são e quais os riscos associados?

Farmacêutica Cátia Rocha

Os protetores gástricos encontram-se entre os medicamentos mais prescritos pelos médicos e utilizados pela população portuguesa, estando em crescente consumo.

Protetores Gástricos: o que são e quais os riscos associados?

Os protetores gástricos estão indicados nos seguintes tratamentos:

  • Refluxo gastroesofágico – acontece quando o ácido do estômago escapa para o esófago (o tubo que liga a garganta ao estômago) causando dor, inflamação e azia;
  • Estados de hipersecreção gástrica (como o síndrome de Zollinger-Ellison);
  • Úlcera péptica;
  • Em associação com antibióticos, para a erradicação da bactéria Helicobacter pylori.

Estes medicamentos, administrados 30 a 60 minutos antes das refeições mostram-se muito eficazes.

A esta classe pertencem: o esomeprazol, lansoprazol, omeprazol, pantoprazol e rabeprazol, disponíveis em vários medicamentos de marca e genéricos.

O QUE SÃO OS PROTETORES GÁSTRICOS?

protetores gastricos

Os popularmente chamados de protetores gástricos são medicamentos utilizados para diminuir a produção de ácido pelo estômago, devendo assim, ser designados como inibidores da bomba de protões.

Os inibidores da bomba de protões são dos medicamentos mais prescritos na atualidade, quer pelo grande número de doentes com doença de refluxo gastroesofágico, quer pelos doentes polimedicados aos quais é receitado, na maior parte das vezes, um protetor gástrico.

Os idosos, frequentemente polimedicados, são muitas vezes medicados cronicamente com estes medicamentos e como tal podem revelar-se mais suscetíveis a possíveis efeitos não desejados da supressão ácida. Por outro lado, o início da sua toma por jovens, como ocorre com frequência, pode levar ao aparecimento posterior de efeitos laterais, por vezes graves, numa fase mais avançada da vida.

A presença de ácido no estômago é indispensável para o correto processo de digestão dos alimentos, nomeadamente das proteínas.

A diminuição da acidez no estômago vai condicionar a capacidade de digestão dos alimentos, diminuir a absorção de alguns nutrientes levando a défices importantes que importa prevenir.

É de salientar que, como qualquer medicamento, podem ter efeitos secundários e por isso devem ser utilizados com indicação médica.

PRINCIPAIS PREOCUPAÇÕES A CONSIDERAR NA TOMA DE PROTETORES GÁSTRICOS

1. Reações Adversas

dor de estomago

Cefaleias, diarreia e outras perturbações gastrointestinais, erupção cutânea, prurido (comichão), tonturas, fadiga, náuseas e vómitos, mialgia (dores musculares) e xerostomia (secura na boca) contam-se entre os efeitos adversos mais frequentes.

Ainda, pelo facto de inibirem a produção de ácido gástrico, os protetores gástricos acarretam um risco superior de infeções gastrintestinais (como por Salmonella e Campylobacter).

2. Contra-indicações

gravida e medico

Devem ser administrados por estrita indicação médica a grávidas e mulheres em período de amamentação, já que a segurança da sua utilização nestas populações não é clara.

A experiência clínica em crianças é limitada e encontra-se restrita a patologias resistentes a outras medidas de tratamento e a uma duração de tratamento limitada.

3. Interações

interacoes medicamentosas

Medicamentos como a digoxina e o cetoconazol podem ter a sua absorção comprometida, quando administrados em conjunto com um protetor gástrico, uma vez que dependem do pH ácido gástrico.

Por outro lado, medicamentos como a fenitoína, a varfarina e o diazepam, podem sofrer um aumento da sua concentração, por alteração da metabolização hepática (do fígado).

SOBREUTILIZAÇÃO DOS PROTETORES GÁSTRICOS

A toma de protetores gástricos, salvo em casos de refluxo esofágico grave e úlceras hemorrágicas, não deve exceder 4 semanas.

No caso de toma de doses elevadas, por períodos prolongados (superior a 1 ano), existe o risco aumentado de fraturas da anca, pulso e coluna, por descalcificação, devido a uma diminuição da absorção de cálcio. Podem também reduzir a absorção de vitamina B12.

Mesmo sendo estes dados conhecidos, dados apontam para uma sobreutilização desta classe de fármacos, sendo que um elevado número de doentes se encontra a utilizar estes medicamentos sem indicação para toma.

Assim, é importante alertar que, muitas vezes, as causas para os sintomas que provocam a necessidade de tomar os protetores gástricos passam por uma alimentação pouco equilibrada, hábitos tabágicos e consumo de álcool e café. Estas são algumas das principais causas de refluxo ligeiro e sensação de ardor e azia.

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