Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
13 Dez, 2019 - 15:00

Ordem dos Nutricionistas quer mais profissionais nas escolas, centros de saúde e autarquias

Mónica Carvalho

Nutricionistas nas escolas, nos centros de saúde e nas autarquias: é o pedido da Ordem dos Nutricionistas para o próximo Orçamento de Estado.

Ordem dos Nutricionistas quer mais profissionais nas escolas, centros de saúde e autarquias

A Ordem dos Nutricionistas (ON) reuniu algumas ideias que gostariam de ver incluídas no próximo Orçamento de Estado, de acordo com afirmações da bastonária Alexandra Bento, à agência Lusa. “São um conjunto de propostas muito compreensíveis que visam melhorar a saúde através da alimentação, nutrição e do envolvimento dos nutricionistas”, explicou.

Mais nutricionistas e mais investimento na prevenção

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Portugal gasta 1,8% do total em despesas de saúde com cuidados preventivos, enquanto a média da OCDE ronda os 3,2%. Nesse sentido, a Ordem reforça a necessidade de um aumento, tendo como forma de financiamento as receitas do imposto especial sobre as bebidas com açúcar e adoçante.

Em seguida, a ON pede a contratação de mais nutricionistas em diversas áreas. A começar pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), com a contratação de 55 profissionais para os cuidados de saúde primários, reforçando a presença de nutricionistas nos agrupamentos de saúde. Sem esquecer a escola, dado que “é o lugar privilegiado para promover e educar para uma alimentação saudável”, a bastonária relembra a proposta já feita ao Ministério da Educação de contratar 30 nutricionistas. O objetivo desta medida é “utilizar a escola como palco de excelência, mas não é responsabilizando os agrupamentos dos centros de saúde pela promoção da alimentação saudável das escolas, porque estes agrupamentos não têm meios suficientes”.

A população idosa também é algo de preocupação por parte da ON, que pede a presença obrigatória de nutricionistas no setor social e solidário, ou seja, nos lares e centros de dia. A bastonária alerta “os nossos idosos que estão nos lares e centros de dia gozam de pior estado nutricional dos que os que não estão”. Esta é, aliás, uma medida que já tinha sido alvo de uma recomendação da Assembleia da República, no verão do ano passado, e, por isso, a ON pede apenas que o diploma seja posto em prática, até porque “15% dos nossos idosos estão em risco de desnutrição, 39% têm peso a mais e 70% dos nossos idosos sofrem de hipertensão”, lembrou a bastonária.

De acordo com a Ordem, “só cerca de 10% das autarquias têm nutricionistas nos seus quadros, e só estas trabalham de forma eficiente”, pelo que esta é uma área aonde também se deve apostar na contratação de mais profissionais.

Outra das medidas pedidas pela Ordem é a realização sistemática e regular, idealmente de 5 em 5 anos, de um Inquérito Alimentar Nacional, a iniciar já em 2020. Os únicos existentes datam de 1980 e 2016. Tal é primordial para ter um “um novo retrato do consumo alimentar da população portuguesa”, recordou Alexandra Bento.

Por último, a ON pede ainda que seja criada a carreira especial de nutricionista no Serviço Nacional de Saúde e assim regularizar a situação atual que conta com a dispersão do nutricionista por três carreiras diferentes: técnico superior de saúde, técnico superior e técnico de diagnóstico e terapêutica.

Fonte

1. Ordem dos Nutricionistas. Disponível em: https://www.ordemdosnutricionistas.pt/noticia.php?id=889